quarta-feira, 11 de julho de 2012

De quem é o "seu" tempo?

"O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido." - Bertrand Russell (matemático e filósofo britânico)

Hoje em dia a falta de tempo é uma reclamação (ou uma desculpa?) muito comum. Sem tempo de fazer esportes, sem tempo para brincar com os filhos, sem tempo para ler aquele livro ou ver aquele filme ótimo,  sem tempo para fazer algo que goste, sem tempo de estudar, sem tempo de ver os amigos ou apenas telefonar, sem tempo! E assim, enquanto estão "ocupados" a vida passa, as tarefas são cumpridas, mas o que realmente nos importa, aquilo que nos deixaria felizes, não é feito.

Algumas pessoas atribuem esse fato ao estilo de vida corrido das grandes cidades. Outras dizem ser falta de organização. O pensador grego Pitágoras costumava dizer que com tempo e organização tudo pode ser bem feito. Outros responsabilizam a atual organização do trabalho. O sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro Comunidade: a busca por segurança no mundo atual, diz que hoje o empregador já não tem necessidade de fiscalizar seus funcionários. A quantidade de pessoas em busca de um emprego é grande, assim, os funcionários buscam provar seu valor às empresas constantemente. Com isso, o empregador paga as horas trabalhadas, mas em troca exige todas as demais horas do funcionário, seus pensamentos e sua personalidade, enfim, sua vida.

De quem é o seu tempo? De repente nos sentimos quase ingênuos de ousar dizer que nosso tempo é nosso. Não. Somos muito ocupados!

Sabe aquela outra realidade? Aquela cena do jantar tranquilo em família, da conversa agradável com os amigos, das caminhadas no parque numa manhã de sol... Para muita gente, esses pequenos prazeres são limitados aos finais de semana. Já outras não encontram tempo para si nem mesmo nos finais de semana. Quando foi a última vez que você teve seu tempo?

O ser humano sempre desejou a liberdade e, com ela, a autonomia, ou seja, o poder de fazer suas próprias escolhas. Mas sem tempo para nós mesmos, como podemos ter autonomia? Não podemos, talvez apenas de forma muito limitada, na melhor das possibilidades.

De quem é o seu tempo? Claro que não podemos simplesmente largar tudo. Mas tampouco podemos largar a nós mesmos. Quando nunca fazemos o que gostamos, nem mesmo vez ou outra dentro do possível, as nossas escolhas nos são negadas. E aí murchamos, perdemos a alegria de viver e, de repente, tudo que resta dentro de nós é um grande vazio. A felicidade que podia ter sido e não foi. O projeto que nunca nem sequer começamos a realizar se torna apenas um sonho distante, e o que era a semente de uma nova realidade vai apodrecendo dentro de nós até virar uma massa estranha e irreconhecível.

Como lutar contra isso? Escolha! Não tenha medo, ouse ser quem você é. Vamos pensar em algumas estratégias. O primeiro passo é seguir o conselho de Pitágoras, organizar. Tenha uma agenda e respeite-a. Não marque compromissos nos mesmos horários (ou em horários tão próximos e em lugares tão distantes que você ficará ansioso e estressado por correr o risco de não poder cumpri-los). Crie prioridades em sua vida. E seja você mesmo a sua prioridade número 1. 

Com isso, vem o respeito. O respeito a si mesmo. Dê tempo a você. Dê tempo para almoçar sem ter que apenas engolir a comida. Dê tempo para acordar com calma. Em muitos casos vale a pena acordar alguns minutos mais cedo, com tempo, do que ter de apenas pular da cama e já começar o dia na pressa. Faça pausas. Tempo perdido? Não, nosso organismo precisa de pausas para funcionar bem, e quando fazemos pausas, erramos menos e somos mais eficientes. Levante-se, caminhe um pouco, estique o corpo, converse com um colega, ouça uma música...

Olhando com cuidado o seu dia, provavelmente você encontrará tempinhos em que pode incluir atividades que goste. Uma pessoa muito atarefada que goste de plantas provavelmente não terá tempo de cuidar de um pomar. Mas certamente encontrará 3 minutinhos para regar seu vasinho de flores e apreciar sua beleza. Uma mãe ou um pai pode não ter como passar o dia todo com sua criança, mas provavelmente, se quiser, tem alguns minutos para uma brincadeira ou uma historinha... 

O tempo passa e vamos envelhecendo. E aos poucos percebemos que o que sustenta aquilo que somos não são nossos feitos grandiosos, nem a nossa capacidade de cumprir tarefas bem e no prazo. O que nos faz sermos quem somos são as nossas lembranças e os nossos sonhos para o futuro. O desafio é viver de um jeito que nos permita ter boas lembranças e, ao mesmo tempo, cultivar e realizar os nossos sonhos.




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