terça-feira, 5 de março de 2013

Mythos - Fenix: a arte de ressurgir das cinzas

Hoje continuaremos o trabalho com os mitos a partir do mito grego de Fênix, a ave que renasce das próprias cinzas. Fênix era uma ave bastante diferente das aves comuns. Primeiro porque enquanto a maioria dos pássaros vive apenas alguns anos, a Fênix podia viver por 500 anos em cada um de seus ciclos de vida. Ao contrário de boa parte das aves conhecidas, Fênix não se alimentava de grãos, nem de frutinhas silvestres e menos ainda de bichinhos e insetos. Não... Fênix era especial, comia apenas incensos e raízes perfumadas. E apesar de ser pouco maior que uma águia, Fênix era muito forte. Contam os escritos deixados por poetas gregos como Ovídio, que Fênix tinha força suficiente para carregar elefantes em suas asas! Entretanto, a maior diferença entre a Fênix e os outros pássaros era a forma como nascia ou morria. A cada ciclo de vida, quando a Fênix estava próxima dos 500 anos, a ave juntava muitos ramos perfumados e construía um ninho no alto de um carvalho, árvore considerada sagrada entre muitos povos. No momento da morte, a Fênix simplesmente queimava! Ardendo em chamas espontaneamente, até que tudo o que restasse de seu corpo e de suas lindas penas douradas não passasse de cinzas. Muita coisa se falava sobre as cinzas da Fênix. De acordo com os povos antigos, elas seriam tão poderosas que poderiam até mesmo fazer um morto voltar a vida. Então, após certo tempo da ave se reduzir a cinzas, uma nova ave nascia a partir das cinzas deixadas pela antiga. Uma ave jovem e forte, com 500 anos de vida pela frente, com as penas douradas mais brilhantes e viçosas. Ela se alimentava dos restos de cinzas e dos ramos perfumados do ninho e, quando estava crescida o suficiente, partia e alçava novos vôos.

Imagem extraída do Bestiário de Aberdeen, catálogo de seres reais
e imaginários manuscrito na Inglaterra por volta de 1200.
Uma coisa interessante: mitos sobre aves que ressurgem das cinzas existem entre diversos povos, como os antigos gregos, os assírios, os persas, os egípcios e os chineses. E, em todos esses casos, o mito tem significado de renascimento, esperança, continuidade e eternidade. Quando estudamos a mitologia de diversos povos, logo encontramos mitos semelhantes. Ou temas bem parecidos. Isso acontece porque o mito é uma forma de explicar a realidade, seja o mundo em que vivemos seja nossa própria realidade interna: angústias e emoções tipicamente humanas.

O mito da Fênix aborda a questão da nossa necessidade (ou do desejo?) de imortalidade. Ou melhor, de continuidade. A nova Fênix, ressurgida das cinzas da ave anterior, seria a mesma de antes? E, se for, como poderia um ser dar a vida a si mesmo? Independente das respostas para essas questões, se é que há alguma, o ser humano costuma se acalmar e sentir certo bem estar ao olhar para o futuro e ver algum tipo de continuidade. Porque nos dá esperança. Porque nos faz sentir que nossos feitos não serão esquecidos e nos dá a certeza de que nossos esforços não foram em vão. Porque mostra que a vida não termina, uma vez que ela está inserida num todo.

Finalizando por hoje, deixo algumas questões para reflexão:
1- O leito de morte da velha Fênix e o ninho da nova ave são a mesma coisa. Quando tudo parece perdido, sempre resta uma esperança. Há algo quase morto em sua vida que poderia renascer de uma forma mais jovial e mais forte?
2- E se tudo der errado? Tal como a Fênix que arde em chamas até a morte, qual a pior coisa que poderia te acontecer? E aí, o que restaria, como seriam as coisas? Se isso acontecesse, haveria alguma esperança?
3- Não há novo começo enquanto existir os antigos modos. Quais antigas formas de pensar, de agir ou de perceber (o mundo e a si mesmo) poderiam ser sacrificadas para abrir espaço para formas mais leves e harmoniosas? Você sente que tem algum tipo de resistência em deixar o antigo ciclo terminar para que um novo se inicie? Por que?

6 comentários:

  1. É uma estória bem interessante. Já ouvi e li de várias formas, mas a essência é única: O fim e o reinício.

    www.cchamun.blogspot.com.br
    Histórias, estórias e outras polêmicas

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    1. Que legal que você gostou, Cláudio. Acho que mitos como o da Fênix nos ajudam a encarar os fins e reinícios de forma mais suave.
      abraço

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    1. Oba!!! Muito obrigada, fico feliz que você tenha gostado.
      Abraço

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  3. ola bia, Acho que muito mais do que a própria Fenix, o nosso coração tem a capacidade de se reciclar e as vezes com uma velocidade incrível.
    Já passei por isso e sei que até me espantei com a velocidade que me vi recuperado e pronto para a próxima. E acho que mesmo fora da área emocional, ele nos dá aulas de ressurgimento.

    Um abraço

    http://blogdoditamakarov.blogspot.com.br/
    seguindo vc :)

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    1. Com certeza, viver é formar-se e transformar-se, e com isso construir a si mesmo, apreciando nosso caminho.
      Muito obrigada. abraço

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