quinta-feira, 25 de abril de 2013

O que você faz de bom para si?

"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe." - Oscar Wilde, escritor irlandês (1854 - 1900)

Qual a diferença entre um dia bom e um dia mais ou menos? Entre uma vida feliz e uma vida que não é ruim, mas também não é satisfatória? O texto de hoje vem falar sobre duas situações diferentes, mas que são mais semelhantes do que se poderia pensar. De um lado, temos o grupo de pessoas que reclamam o tempo todo: do chefe, do comportamento dos filhos, do companheiro/a, dos governantes, da sociedade e até do tempo. Do outro, temos um grupo de pessoas que pensam que é injusto reclamar da vida... Pode não estar maravilhosa, mas também não é ruim... Mesmo que o trabalho não seja tão estimulante e o salário não seja lá essas coisas... ou que a saúde pudesse estar melhor com alguns quilos a menos, uma alimentação mais equilibrada e algumas caminhadas... ou que não sobre tempinho algum para ficar com a família e sair com os amigos, pelo menos estamos vivos...

Para os dois grupos, que parecem tão diferentes, fica a mesma pergunta: o que estamos fazendo aqui, vivendo ou sobrevivendo? Tudo bem, conheço aquela história de ver o copo meio cheio ou meio vazio, acho até saudável focar no lado bom das situações. Mas existe uma grande diferença entre otimismo e conformismo! Não adianta nada apenas sobreviver e reprimir as queixas com "ah, meu trabalho é chato mas pelo menos tenho um trabalho!" Porque quando ouvimos isso, mesmo que a gente mesmo tenha dito ou pensado, já vem aquela ideia de conformismo, aquele sentimento de que as coisas nunca serão melhores, independente dos nossos esforços ou das mudanças ao nosso redor. E isso não é verdade.

Quando somos pequenos, outras pessoas cuidam no nosso bem estar.
Conforme crescemos, precisamos conhecer nossas necessidades e desejos,
só assim assumiremos a responsabilidade por nós mesmos, indo em direção ao que faz sentido para nós.
Felicidade dá trabalho. Ter uma família bonita, um trabalho interessante, um dia a dia com o nosso jeito, dá muito trabalho. Primeiro um trabalho interno, convencendo a nós mesmos de que podemos sim ter uma vida que nos deixe satisfeitos. Por que se contentar em almoçar um sanduíche na maior correria se podemos nos organizar para almoçar com calma? É justo com a gente mesmo apenas sobreviver do jeito que dá quando o "viver" está nas nossas próprias mãos? Depois, isso dá trabalho porque uma vida feliz não cai do céu nem aparece pela magia da fada madrinha se a gente não der uma ajuda para a sorte, com planejamentos, objetivos claros e, é claro, trabalhando para isso.

Nos dois grupos de pessoas que mencionei no início do artigo, os "reclamões" e os "conformistas", percebo o mesmo fator: em algum momento da vida aprenderam que não são eles os responsáveis pelo próprio bem estar. E isso pode sim ser mudado. Quando somos bem pequenos, nossos pais ou cuidadores zelam pelo nosso bem estar físico e emocional. Entretanto, quanto mais crescemos, mais a responsabilidade de cuidar do nosso bem estar passa a ser nossa. E algumas pessoas não aceitam isso, seja por terem dificuldade de entrar em contato consigo mesma e perceber as próprias necessidades e desejos, o que gosta e o que não gosta; seja por transferir a responsabilidade de suas escolhas aos outros (por medo, insegurança ou simplesmente por não saber lidar com elas); seja por resistir ao desenvolvimento, aquela pessoa que "não cresce" na esperança de ter os outros sempre lá para mimá-la. Algumas pessoas, ainda, têm medo ou até vergonha de conseguirem uma vida que lhes deixe satisfeitas. Não quero ficar me aparecendo, o que os outros vão pensar? Não sei. Mas sei e repito o que já disse outras vezes: todos têm direito a ter uma opinião sobre tudo, inclusive sobre a forma como você ou eu escolhemos levar as nossas vidas. E o que os outros acham de nós não é problema nosso! 

É muito comum tentar suprir as insatisfações da vida
com pequenos prazeres. Precisamos ter clareza de que
a satisfação só vem com a ação (nossa ação!), não com
"analgésicos" de todo tipo.
Somos nós as personagens principais da nossa história. Ah, e somos ainda a pessoa que escreveu a história e também o diretor do filme! Por isso, continua a dúvida: o que você faz de bom para si? É preciso ter clareza do que exatamente estamos buscando, pois só assim poderemos tomar um caminho que vá em direção a isso. Quando não sabemos o que exatamente buscamos, corremos riscos maiores do que viver insatisfeito, por exemplo, o risco de se perder pelo caminho. A insatisfação, seja  percebida de forma racional ou emocional, nos leva a buscar formas de satisfação. Acontece que se não sabemos o que nos deixará felizes/satisfeitos, passamos a buscar momentos passageiros de felicidade, colecionando sensações, relações, objetos, dívidas, quilos a mais, sintomas ou o que for, que nunca irão nos satisfazer de verdade, pois não é o que buscamos e valorizamos. Esse processo é ruim, pois dificulta a tomada de consciência de que algo não vai bem, como se os pequenos prazeres buscados fossem analgésicos que não tratam, apenas escondem o problema que está por trás. Claro que abrir mão disso e perceber que está insatisfeito com a própria vida dói. Mas é a partir dessa dor que podemos buscar formas de mudar para melhor.

Algumas dicas práticas para lidar com a insatisfação:
- Ter coragem de fazer escolhas. Sei que muitas vezes é difícil, mas as pessoas que sentem maior dificuldade podem começar como começam as crianças, com pequenas escolhas: a roupa que vai usar, o programa do fim de semana, um livro para ler ou o filme que vai assistir... Com o tempo nossa mente generaliza a confiança que vamos adquirindo para escolhas mais sérias que temos que fazer na vida.
- Medo de crescer? As pessoas só mudam quando aquilo que vem pela frente é muito mais estimulante do que aquele mundinho seguro e conhecido (mas que não serve mais). Que tal colocar mais estímulos na vida? Ouse! Não tenha medo de ser você e saiba que apenas quando assumimos a responsabilidade por nós mesmos é que surge o potencial da realização.
- Reserve um tempinho para a arte. Arte é transgressão  pois é uma forma de ver a realidade e moldá-la da maneira que quisermos. Vale tudo: desenhar, pintar, modelar argila, escrever, tocar um instrumento... E dar asas a todos esses sonhos que existem dentro de cada um de nós!
- Comentei que quando somos crianças outras pessoas cuidam do nosso bem estar. Quando crescemos, chega o momento do próprio sujeito fazer algo por si. Não abandone a criança que existe dentro de você. Se possível, separe algumas fotos de quando você era criança e deixe-as em lugares que você veja com frequência. Ah, mas precisa ser aquelas fotos especiais, em que você estava feliz mesmo! Todos os dias faça uma coisa que deixe sua criança interior feliz e lembre-se que as melhores coisas são de graça. Vale dar uma volta no seu horário de almoço, conversar com o amigo que você não vê há tempos, tomar banho de chuva... O que a imaginação mandar.

Por fim, proponho uma troca: ao invés de viver evitando aborrecimentos, levar a vida de forma a colecionar nossos próprios sorrisos sinceros. Eles são o termômetro ideal para dizer se estamos no caminho certo.

2 comentários:

  1. Nossa mto bom para eu fazer o meu trabalho de histórihistória. ♡♥♡♥♡♥

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