sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ágora - Armas de brinquedo e brincadeiras agressivas

Ótima sexta feira a todos! Como comentei esta semana, hoje começamos a nova coluna Ágora, em comemoração aos 4 mil acessos ao blog, com perguntas dos leitores. Para quem não sabe, Ágora era o espaço onde os antigos gregos se reuniam para discutir sobre política e tomar decisões, daí o nome para a nova coluna, que será publicada toda sexta feira. Hoje teremos a pergunta da Heloisa, do Rio de Janeiro.

Oi Bia!! Gosto muito de ler o seu blog principalmente quando você escreve sobre sonhos e autoconhecimento. A pergunta que eu tenho é sobre o meu filho. Ele tem 5 anos e é um amor de criança, é muito carinhoso comigo e com o pai dele e conversa com todo mundo. Na escola é tudo normal ele gosta bastante de ir e tem muitos amiguinhos, nunca tive reclamação de professora. Mas de um ano pra cá ele começou com brincadeiras agressivas. Não compro brinquedos de armas porque não acho bom, mas ele pega outros brinquedos e finge que é uma arma e isso me preocupa muito porque moramos num bairro muito violento. O que você acha? 
Obrigada. beijos
Heloisa - Rio de Janeiro

Olá, Heloisa! Fico feliz que você esteja gostando do blog.
Brincadeiras agressivas são muito comuns entre crianças, sem que isso signifique algum tipo de problema, muito pelo contrário. Nas brincadeiras as crianças aprendem a lidar com o mundo dos adultos, em especial situações cotidianas e afetos. Existe agressividade no nosso mundo, não tem como negar isso. Ela existe no dia a dia de cada um de nós, mesmo que a gente viva no lugar mais tranquilo do mundo, ela está lá sem que a gente nem perceba. Quando nos alimentamos, por exemplo, e mastigamos a comida, destruindo-a, partindo-a em pedacinhos bem pequenininhos... isso também não é agressividade? Sem certa dose de agressividade, não sobrevivemos! Ter brincadeiras agressivas não quer dizer que a criança seja agressiva. Porque como você mesma disse, nos momentos que não são de brincadeira, seu filho é uma criança amorosa e tem bom relacionamento com os amiguinhos, família, professora... Quando a agressividade da criança está num nível que já não é saudável, ela não se limita apenas às brincadeiras, se reflete nas relações, tanto na escola quanto e em casa. Essas brincadeiras de forma alguma significam que seu filho não será um adulto legal, do mesmo jeito que brincar de escolinha, de ônibus ou de médico não significa que a criança seguirá esse tipo de profissão. São apenas o que se mostram ser: brincadeiras, uma forma que a criança usa para entender a realidade. Veja que alguns adultos gostam de filmes de ação ou de guerra e não são pessoas mentalmente desequilibradas por conta disso, basta separar o que é "brincadeira" e o que é "realidade". Agora, se a agressividade sair do campo da brincadeira e começar a atrapalhar a vida e o desenvolvimento da criança, é hora de procurar um psicólogo. A melhor forma de garantir que uma criança se torne um adulto equilibrado é dar-lhe atenção e amor, ocupar-se com a criança agora para que não seja preciso preocupar-se no futuro.
beijo,
Bia F. Carunchio


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2 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigada, Claudio! O mais importante é diferenciar a brincadeira da realidade.

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