sexta-feira, 24 de maio de 2013

Ágora - Conflitos entre adolescentes e pais

Oi Bia! Não deixa aparecer meu nome tá? Pode me chamar só de Cah. Sou garota e tenho 13 anos. Tenho um problema e não sei pra quem mais eu pergunto, sou tímida e tenho poucos amigos e eles não sabem me responder. É que minha mãe só briga comigo. Sério, tudo o que eu faço ou não faço ela fica arrumando um jeito de implicar. Ela me trata feito criança e isso me deixa com muita raiva!!!!!!! Gosto dela e quando eu era mais nova a gente não discutia tanto. Quando a gente discute eu fico muito triste mesmo. Não sei se porque eu não conheci meu pai e não tenho irmãos que ela briga tanto, sempre moramos só nós duas lá em casa e acho que sobrou tudo pra mim a atenção e tambem as brigas. Eu tento não ficar em casa pra ela não me ver tanto e aí não brigar, tipo eu vou pra casa da minha amiga e a gente passa a tarde la depois da escola. Mas quando volto ela briga mesmo assim. Ela não vê que já cresci e quero fazer as coisas do meu jeito. Sabe, não uso drogas nem bebo nem nada dessas coisas, gosto da escola e tudo, não é esse tipo de coisa ta? Mas é que eu queria que ela me visse como uma mulher nao uma menininha pequena. Como eu faço pra minha mãe parar de brigar comigo e me ver do tamanho que sou? Não põe meu nome que minha mãe tambem le teu blog, põe Cah! bjks

Oi Cah!
Sei bem como é difícil ter 13 anos. Começo da adolescência, época de tantas mudanças... Crescer é difícil. Não só para quem está crescendo, mas também para os adultos que precisam acompanhar essas mudanças e nem sempre sabem como fazer isso. Muitos adolescentes ficam inseguros com as novas situações. E muitos adultos também ficam quando percebem que o jeito como sempre trataram os filhos não dá certo mais. Pelo que você diz, você ama sua mãe e quer resolver as coisas entre vocês duas. Uma boa conversa, com sinceridade e respeito, pode ajudar muito, ou pelo menos ser um bom começo. Também é interessante fazer coisas junto com a sua mãe, assim vocês se aproximam e descobrem novos jeitos de chegar a um acordo que não seja brigando. Pode ser qualquer coisa que as duas gostem, cozinhar juntas, pintar as unhas, caminhar... O importante é colocar para sua mãe esses sentimentos. Se ela briga, é porque de alguma forma se preocupa com você, porque te ama e talvez não conheça outro jeito de te dizer que se preocupa. Sei que quando a gente fica adolescente sente que já está pronta para a vida e para um monte de coisas. E em algumas coisas está pronta mesmo. Mas fica aquele espaço vazio entre o nosso sentimento de ser uma mulher quase adulta que está pronta para tudo e o reconhecimento dos adultos. Infelizmente o mundo só nos reconhece como mulheres adultas dos 18 anos para frente. Até lá nossas famílias é quem tomam as decisões importantes que a gente gostaria tanto de tomar. E isso é muito chato! Dói ver a nossa vida nas mãos de outras pessoas que fazem escolhas por nós, algumas vezes tão diferentes das que a gente faria. Você não é uma menininha pequena e sabe disso, ponto para você. Mas, sinto muito mas preciso dizer, você não é uma mulher ainda, mesmo que talvez já tenha corpo de mulher. Porque crescer não é só mudar de tamanho, usar salto alto e maquiagem, é mudar de pensamento e de emoções, mudar de atitude. E isso acontece aos pouquinhos. A solução? Mudar de comportamento. Procurar sempre tomar as atitudes de um jeito responsável, isto é, pensando nas consequências que eles podem ter e em como você e as pessoas envolvidas lidariam com essas possíveis consequências (eu sei, nem sempre é fácil). A ideia é mostrar aos adultos que você sabe pensar na lógica deles. Tipo seguindo os combinados (veja que um combinado não é uma ordem por parte da sua mãe, mas algo que foi discutido com maturidade até que se chegasse a um acordo entre vocês). Experimente. Coloque suas ideias com calma e clareza e siga o que vocês decidirem juntas. Com certeza sua mãe vai passar a te perceber de outro jeito. Se o combinado entre você e sua mãe era, por exemplo, voltar da casa da amiga às 6 horas da tarde, esteja em casa nesse horário. E aí os adultos começam, aos poucos, a ser menos rígidos. Ela sempre volta às 6, passaram só 10 minutos, ela deve estar chegando, não preciso brigar com ela porque algumas vezes todo mundo se atrasa, sei que isso não é rotina. Isso não quer dizer que uma vez conquistada a confiança você pode deitar e rolar, não é nada disso! Confiança é assim, do mesmo jeito que se conquista, se perde. Quero dizer que conforme nos mostramos responsáveis por nós mesmos, os adultos começam a entender que somos capazes de tomar conta de nós e que eles não precisam nos tratar como criancinhas, ficam menos rígidos e mais abertos à conhecer nossa forma de fazer as coisas porque se sentem tranquilos quanto à nossa capacidade de fazer escolhas acertadas e lidar com as consequências. O único jeito de ter liberdade é assumindo as responsabilidades pelas nossas escolhas e pela nossa vida, dentro do possível e do coerente com a sua idade. Ah, achei linda a sua pergunta!
beijo,
Bia

PS - Sua mãe te ama, mesmo que seja dura com você. Na próxima discussão, lembre isso a ela com um abraço gostoso, daqueles bem apertados. No mínimo a conversa vai ficar mais tranquila.


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3 comentários:

  1. Excelente resposta. A diversidade vivida nesta fase da adolescência, merece um cuidado maior, tanto para os adolescentes, quanto para os pais.

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