terça-feira, 21 de maio de 2013

Mythos - Ísis: Recuperar as esperanças

Perder as esperanças é uma das piores coisas que pode acontecer a uma pessoa. A vida perde a cor e o calor. E os dias, em lugar de ser a jornada de um herói ou heroína em busca de algo melhor, de algo que faça sentido, se torna apenas um fardo, algo que a pessoa tolera ao invés de desfrutar. Precisamos das esperanças, pois elas são o que nos fazem caminhar para além deste tempo/espaço. Não uma esperança completamente fora de propósito, como alguns entendem, mas uma meta, algo que nos leve a uma busca, à nossa própria realização. Pensando um pouco sobre isso, vamos trabalhar com o mito egípcio de Ísis.

Ísis é uma das principais deusas do Antigo Egito. Representa o princípio feminino, a fertilidade e todo o poder de criar. Ísis era tão poderosa que seus poderes se estendiam pela terra, mar e submundo. Geralmente ela é representada com vestes pregueadas muito elaboradas e os cabelos penteados e adornados com o disco do sol e chifres de vaca (símbolo de fertilidade). Nas mãos, ela traz uma cruz chamada ankh, a chave da vida e da morte. De fato, Ísis era capaz de curar, adiar a morte e interferir nos destinos dos seres humanos.

De acordo com os mitos, Ísis era casada com seu irmão Osíris. Eles vieram viver na terra para ensinar aos seres humanos novas formas de viver (são deuses civilizadores). Ensinaram a linguagem escrita, a tecelagem, a agricultura e instituíram o casamento. Tudo isso pode parecer simples, mas perceba que, com esses ensinamentos, o ser humano foi capaz de viver fixo numa região ao invés de sair às cegas em busca de alimento, tecer roupas e construir objetos com o uso de tecidos, e ainda registrar sua história, seus conhecimentos, seu dia a dia, enfim, aculturar-se. Após algum tempo, Osíris partiu para outras terras, com o objetivo de ensinar outros povos, cabendo a Ísis a regência do reino. Acontece que Set, irmão do casal, ficou com inveja de tudo o que eles vinham construindo e, sobretudo, do que esperavam construir (note aqui a presença da esperança mesmo entre os deuses!). E foi por inveja que Set e sua esposa-irmã, Neftis, mataram Osíris.

Há duas versões para a forma como se deu a morte de Osíris. Na primeira, Neftis, deusa das regiões úmidas, assumiu a forma de Ísis e seduziu Osíris. Quando ele estava em sua cama, matou-o. Na segunda versão, Set encomendou uma caixa mágica a Neftis e convidou todos os deuses para uma festa, quando anunciou que a caixa seria um presente a quem coubesse nela perfeitamente. Muitos tentaram, mas apenas Osíris se encaixava com perfeição. Tão logo ele se deitou, quando estava sozinho com o irmão, Set fechou a caixa e a lançou ao Rio Nilo.

O fato é: Osíris foi morto devido à inveja que suas conquistas e metas causavam em Set. Ísis, por sua vez, ficou muito triste e desesperada com a perda do amado. Ele era muito mais que um marido, era um companheiro de sonhos. Ísis perdeu a esperança. Os desertos de Set avançavam sobre os campos férteis de Ísis e o povo egípcio experimentou situações difíceis como a fome e, com ela, a violência, pois o povo começou a brigar pela comida que restava, roubando e matando. O desespero e a desesperança eram tamanhos que o povo invejava os mortos. 

Ainda em desespero, Ísis perambulava pela terra até que chegou à Fenícia. Lá a rainha Astarte teve pena da mulher e a acolheu. Ísis passou a ser ama do filho bebê da rainha. Com o tempo, afeiçoou-se ao garotinho,  decidindo fazer um ritual para torná-lo imortal. Mas Astarte chegou durante o processo, que envolvia colocar o bebê no fogo sagrado (em muitas culturas o fogo é símbolo de intensa transformação). Horrorizada, a mãe retirou o filho do fogo antes que o ritual terminasse, interrompendo a magia de Ísis. A deusa, então, contou à rainha quem ela realmente era e sua situação. Astarte disse a Ísis que sabia onde estava o corpo de Osíris: abaixo da árvore que ficava no centro do palácio. Mas Set descobriu e, antes que Ísis pudesse revivê-lo, cortou o corpo em pedaços e os espalhou pelo Nilo novamente. Ísis não podia acreditar! Como ter esperança num momento desses? Depois de muito chorar, Ísis percebeu que a única maneira de superar aquela situação era começar sua busca outra vez. Seria mais difícil, mas não impossível. Ela percorreu o Nilo e juntou os pedaços do corpo de Osíris. Ela reuniu 13 pedaços mas, para que ficasse completo, faltava o pênis. Ela procurou por todo o Nilo, pelas águas e pelas margens, mas não o encontrou. Para solucionar o problema, Ísis moldou um novo pênis em ouro e colou no corpo do marido. Quando Osíris estava outra vez completo, Ísis criou o processo de embalsamamento e, com isso, seu amado voltou a viver.

Ísis e Osíris puderam retomar suas vidas, tiveram um filho, Hórus. Isso atiçou novamente a inveja de Set, que por diversas vezes tentou matar o sobrinho (e chegou a conseguir, mas Ísis reviveu o menino). Após derrotar Set, Hórus se tornou o primeiro rei dos vivos do Egito. Passou a ser visto como o patrono do faraó reinante e guardião do Egito e de seu povo.

Questões para reflexão:
1- Lembre-se em quais períodos da sua vida você experimentou a falta de esperança de forma mais intensa. O que acontecia em sua realidade para desencadear esse sentimento? Como você lidou com a situação e com o que sentia? Se a mesma situação acontecesse hoje em dia, você sentiria desesperança com a mesma intensidade? Por que?
2- Nos momentos de tristeza e ansiedade, como essas emoções se manifestam no seu corpo?
3- Durante momentos de dor, assumimos comportamentos e posturas (físicas, emocionais ou mesmo perante à vida) diferentes da que estávamos acostumados. Veja quando temos uma dor nas costas, por exemplo, e passamos a andar curvados para sentir menos dor. Com as dores emocionais não é diferente. Quais posturas e comportamentos você assumiu nos momentos de dor e desesperança? Algum desses hábitos continuou mesmo após o período complicado passar? Que novos hábitos você poderia colocar em prática para superar os antigos?
4- O que você tem mais medo de perder?
5- Hora de recuperar a esperança! Quais hábitos, ideias, emoções, lembranças e planos te fazem sentir esperança (em si mesmo, na vida, no futuro)? Faça uma representação disso. Pode ser um desenho, pintura, algumas frases de efeito... Agora coloque sua produção em algum lugar que você veja com frequência. Pode prender na porta da geladeira, no espelho, na parede do quarto, fazer um quadro (por que não?) ou como você preferir. O importante é olhar para isso com frequência e entrar nesse estado emocional de esperança, de que a vida flui e de que caminhamos rumo a tempos mais felizes.

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