quinta-feira, 13 de junho de 2013

Relacionamentos dançados

"A arte de viver é simplesmente a arte de conviver... Simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!" - Mário Quintana, escritor brasileiro (1906 - 1994)

Hoje vamos conversar sobre relacionamentos. É incrível encontrar uma pessoa que combina com a gente. Tão incrível, que existem pessoas que pensam ser impossível. Não falo de príncipes encantados ou princesas, porque não existem pessoas perfeitas... Também não falo de uma pessoa que fica "presa" a nós fazendo todas as nossas vontades, porque isso seria uma pessoa sem vida. Falo, porém, de pessoas que tenham sonhos, metas e valores compatíveis com os nossos. Veja bem que não precisam ser os mesmos sonhos (que chato tudo tão arrumadinho!). Mas compatibilidade é algo a se pensar...


O problema começa quando isso não acontece. Aliás, se isso não acontece, não vejo necessariamente como um problema. Pessoas podem ser completamente diferentes e viverem muito bem juntas, desde que sejam maduras o bastante para compreender que nossos sonhos nem sempre são os mesmos que os do outro. E compreender ainda que, além de diferente, não são compatíveis. Podem viver muito bem desde que exista respeito e consideração pelo outro. Certa vez conheci um ex casal que terminou um namoro recente porque ele tinha o costume de orar antes das refeições... e ela não conseguia manter a expressão séria no rosto durante as ocasiões. Ela não respeitava a religiosidade dele? Ele não compreendia, por mais que a moça argumentasse, que o sorriso não era pelo fato dele ser religioso, mas sim pela situação pouco usual de ter alguém orando em frente a uma porção de batatinhas num barzinho agitado de São Paulo? Estilos de vida muito diferentes? Ou será que apenas falta de tolerância de uma das partes ou de ambas? Claro que foi um exemplo muito simples, mas ilustra bem essa diversidade da qual estamos falando.

Enquanto estamos sozinhos, só temos de olhar para nós mesmos. Só existe um corpo. Só existem as nossas próprias emoções. E só existe uma psique, e é apenas os desejos, medos, planos e anseios dela, da nossa mente, com os quais precisamos lidar. Aí surge um outro! E de repente, sem aviso nem planos, passamos a ter dois corpos, duas psiques e uma grande montanha de emoções, planos, desejos, medos e anseios demandando nossa atenção. E, pasme! O jeito como sempre cuidamos da nossa vida e das nossas emoções, sonhos e ideais pode não servir para lidar com esse outro! Difícil?

Eu diria que relacionamentos, sejam do tipo que forem, funcionam como um teatro: temos o papel que desempenhamos naquele momento... e tem o outro, com sua própria máscara, que pode ou não combinar com a nossa. Cada um com sua história. E de repente esses dois resolvem interagir! Ora, dentro de um relacionamento, só tem sentido existir um "oprimido", uma vítima (no popular, falamos aqui do "coitado") se existir alguém que desempenhe o papel/função de opressor/mandão/pessoa que deita e rola! Só existe a pessoa que quer fazer dar certo, se o outro tiver esse objetivo também, independente das máscaras que usem. Que papeis você tende a representar nos seus relacionamentos? Isso é uma boa chave para compreende-los melhor, seja para identificar as falhas, estilos de pessoas que poderiam complementar bem o seu papel, ou mesmo para ter consciência de que tipo de relacionamento você tanto busca...

Também é interessante pensar o relacionamento como uma dança. Tenho um amigo, já mais velho, que costuma dizer que hoje em dia é fácil dançar. Você vai até a multidão na pista de dança, de preferência bem no centro da bagunça, se permite ser chacoalhado pelos movimentos da massa enlouquecida e os jogos de luzes das casas noturnas fazem o resto. Geralmente o comentário arranca risadas de todos. Bem, mas se pensarmos em relacionamentos, não é desta dança que falo. Porque não existe relacionamento se estivermos dançando sozinhos... Pense na valsa. A valsa é uma dança que se dança em pares. Acho que muitos dos leitores já dançaram valsa em festas de 15 anos, ou formaturas, ou casamentos, ou seja onde for. Para a dança ser harmoniosa, os movimentos do par precisa estar em sintonia. Um não pode competir com o outro, precisam cooperar para que a dança seja fluida e pareça natural, como se os corpos dançassem por vontade própria, sem exitar e sem receios ou afobações. Aliás, não basta a harmonia entre o par, é preciso estar atento aos arredores, sobretudo à música. A dança harmoniosa, ou a relação agradável, só são conseguidas com cooperação, que implica em respeito, consideração e metas/sonhos compatíveis. Ou, no mínimo, numa boa visão de si e do outro com clareza, respeito e consideração. Senão somos apenas mais um na multidão, à mercê dos movimentos da massa enlouquecida e dos jogos de luzes de uma triste realidade.

5 comentários:

  1. Gostei muito! Vou colocar o link em uma publicação antiga minha... rs Como "uma visão profissional". ;)

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  2. Ah, está em "Alguns acontecimentos que me fazem pensar..."

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    1. Que legal que gostou!! E muito obrigada... :)

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    1. Muito obrigada, Luis! Legal te ver por aqui. bjs

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