quinta-feira, 18 de julho de 2013

Aproveitar a vida é expressar gratidão

"De nada vale possuir uma coisa sem desfrutá-la." - Esopo, escritor da Grécia Antiga (620 a.C. - 564 a.C.)

Acredito que todos aqui já repararam em como o "conseguir" é valorizado no mundo de hoje. Conseguir um emprego melhor, uma promoção, conseguir um namorado(a), conseguir melhorar em alguma habilidade, conseguir fazer uma viagem, conseguir entrar na faculdade, conseguir comprar algo que queira... O que tudo isso tem em comum? Fácil! Todos esses desejos fazem parte de uma realidade cujo foco é acumular coisas e situações. Ah, Bia, mas qual o problema? Quem não gosta de conseguir algo que quer muito? Problema nenhum. Longe de mim achar que existe um problema aí, pois são as nossas buscas que nos movem na caminhada pela vida. O único problema que percebo é que existem pessoas cujo foco é apenas o conseguir, e nunca o desfrutar.

Pirâmide de Maslow.
Convido você a observar a imagem acima, da chamada Pirâmide de Maslow. Ela foi proposta por um psicólogo americano chamado Abraham Maslow (1908-1970), e tinha por objetivo criar uma hierarquia dos desejos e necessidades humanas. Assim, para Maslow só subimos para o próximo degrau da pirâmide depois de esgotar o anterior. Hoje em dia já não se usa essa teoria na psicologia, pois compreendemos que podemos estar realizados em algumas áreas da vida e em outras não, sem que exista uma hierarquia rígida por trás disso; afinal as pessoas, junto com seus desejos e necessidades, são diferentes umas das outras (mas esta teoria é bastante popular ainda no mundo empresarial, sobretudo na área de Controle de Qualidade Total e, em alguns casos, no setor de recursos humanos). Mesmo assim, eu gostaria que você observasse a figura com atenção. Gostaria de pensar nas diferenças entre necessidade, vontade e desejo. Minhas necessidades, como as suas, são sempre fisiológicas. Alimento, sono, água, respiração, excreção, sexo... enfim, o necessário é manter o corpo em funcionamento. A vontade é um anseio consciente, marcado pela nossa personalidade, história de vida e meio cultural. Se tenho fome, a necessidade é comida. Mas é a minha história, cultura e aspectos pessoais que me levam a ter fome de macarronada ao invés de comida oriental, por exemplo. Já o desejo pertence ao inconsciente, o que significa que dificilmente teremos consciência dele. E mais! O desejo pode até mesmo ir contra as nossas vontades conscientes! Um caso bastante comum é o da mulher que quer um companheiro, mas sempre se aproxima de homens abusivos, violentos ou destrutivos de alguma forma. Ou a pessoa que tem muita vontade de subir na carreira, mas sempre se sabota. O desejo (contra a vontade) está em ação. Como escapar disso? Trazendo os desejos para a consciência, pois assim é que podemos mudar. Afinal, ninguém pode mudar aquilo que não conhece. E para isso é preciso autoconhecimento e também reflexão acerca da nossa história, das nossas atitudes...

Mas voltando ao tema principal do artigo, fiz essa diferenciação entre necessidade, vontade e desejo porque sei que nossa tendência é pensar que as três palavras têm o mesmo significado e, como vimos, não têm. O foco da vida de boa parte das pessoas hoje é conseguir coisas. Conquistar, como diriam os antigos romanos. O problema começa quando aquilo que se almeja conquistar não partiu de nós. Muitas vezes vem dos outros, daquilo que eles nos levam a acreditar que seria melhor para nós. E, em muitos casos, "eles" são as campanhas publicitárias e o discurso vazio passado em alguns meios... É preciso sempre consultar o nosso mundo interior, pois só agimos com maior liberdade quando as nossas buscas e conquistas são, de fato, nossas.

Além das nossas conquistas, a vida nos dá muitos presentes, grandes e
mesmo nas pequenas coisas. Viver os bons momentos, apreciar as flores
e tomar um novo fôlego com a brisa da primavera também são formas de
demonstrar a nossa gratidão por estarmos aqui.
E a gratidão? A gratidão vem quando usufruímos aquilo que conquistamos. Se o foco for somente a conquista, não resta tempo para aproveitar o sucesso que tivemos. Tão logo conquistamos e já nos lançamos a outras buscas, que geralmente exigem ainda mais de nós do que as anteriores. O que foi conquistado se resume a um troféu na estante... e a gratidão? Como ser grata a algo que tenho/fiz mas ao mesmo tempo não fiz (apenas conquistei, não vivenciei)? É muito difícil. Sem a gratidão, a vida se torna vazia de sentido. É apenas uma corrida desenfreada quando ela pode ser um lindo passeio.

Aproveitar nosso sucesso, e mesmo os "presentes" que a vida nos dá, nos leva a sentir gratidão. Sim, a vida nos dá presentes. Conquistas que não são exatamente nossas, mas que transformam nossa vida para melhor... Ou mesmo os acasos felizes, as pessoas especiais que entram na nossa vida, as ideias maravilhosas que surgem num momento de sossego... Quando nos permitimos vivenciar as conquistas ou os "presentes da vida", demonstramos gratidão. Como comentei em outro artigo (Gratidão, clique aqui para ver), agradecer significa "dar as boas vindas". E o melhor jeito de dar as boas vindas ao sucesso e aos bons momentos é vivê-los de verdade. Participar desses momentos felizes, se envolver e não apenas passar pelas situações como se a vida nem sequer fosse nossa... Quando falamos em buscas e conquistas, falamos em escolhas. E nossa escolha só é livre quando sabemos lidar com a responsabilidade e com as consequências que trazem para nossa vida. Quase sempre se pensa em lidar com as consequências ruins, resolver os problemas... Gente, sucesso também é a consequência de uma escolha que fizemos! Um desafio para esta semana: dar-se ao desfrute. Desfrute de suas conquistas e desfrute dos presentes que ganhou da vida. Faça a busca ter valido a pena. Isso é ser grato.

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