terça-feira, 23 de julho de 2013

Mythos - Sekhmet: Tenho raiva!

Hoje vamos conversar sobre um mito egípcio, da deusa Sekhmet, atendendo ao pedido de duas amigas queridas. Sekhmet significa "a poderosa" e muitas vezes é associada ao lado destrutivo do sol. Reparem que enquanto muitos povos cultuam o sol como o deus que permite que a vida floresça, para os egípcios o sol tem dois lados: o poderoso Rá, e a cruel Sekhmet. Isso mostra a importância de conhecer o meio em que um povo vivia ou vive ao se estudar seus mitos: num lugar mais frio e escuro, o sol é sempre uma bênção e um presente dos deuses. Na aridez do deserto, o sol pode machucar e até matar, castigando a todos sem piedade. Assim, Sekhmet representa a ira e punição de Rá (o sol). Algumas vezes, Sekhmet é mostrada também como o lado contrário da deusa Hathor (amor e fertilidade), nestes casos o foco da deusa é a ira, a violência e a justiça a todo custo.

The lion goddess Sekhmet, obra de Leon Dubois, 1823.
Ela é representada como uma mulher com cabeça de leão, coberta por um véu. A Sekhmet são atribuídas características como força e coragem, além de ser implacável. Sua missão é proteger o deus Rá e o faraó. Conta-se que certa vez Rá estava muito aborrecido com alguns seres humanos, que cometiam maldades gratuitas. Então, querendo proteger os bons, ele criou a deusa Sekhmet, para que punisse os maus. E assim ela fez. A deusa aniquilava as pessoas más. O plano de Rá deu tão certo que Sekhmet sentia, de fato, raiva dos maus, e no calor da raiva, tentava aplacar sua sede por sangue. O problema começou porque a sede não passava, e Sekhmet logo perdeu o controle no auge de sua raiva, passou a matar também as pessoas de bem e até mesmo crianças. Desesperada, a humanidade pediu ajuda a Rá, mas ele não podia parar a deusa, pois ninguém tinha controle sobre ela. Nem sempre se pode controlar a raiva, mesmo quando se é um deus. Rá não podia deixar a humanidade ser destruída. Ele precisava resolver a situação de alguma forma, e para isso precisava acalmar a sede de Sekhmet por sangue. Então ele criou uma nova bebida, que tinha a cor bem parecida com o sangue. Em outra versão, é a humanidade que, no auge do desespero, cria essa bebida, tentando enganar a deusa. De todo modo, deram à nova bebida o nome de "vinho" e fizeram com que a deusa se fartasse com ela. Quando ela adormeceu, Rá a recolheu e salvou a humanidade.

Uma coisa interessante é que Sekhmet também era vista como patrona dos médicos, pois é aquela que traz a cura para todos os males. Ela combate o mal, e isso indica que os egípcios viam as dores e doenças como uma das formas que o mal podia se manifestar contra alguém. Indica, ainda, que o mal era visto de forma relativa. A agressividade fora de controle pode sim destruir a humanidade... por outro lado, é preciso ter certo grau saudável de agressividade, que permita banir o que nos machuca e nos afeta de forma ruim (sintomas, relações e comportamentos destrutivos, etc.).


Questões para reflexão:

1- Sekhmet mostra ousadia e coragem frente a um desafio. Entretanto, ela se perde em meio a sua raiva e quase destrói toda a humanidade. Você se lembra de já ter passado por algo semelhante? Como você lida com sua raiva, de forma destrutiva ou construtiva, ou ainda negando-a e fingindo não sentir nada? É importante ter claro que tipo de situação costuma te levar a sentir raiva e quais costumam ser suas reações, pois só assim você poderá lidar com isso.

2- Sekhmet não conseguiu por em prática seus planos como gostaria, pois Rá (o lado "bom" e construtivo do sol) a impediu de destruir a humanidade como gostaria. E você? Como coloca seus planos e projetos (mais construtivos que destruir a humanidade, espero) em prática? Vai até o fim ou desiste e perde o interesse justamente quando ia colher os frutos? Parte para a ação ou espera que outras pessoas tomem atitudes no seu lugar?

3- Sekhmet traz a destruição, mas também traz a cura, é patrona dos médicos e das artes curativas. Isso nos mostra que o bem e o mal estão nas intenções e, sobretudo, na forma de perceber de cada um. Quais estratégias você usa para "destruir" aquilo que te faz mal (dores, sintomas, situações, relacionamentos abusivos...)? Não pense no sentido de vingança ou de maldade, mas sim de proteção, de saber colocar os seus próprios limites. Isso também é uma manifestação (muito saudável, por sinal) da nossa agressividade.

4- Para terminar, vou ensinar um exercício de respiração para a raiva. Talvez você não se lembre dele no calor da situação, eu sei. Mas é interessante fazê-lo mesmo depois que estiver um pouco mais tranquilo, pois a raiva pode sim continuar guardada e este é um jeito de deixá-la sair de forma não destrutiva. Chamo o exercício de "respiração do dragão", e costumo ensinar para as crianças por ser bem simples. Mas é claro que pode ser feito por pessoas de qualquer faixa de idade. Respire fundo pelo nariz contando até 4. Prenda o ar contando até 4. Solte o ar pela boca, mas imagine que no lugar do ar, o que sai é fogo, como se fosse um dragão! E, com o fogo, sinta sair a sua raiva e tudo o que te faz mal. Repita o exercício quantas vezes precisar (3 a 5 vezes costuma estar bem).

4 comentários:

  1. Nem preciso falar que:
    1 - Fiquei mega feliz haha'
    2 - Eu amei como vc trouxe isso para a realidade, como a deusa é tão benéfica quanto ""má"", ou seja, PRECISAMOS dos dois lados, controlados, claro.
    3 - Ahh.... esse exercício eu faço! Vivo no estado "saindo fogo pela boca" kkkkkkkkkkk

    Beijokas!
    Belo texto como sempre!

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    1. Valeu!!! :D
      hahaha Esse exercício parece simplesinho mas ajuda muito.
      beijos

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  2. nossa mt bom....eu sou mt nervosa e isso vai ajudar mt...òtima dica flor
    E ja estou seguindo se puder retribuir
    No meu blogger tem muito amor,romance,carinho
    Vocês não iram se arrepender Visitem
    http://contosdagarotameroko.blogspot.com

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    1. Oi Taty! Obrigada, que legal que gostou... :)
      Vou lá conhecer o seu blog sim.
      bjs

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