sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Ágora - Medo do amor

Oi Bia. Queria perguntar sobre relacionamentos e pode colocar na Ágora tá? É que estou ficando com um garoto já faz um tempo e gosto muito dele, muito mesmo, mas isso me assusta. Sei que ele gosta de mim também porque já me provou isso com palavras e com atitudes tambem, ele tem tudo a ver comigo, mas tenho medo de tudo mudar depois que a gente começar a namorar ou quando o relacionamento for ficando mais serio. Tenho muito medo de sofrer no final, tenho 19 anos mas nunca namorei ninguém e ele é o primeiro que me apaixono assim e foi com ele que perdi minha virgindade. Minha amiga disse que sou fraca porque me apaixonei e isso me deixa mal. Nem sei bem do que tenho medo, acho que dele ser ruim comigo e eu sofrer demais se tudo acabar mal. O que você acha? beijinhos
Carol - Vitória, ES


Oi Carol!

Acho, em primeiro lugar, que amar alguém é sempre uma felicidade. Principalmente quando a pessoa sente o mesmo por você e os dois são sinceros quanto aos seus sentimentos. Se posso dizer, não concordo nem um pouco com a sua amiga. Ao contrário, amar e se apaixonar não é uma fraqueza, no meu ponto de vista é uma das maiores jóias que a vida pode nos dar. E as jóias existem para serem apreciadas e desfrutadas.

É normal a gente se envolver mais e mais quando se apaixona por alguém, e sei que algumas vezes isso pode assustar. Vamos nos vendo cada vez mais intensamente no olhar do outro, e tem hora que parece até que deixamos de ser quem éramos e, juntos, nos tornamos um.

Sobre o medo de sofrer, eu sinto muito, mas não existem garantias de que tudo acabará bem. E isso não tem nada a ver com estar apaixonada ou com esta conversa ser sobre amor e relacionamentos, isto é sobre a vida. A vida é assim, chega com mil novidades e nenhuma garantia. A única forma de saber no que vai dar é vivendo, arriscando. Mas, acho que você concorda comigo, não tem como fazer um relacionamento dar certo se a gente já entrar nele acreditando que o outro vai nos fazer sofrer e que vamos nos machucar no fim. Porque essa crença faz a gente não se envolver com o relacionamento e, sem envolvimento, nada dá muito certo...

Claro que as coisas mudam um pouco quando você começa a namorar. O papel de amiga é diferente do de ficante, que é diferente do papel de namorada que, por sua vez, é diferente do papel de esposa. Um papel é um conjunto de comportamentos e atitudes que permeiam uma função social (a de namorada, por exemplo). Isso quer dizer que o que se espera de uma namorada não é o mesmo que se espera da ficante. O grau e a forma de envolvimento é outro. Claro que as pessoas são todas diferentes, por isso elas têm a liberdade de decidir como irão vivenciar esses papéis. Um namoro pode ser rígido e opressor ou, ao contrário, pode ser algo leve e libertador, depende apenas de como o casal decide vivenciar a relação. Se você diz que vocês têm tudo a ver e formam um casal de ficantes bem entrosados, provavelmente também serão um casal de namorados assim, pois existe a sinceridade ao colocar os sentimentos e o respeito pelo outro.

E se um dia terminar? Bom, a vida muda, muitas coisas podem acontecer, mas acredito que quando um relacionamento é vivido com sinceridade, o saldo final sempre é positivo. No mínimo ficam as lembranças do tempo gostoso que passaram juntos, a experiência e o crescimento que as relações equilibradas trazem. "Que seja eterno enquanto dure". Nas relações, como na vida, acredito que precisamos ter esperança. É a esperança que nos coloca em contato com o futuro, nos libertando do presente e do passado. Na vida, muita coisa pode acontecer, daqui a poucos minutos podemos nem estar vivos mais! Mas a esperança nos leva a acreditar que estaremos, nos leva até mesmo a fazer planos, a sonhar. Nesse sentido, viva as relações com esperança, pensando em tudo o que pode acontecer de bom. E, se sofrer (como eu disse, não há garantias), fica a experiência anterior e a reflexão. O crescimento ocorrerá da mesma maneira.

A única forma de nunca sofrer é não vivendo, não se permitindo passar por experiências. Mas aí, outra vez, isso também é uma experiência e pode sim nos fazer sofrer, por exemplo, com o sentimento de vazio, a insegurança, o medo, a aridez emocional, a desesperança... Não existem garantias na vida, Carol. Viver é um constante arriscar-se, um arriscar-se a construir a própria vida da forma que nos deixa feliz. Os relacionamentos são construídos todos os dias, na convivência, nas palavras e experiências que dividimos, por isso, está nas nossas mãos fazer com que os relacionamentos sejam agradáveis e felizes. Aproveite!

Felicidades para vocês!
beijo
Bia


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