quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Comprometa-se com você!

"A gente todos os dias arruma os cabelos, por que não o coração?" - Provérbio chinês

Fiquei em dúvida ao colocar o título deste artigo. Comprometa-se com você ou sua vida não tem pernas. De todo modo, hoje vamos conversar sobre a nossa realização, seja ela pessoal ou profissional. É normal ter planos e desejos na vida. Mesmo que não sejam lá tão claros, a maioria das pessoas sonha com algo, gostaria de fazer algo (seja um curso universitário, conseguir a promoção na empresa, mudar para uma casa maior ou saltar de paraquedas). Na clínica, quando nos deparamos com um paciente que esteja passando por um quadro depressivo, é fundamental verificar se ele tem planos, mesmo que não sejam planos "grandiosos" (por exemplo, observando se usa verbos no futuro ou se comenta sobre o que vai fazer mais tarde). Ter planos ou não é algo que marca um limite ao se pensar na gravidade de um quadro depressivo. Mas voltando para os planos, é fundamental tê-los, pois é nos planos e sonhos que encontramos o futuro, a esperança. E é isso o que nos faz continuar.

Comprometer-se consigo mesmo é entender que nós somos os únicos
responsáveis pela realização dos nossos planos e sonhos. É preciso caminhar!
Muitas vezes os planos são frustrados. Eventos fora do nosso controle podem acontecer, imprevistos existem. Mas de forma geral, na grande maioria das vezes nós mesmos somos os culpados dos nossos planos frustrados. A vida não anda, a vida está "de pernas para o ar", completamente bagunçada... Mas quem foi que bagunçou a vida? Quem é que não deixa que ela ande? A vida não tem pernas, somos nós que precisamos levá-la na direção em que gostaríamos que ela fosse; nós é que precisamos caminhar no sentido dos nossos sonhos. Isso pode soar bonito, mas essa caminhada nem sempre é assim tão simples. Na maior parte das vezes não é. Porque precisamos assumir responsabilidades. Responsabilidades sobre nossas atitudes e nossas escolhas. Mas principalmente, assumir a responsabilidade pela gente mesmo e pela nossa felicidade.

Quando assumimos uma responsabilidade, podemos dizer que nos comprometemos com algo. Assumimos as consequências (boas e ruins) das nossas escolhas. Por isso, apesar de o mais importante ser ter perspectivas de futuro, é interessante que esses planos sejam claros. Quando fazemos isso, transformamos um sonho numa meta, e isso quer dizer que o sonho passa a ter nossa própria permissão para se manifestar na realidade. Tornamos o sonho o mais claro possível, e conforme fazemos isso, um caminho começa a se delinear. Como se os passos surgissem. Quando pensamos em técnicas ou em pesquisa científica, chamamos esse caminho de "método". É o método que nos permite caminhar sabendo onde queremos chegar, contornando os obstáculos e superando os desafios que surgem na caminhada.

Algumas questões para ajudar a delinear as metas:
- Se sua meta não está clara para você, é interessante começar pensando sobre suas preferências. O que te faz sorrir? Quando sorrimos, nosso cérebro libera uma série de substâncias responsáveis pelo bem estar e manutenção da saúde.
- Se você já tem um sonho ou objetivo mais claro, procure questioná-lo. Do que você precisa e o que você já tem (recursos, conhecimentos, contatos, atitudes...)? Quais passos precisa seguir?
- Tenha sempre em mente que suas metas dependem apenas de você. Não adianta nada fazer planos incríveis e deixar toda a ação por conta de outras pessoas. Isso não funciona.
- Vá atras das metas menores que levarão à meta maior. Se, num exemplo simples, a meta é sair para tomar sorvete, é preciso se preparar, saber o endereço da sorveteria, chamar alguns amigos, decidir qual o caminho que vão fazer, se vão andando ou se vão tomar algum transporte... Olhar para a meta principal pode fazê-la parecer distante, quase inalcançável, mas quando seguimos as pequenas metas, é quase que esperado chegar onde queremos.
- Quais são suas intenções? O que exatamente você pretende? Este é seu foco. Seu compromisso é com você.

Uma vez que nos abrimos para as escolhas, quando ainda somos crianças, passa a ser impossível deixar de fazê-las, pois mesmo que a gente prefira que outros decidam por nós, foi escolha nossa retornar a essa posição mais passiva. Somos os únicos que podemos dizer o que queremos dizer através dos nossos lábios. Mesmo que outra pessoa dissesse por nós, a linha de pensamento seria outra, a entonação da voz, a conotação das palavras, tudo seria diferente. Os lábios seriam outros. Apenas nós podemos caminhar com as nossas pernas. Outra pessoa pode até querer nos seguir, mas não perceberá o caminho que trilhamos da mesma maneira que a gente. Mesmo que queiramos seguir alguém, ainda assim, percorrer o caminho da vida de outra pessoa foi uma escolha nossa e teve seus motivos. O comprometimento com a gente mesmo passa pelas responsabilidades por nós e pelas escolhas. Se a ideia é ter autonomia, não há como fugir do equilíbrio nem sempre fácil entre escolhas e consequências.

2 comentários:

  1. Eu precisava dessa bofetada UAHUAAHUAH
    Obrigada Bia!

    ResponderExcluir
  2. Huahuahuahuahaua!!!
    Tem horas que precisamos mesmo repensar para onde estamos indo...

    ResponderExcluir