terça-feira, 13 de agosto de 2013

Mythos - Hécate: atravessando as crises

Hoje vamos fazer uma homenagem a Hécate, deusa grega ligada aos caminhos, à magia, à lua negra, ao parto e às transformações, pois hoje, dia 13 de agosto, comemora-se o seu dia. A origem de Hécate é incerta. Alguns dizem que ela era filha de Nyx (a noite) e de Érebo (o Tártaro, a parte mais profunda da terra/do submundo). Outras versões dizem que Hécate é filha de Astéria (deusa das estrelas) e do titã Perses. Estudiosos de mitologias dos povos tendem a concordar que a Hácate grega é uma adaptação do arquétipo da deusa egípcia Heqit, o que ocorreu por volta de 600 a.C. A Heqit egípcia já era cultuada em 4000 a.C. como a protetora dos partos, pois era quem assistia ao parto diário do sol e ajudava no germinar das sementes. Hécate é uma divindade misteriosa não apenas por estar relacionada ao mundo dos mortos e à noite, mas também por suas origens incertas.


Conta-se que Hécate era seguida por cães negros e que era a deusa dos mortos, ou melhor, das aparições e fenômenos relacionados a eles. É a senhora dos mistérios da noite, da lua, dos sonhos e experiências psíquicas, do mundo dos mortos... Ela conduzia os espíritos dos mortos através dos caminhos que levavam ao outro mundo, por isso era muito cultuada em encruzilhadas, locais onde diferentes caminhos e destinos se encontram. Era uma das guardiãs do mundo dos mortos, por isso guardava também os mistérios do parto (vivenciado como uma intensa transformação, um rito de passagem), das curas e das magias. Hécate é a guardiã dos portais, portanto e, junto com eles, guarda os portais simbólicos: nossos caminhos de vida, as transformações, transições e passagens. E podemos acrescentar, mais do que isso, esta deusa é a guardiã do nosso inconsciente e das nossas escolhas.

Hécate é representada portando muitos símbolos, como a tocha (luz, iluminação, mas também o fogo transformador), a chave (abrir caminhos, portais, transitar entre diversos contextos), a foice (ceifar/colher a vida, a lâmina é ligada ao discernimento e à tomada de decisão, permite cortar vícios, hábitos ruins, inseguranças...), é acompanhada sempre por cães negros (acreditava-se que cães acompanhavam as almas dos mortos, a eles são atribuídos o dom de perceber os espíritos; o cão também é visto como símbolo do destino e como auxiliar em curas), serpentes também aparecem nas representações desta deusa (serpentes, antes de haverem sido associadas ao pênis e se tornarem símbolo fálico, eram associadas ao feminino pois trocam de pele da mesma forma que o útero se descama e "troca de pele" todos os meses, e isso também se relaciona às transformações).

Muitas vezes Hécate é representada em trios. Seja nas faces da lua (com Ártemis personificando a lua crescente, Selene a lua cheia e Hécate a lua negra), nos mistérios da terra e da fertilidade (com Perséfone e Deméter) ou mesmo quando é representada com três faces: a jovem, a mãe/mulher madura e a anciã. Personificando a anciã, Hécate é aquela que tem acumulada em si a sabedoria do passado e a visão do presente, e com eles é capaz de atingir a sabedoria e o discernimento necessários para caminhar com segurança rumo ao futuro.


Questões para reflexão:

1- A melhor forma de lidar com a escuridão que existe em cada um de nós, é conhecendo-a. Apenas conhecendo a nossa própria escuridão é que poderemos permitir que ela se manifeste de forma criativa e construtiva, e não de formas negativas (depressão, medos, inseguranças, pesadelos, dependências...). Um breve exercício: apague as luzes e sente-se um pouco no escuro. Permita-se ficar assim por algum tempo, permita-se enxergar através do véu da escuridão, perceba o que há escondido dentro de si mesmo. Cada aspecto da nossa sombra/escuridão traz em si uma chave. A raiva talvez ensine a colocar seus limites e dizer não. O medo talvez ensine a superação, o planejamento e a cautela. A tristeza talvez ensine a pensar bem as escolhas e a valorizar mais a alegria. O que há na sua escuridão? Quais chaves esses elementos trazem?

2- Em algumas tribos indígenas, o rito de passagem para tornar-se adulto inclui passar uma noite vendado na mata, e o jovem só pode tirar a venda quando nascer o primeiro raio de sol. Neste processo, ele enfrenta seus medos e inseguranças, lida com a escuridão de fora, mas também com a escuridão de dentro. Ao tirar a venda vê ao seu lado o pai, que passou a noite junto do filho sem que ele se desse conta. Isso nos ensina que nem sempre estamos sozinhos, podemos contar com o olhar dos outros que são significativos e queridos para nós.

3- Muitas das crises que enfrentamos na vida são causadas por nós mesmos, ou melhor, pela nossa postura e pelas nossas atitudes frente à realidade. Ao escolher os seus caminhos, você tende a agir de forma mais impulsiva ou faz algum tipo de planejamento? Pensar nas consequências é mais do que pensar apenas no que poderia acontecer, é como Hécate ensina: apropriar-se do seu passado e ter boa visão do presente para que o futuro flua com tranquilidade.

4- Crises são inevitáveis. Claro que planejar e partir para a ação traz alguma segurança. Mas ainda assim, alguns eventos fogem ao nosso controle, pois não dependem apenas de nós. Como você lida com o imprevisto? Lembre-se das grandes crises que você já atravessou. Querendo ou não, a crise é sempre um grande rito de passagem. O que mudou em você e na sua vida? Como você renasceu? Ou melhor, quem é a pessoa que renasceu?

3 comentários:

  1. Eu sempre achei que Perseu era quem lutou com os Titãs. Matou a Medusa e usou sua cabeça para derrotar outro e montou Pégassus.
    To errado? rss;

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    1. Você está certo, Claudio, eu é que digitei Perseu ao invés de Perses, que é o nome do titã casado com Asterias. Vou arrumar no texto, obrigada pelo toque! Bjs

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  2. :)
    Eu achava que minha memória estava falhando. rss
    Mas os nomes hein? São parecidos mesmo.
    Beijos.

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