terça-feira, 10 de setembro de 2013

Mythos - Hathor: purificar-se

Hoje vamos trabalhar com o mito egípcio da deusa Hathor. Ela é a deusa ligada ao amor, à paixão, aos afetos e prazeres, e a todo tipo de felicidade. Ela é também a deusa do parto e aquela que acolhe as almas após a morte. Estando ligada à felicidade, Hathor também rege a música e a dança, pois os egípcios viam ambas como expressão de felicidade e alegria. Ela era também a antiga deusa do sol, por isso tem duas faces: a Hathor amável, deusa do amor, dos prazeres e de tudo o que é belo; mas também a face destrutiva e fatal, como pode ser o sol do deserto. Depois que Rá passou a ser cultuado como sol, contam os mitos que este deus transformou Hathor numa cobra e a colocou na coroa do faraó. Outras vezes, Hathor é o olho de Rá. Muitas vezes a Hathor afetuosa é vista como a outra face de Sekhmet (para ler sobre esta deusa, clique aqui!).

Um mito que mostra a face colérica de Hathor conta que esta deusa certa vez se enfureceu com a humanidade, pois haviam deixado de cultuar os deuses. Resolveu, então, que puniria aqueles que não prestassem as devidas homenagens aos deuses. E matava essas pessoas, mas matar a levou a um tipo de êxtase e logo Hathor perdeu o controle e passou a matar qualquer pessoa viva que encontrasse. Muito depressa, Rá percebeu que precisava agir e foi se aconcelhar com Toth, deus ligado à cultura e à sabedoria. Ele sugeriu que Rá inundasse a Terra com cerveja. Assim foi feito. Logo, Hathor confundiu o líquido com sangue e bebeu até se embriagar e adormecer. Os seres humanos que restaram repovoaram a Terra. Rá, cansado de resolver as questões da humanidade se retirou e deixou Toth tomando conta da Terra. Foi uma escolha bastante acertada, pois Toth ensinou a humanidade a escrever, compor e, muito importante, a governar a si mesma.

Quanto a face amorosa desta deusa, nos deparamos com um mistério. Os mitos geralmente mostram apenas a face destrutiva de Hathor, e não se sabe ao certo por que os egípcios a associavam ao amor, aos prazeres e à felicidade. Provavelmente eles conheciam mitos que se perderam no tempo. Ou, podemos imaginar, viam o lado destrutivo de Hathor como um cuidado para com a parcela da humanidade que era devota aos deuses. De todo modo, os mitos de dilúvios estão presentes entre diversos povos. Na Bíblia, a passagem do dilúvio e da arca de Noé é bastante conhecida, mas há também um mito inca de dilúvio, mitos de diversos povos nativos americanos, asteca, grego, da Babilônia, e o dilúvio de cerveja dos egípcios. Em todos os casos, o dilúvio está associado, de uma forma ou de outra, a certo tipo de cuidado dos deuses para com seus devotos mais dedicados. Esses mitos trazem também a ideia de purificação, no sentido de banir todo o mal. Talvez, de algum jeito, a destruição e a morte também possam ser vistas com os olhos do amor.


Questões para reflexão:

1- No início comentamos que Hathor é a deusa da estética, da música e da dança, entre outros domínios, e que isso está relacionado à felicidade. Uma das características da estética, do belo (aos nossos próprios olhos) é nos trazer alegria. O que faz essa função estética para você? O que te agrada os olhos? E quanto ao olfato, quais perfumes te agradam e trazem boas recordações? E quanto a audição, quais sons ou músicas soam de forma bela para você? E o paladar, quais são os sabores que mais te agradam? Por fim, passemos para o tato. Que tipo de toques e texturas te agradam mais? Cerque-se sempre daquilo que você considera belo e agradável, em outras palavras, cerque-se de coisas que, para você, cumpre uma função estética. O "belo" nos coloca em contato com os momentos de felicidade, nos permite ver a vida com os olhos plenos de esperança e felicidade.

2- Como diversos deuses, Hathor tem duas faces, no caso, a amorosa e a destrutiva. Isso é bastante saudável. Quando ficamos presos a apenas um modo de ser, nossos recursos de enfrentamento dos desafios da vida se reduzem. A amorosa talvez não saiba lidar com desafios que a destrutiva lide bem, e vice versa. Quais são suas faces e quando cada uma delas aparece? Um ponto interessante: alguma das suas faces é usada para "encobrir" outra(s), como uma forma de proteção às faces ocultas?

3- Vamos pensar sobre a purificação. Purificar, no sentido de livrar-se daquilo que faz mal, requer alguns sacrifícios. Nos mitos, o sacrifício é literal, os "maus" são mortos. Na nossa vida prática, esses sacrifícios podem ser muito mais sutis. Convido o leitor a avaliar a própria vida. O que pode ser sacrificado para que a vida flua melhor e com mais felicidade? Lembre-se, você pode "sacrificar" comportamentos, relacionamentos abusivos/destrutivos, vícios, ideias limitadoras... Torne-se você.

2 comentários:

  1. Impressionante a quantidade de Deuses que exite nas mitologias por ai a fora.
    E todos interessantes e intrigantes.

    Histórias, estórias e outras polêmicas

    PS: A Juju mandou lembranças - rss;

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    1. É, adoro essa variedade de deuses, acho uma coisa super rica!
      PS - Um beijão pra Juju! rss

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