quinta-feira, 28 de novembro de 2013

14 sinais de que é hora de ir ao psicólogo

"Os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando os criamos." - Albert Einstein (1879-1955), físico alemão.

Muitas pessoas me perguntam como saber se é preciso procurar um psicólogo. Outras se assustam quando sugiro isso e algumas até mesmo deixam de falar comigo. Sou da opinião que todos deveriam, em algum momento da vida, consultar um psicólogo. Não porque precisem, mas porque merecem. Todos merecem a paz interior que o autoconhecimento e a reflexão podem trazer. Todos merecem sentir que estão bem consigo mesmos e que dão conta dos desafios das suas vidas. Em geral, as pessoas vão ao médico ou ao dentista com frequência para saber se tudo vai bem... mas só aparecem no psicólogo quando o problema estoura! Pensando nisso, separei alguns sinais de que está na hora de marcar um horário com o seu psicólogo, antes que as coisas possam piorar. No final de cada tópico, coloquei alguns textos aqui do blog que podem interessar quem se identificou com o assunto.



1- Desânimo
Parece que as coisas perdem o brilho. Aquelas atividades que antes eram tão interessantes já não chamam a nossa atenção. Até cumprimos as nossas tarefas, mas não com a disposição de antes. Se pudéssemos escolher, talvez preferíssemos passar o dia na cama, dormindo ou vendo qualquer coisa na TV. Parece que o cansaço é sempre maior que o interesse por aquilo que gostávamos. A situação pareceu familiar? Fique atento se isso só acontece nos dias mais cheios de atividades desmotivadoras ou se mesmo nas horas livres e de lazer o desânimo aparece. Famílias, cuidado especialmente com adolescentes e idosos neste tipo de situação. Avaliem se o cansaço do adolescente é real por uma época cheia de atividades (como o fim do ano escolar) ou se o "tédio" é uma constante companhia... No caso dos idosos, o desânimo perante à vida também é um dado importante que, se duradouro, pode ser um sinal de algo mais sério. Lembrando que, de vez em quando, todos se sentem assim e podem ficar um pouco mais cansados, mas aqui falamos sobre pessoas para quem essa situação já vem se arrastando há algumas semanas.
Héstia: o fogo sagrado que nos anima
Tudo pronto para o recomeço
La loba: recuperar a si mesmo

2- Ansiedade
Não importa se você sempre foi ansioso ou se começou de uns tempos para cá. Quando excessiva (especialmente quando começa a se manifestar fisicamente, com taquicardia, suores frios, alterações de apetite, etc.), é importante ir ao psicólogo ver o que está acontecendo. Muitas vezes, este sintoma tão desagradável é bem simples de tratar. Outras vezes, a ansiedade é parte de um quadro clínico mais complexo, que precisará de um tratamento um pouco mais longo. De todo modo, é um sinal importante, mesmo quando isolado, de que existe algo em nós que precisa ser visto com mais cuidado. É normal ficar ansioso antes de algo novo ou muito importante para nós. Mas está longe de ser normal ter reações de suor frio e taquicardia quando estamos atrasados, ou parados no trânsito ou, ainda, em momentos que seriam tranquilos, como o banho ou a hora de dormir. Na criança a ansiedade é mais significativa e, muitas vezes, mostra com clareza que algo não vai bem. Muitas vezes aparece na forma de medos excessivos e "de tudo". Já na adolescência, devido às grandes mudanças (no corpo, nos interesses, no dia a dia) e à necessidade de se sentir aceito pela insegurança/inexperiência comum nesta fase, a ansiedade já não é um sintoma tão significativo, a não ser quando excessiva, quando dificulta ou impede que o jovem leve uma vida normal.
Como lidar com o estresse
Criança com muitos medos
Sekhmet: tenho raiva!

3- Sintomas psicossomáticos (ou seja, sintomas físicos - alergias, pressão alta, gastrite, dores de cabeça frequentes, TPM, distúrbios alimentares, etc.)
Quando uma emoção se manifesta na forma de sintomas físicos, ela já tentou falar conosco por diversos outros meios menos doloridos. Só isso já seria um bom motivo para procurar um psicólogo (por que só paramos para escutar a nós mesmos com a dor?). Algumas vezes isso acontece porque nos negamos a pensar sobre aqueles sonhos que andamos tendo, ou preferimos não dizer aquelas palavras entaladas na garganta, tentamos (em vão!) esquecer aquela cena que presenciamos ou aquelas palavras que ouvimos, deixamos de lado os desejos de seguir outros caminhos... O inconsciente é sábio e persistente, ele sempre conseguirá o que quer, a todo custo! Algumas vezes, o custo é a nossa saúde e bem estar. Por isso, é importante além de solucionar a causa emocional do sintoma/doença, aprender novas formas menos dolorosas para que o inconsciente se expresse.
doenças psicossomáticas
Oxum: a cura através do amor
Menstruação: saúde e símbolos
Seu corpo conta a sua história

4- Orientação vocacional e planejamento de carreira:
Qual profissão seguir? Como saber se tenho um perfil compatível com tal profissão, aumentando minhas chances de sucesso e de me sentir realizado? A orientação vocacional pode dar boas respostas. Não, o psicólogo não vai dizer o que fazer, muito menos um teste dirá. O que acontece é que a pessoa é submetida a uma bateria de testes, procedimentos e dinâmicas e atividades que auxiliem a reflexão e a tomada de uma decisão consciente e autônoma. Com isso, ao fim do processo temos uma ótima base do perfil da pessoa, que pode ser associado a determinadas profissões e áreas de atuação sugeridas. Quem já tem uma formação e uma carreira em andamento, pode se beneficiar do planejamento de carreira. Pode organizar-se e criar estratégias para crescer, seja se especializando, abrindo o próprio negócio, crescendo na empresa em que atua ou como mandar a realização de cada um! A ideia aqui é fazer um balanço daquilo que já fizemos e conquistamos, um exame detalhado dos sonhos e, com esse material em mãos, planejar quem visamos nos tornar profissionalmente (o que não deixa de passar pela vida pessoal).
O que é ter foco?
Perséfone: quem você foi antes de se tornar quem você é?
A escolha profissional e a área psi


5- Distúrbios do sono
Nas grandes cidades, por volta de 70% das pessoas sofrem com algum distúrbio do sono. Aqui entram as crises de insônia ou sono interrompido, os pesadelos, ronco e apneia do sono (o não tratamento aumenta em 5 vezes a possibilidade de morte por doenças cardíacas ou acidente vascular cerebral), terror noturno, entre outros. O sono é um dos grandes responsáveis pela nossa saúde física e psicológica. Logo, quando não dormimos bem, dificilmente estamos em equilíbrio. Com isso, quero dizer que não estamos tão saudáveis quanto poderíamos estar, por isso, é bom tratar desses sintomas antes que as coisas se compliquem.
Dormindo me fortaleço
O que os seus sonhos dizem sobre você

6- Questões da sexualidade
Importante: a conversa aqui NÃO é sobre homossexualidade. Psicólogos não "curam" homossexuais, visto que a orientação sexual de alguém é uma questão de identidade, isto é, a homossexualidade é uma questão que conta sobre quem somos e como nos reconhecemos e somos reconhecidos, não tem nada a ver com saúde ou doença. Isto claro, falemos sobre as questões da sexualidade que podem melhorar caso a pessoa procure um tratamento psicológico. Isso vai desde certa dificuldade em lidar com a própria sexualidade (e com a dos outros!), até questões como impotência sexual, pessoas que não sentem prazer na relação sexual ou que têm algum tipo de desconforto. Em tempo: pessoas que têm compulsão por sexo também precisam de tratamento. Não quero dizer gostar de sexo, normalmente todos gostam... Falo sobre compulsão, sobre o descontrole dos desejos de forma que isso dificulte o dia a dia normal. Ah! Quem tem sente desejo sexual forçando pessoas a terem relações sexuais ou sente desejo por crianças, busque tratamento. Seguem os links para alguns textos do blog sobre o tema, basta clicar:
Como falar de sexo com a filha
Homossexualidade e aceitação da família
Sexualidade e relacionamentos amorosos na terceira idade

7- Não dar os próximos passos na vida
Talvez você conheça alguém assim... a pessoa levava uma vida normal, talvez até se destacasse. Era um bom estudante, mas depois que entrou na faculdade, se "acomodou", não tem o pique de antes, só cumpre tarefas. Ou a pessoa que relaxou demais na vida depois de abrir o próprio negócio e não percebe o imenso potencial de crescimento que pode ter se se empenhasse um pouco mais. Ou que estancou na vida depois de conseguir um emprego mais estável. Em casos assim, a primeira coisa a ser questionada é se a pessoa quer dar o próximo passo ou se está feliz onde está. Se ela estiver satisfeita e em equilíbrio, não há problemas aqui. O problema começa quando a pessoa até quer mudar ou avançar, mas pensa que não é capaz ou não sabe como, ou apenas não toma atitudes. Um psicólogo pode ajudar a rever prioridades e estabelecer metas (profissionais ou pessoais) e estratégias de ação.
Nu Kua: criar ordem e ritmo na vida
Para que as rotinas?

8- Conflitos e questões emocionais
Gosto de dizer que toda emoção é normal. É isso que fazem os seres vivos, eles sentem; e é isso o que nos torna humanos, atribuir sentido ao que sentimos e percebemos. Algumas emoções, no entanto, podem ser mais incômoda do que outras quando não sabemos lidar com elas. Algumas pessoas não sabem lidar com a raiva, ou com o medo, ou com aquele sentimento chato de não ser aceito e de não se sentir pertencente a um grupo importante para a pessoa (como a família, o grupo de amigos para o adolescente, o grupo social mais amplo...). Algumas vezes, temos sentimentos ambivalentes sobre algo ou alguém. Ou então queremos fazer tal coisa, mas não podemos (por culpa, por medo, por circunstâncias da vida, etc.). Um conflito não é necessariamente uma "briga", pode ser apenas uma situação mal resolvida ou uma dificuldade em integrar situações, relações e sentimentos que aos nossos olhos parecem não se encaixar. Algumas vezes os conflitos emocionais são mais claros. Outras, eles são percebidos nos sentimentos de não conseguir se envolver com nada, não encontrar um lugar onde se sinta bem e pertencente, ou ainda se mostra na baixa autoestima, medos, inseguranças, tristeza ou desânimo "sem motivo"...
Alguns artigos que podem interessar:
Por que não consigo um relacionamento estável?
Timidez
Beleza, autoestima e a menina mais feia de Esparta

9- Conflitos com outras pessoas
Muitas vezes, o conflito que motivou a visita ao psicólogo é com uma pessoa em especial, quase sempre alguém próximo como o filho, os pais, o cônjuge... Outras vezes, o conflito de relacionamento é mais generalizado, mas se percebe no discurso da pessoa que o conflito segue um padrão. Por exemplo, muitas pessoas têm conflitos com autoridades, outras com pessoas de gerações mais velhas ou mais novas, e por aí vai. Algumas vezes o conflito acontece porque não sabemos separar bem nós mesmos do outro. Em outros casos, talvez a pessoa tenha se deparado com alguém que pensa que sempre tem razão (ou seja, ela mesma, alguém assim!). Seja qual for a causa e a situação de conflito, um psicólogo pode ajudar a deixar as coisas claras, favorecendo o fechamento da questão. Ele não vai resolver seu problema, mas pode te ajudar muito a repensar a sua postura e suas atitudes. Dependendo do caso, é possível fazer uma psicoterapia de casal ou de família.
Conflitos entre adolescentes e pais
Saber ouvir
A arte de construir pontes
Relacionamentos dançados
Pessoas difíceis de lidar
Tântalo: a necessidade de se sentir especial
Pessoas que acham que sempre têm razão

10- Não ter metas/sonhos/planos
O que você espera para o futuro? Muitas pessoas, quando se dão conta de que não têm planos, sentem que todo o trabalho e a correria do dia a dia meio que perde o sentido. O que pretendemos realizar na vida? Para que levar a vida desse jeito se nem sei onde quero chegar? Essas questões têm relação com o sentido que atribuímos à nossa existência e que direciona as nossas metas e estratégias. Quando não vivemos de acordo com esse sentido que damos à vida (e do qual nem sempre temos consciência - sem que isso seja, necessariamente, um problema), as nossas atitudes passam a ser aleatórias, dificultando a realização pessoal e podendo promover transtornos, como sentimentos depressivos, de ansiedade ou de menos valia.
Alguns artigos:
10 sinais de que você vive as expectativas dos outros
Isis: recuperar as esperanças
Kali: o fluir da vida

11- Dificuldades na escola ou no trabalho
Aqui entram as dificuldades sociais, como problemas de relacionamento nesse contexto, seja com colegas, professores, superiores, subordinados, clientes... Entram também dificuldades específicas que comprometam o desempenho, como medo de falar em público, problemas com prazos e ao cumprir tarefas e projetos, dificuldades em estabelecer planos, em estudar e mesmo problemas de aprendizagem (gerais ou específicos - leitura, cálculos, escrita...). Dificuldades em se expressar ou em manter a atenção também podem ter grandes melhoras com o tratamento psicológico.
Quem tem medo do sucesso?
Sugestões para estudar melhor
Hefesto: rejeição e compulsão por trabalho
Perfeccionismo: quando o carrasco é você!

12- Traumas e percalços da vida
Não controlamos tudo o que nos acontece. Algumas vezes as coisas fogem ao nosso poder de escolha e a vida toma rumos que nos surpreende de forma ruim. Falo, agora, das grandes perdas, situações de crise, lutos difíceis, passar por situações de violência e agressões (físicas, sexuais, psicológicas...). Enfim, toda situação em que nos vemos ameaçados pode ter um desfecho mais equilibrados quando temos com quem dividir a angústia da não existência. Olhar para o que aconteceu, em companhia do psicólogo, que saberá se locomover com a pessoa através da situação complicada, pode ser de grande ajuda para superar o que se passou.
Falando sobre a morte: as perdas e o luto
Estupro e violência sexual
Abuso sexual (o que fazer?)
Hécate: atravessando as crises

13- Transtornos, síndromes e distúrbios neuropsicológicos
Déficit de atenção, hiperatividade, sequelas de AVC (acidente vascular cerebral), Alzheimer, sequelas pelo abuso de álcool, drogas e outras substâncias, assim como a dependência química, dificuldades de aprendizagem, dificuldades em lidar com as emoções, distúrbios de sono, questões ligadas à atenção, memória, planejamento, ou ainda na atribuição de significado e sentido ao que se percebe... Toda questão psicológica e emocional passa, obrigatoriamente, pelo nosso cérebro, com seu funcionamento e equilíbrio neuroquímico muito delicado. Por isso, é apenas fazendo uma avaliação neuropsicológica com um profissional que se pode estabelecer com clareza a dimensão do problema, prognósticos e as melhores opções para a habilitação ou reabilitação das funções neuropsicológicas lesadas ou não habilitadas.
Como ser mais criativo
Ativo ou Hiperativo?
Suicídio: quando a vida pesa demais

14- Prevenção
Por último, mas longe de ser o menos importante! A prevenção se dá quando conhecemos bem a nós mesmo e a nossa forma de agir e reagir às diferentes situações da vida. Crescemos muito quando passamos por um processo de autoconhecimento. Temos a oportunidade de conhecer quais são as questões mais complicadas para nós e trabalhá-las. Especialmente quem estuda psicologia ou trabalha com isso (ou com pessoas em outros contextos - na área da saúde, educação, lazer, no comércio...), eu indicaria passar por um processo psicoterapêutico. Não há como mexer nas questões dos outros de maneira responsável se nunca nem sequer olhou para as próprias. No mais, todos podem se beneficiar com um a psicoterapia preventiva. Somos aquilo que de mais precioso temos e merecemos, especialmente nestes tempos mais tumultuados, um espaço-tempo para trabalhar aquelas questões que nos mobilizam ou mesmo para conhecer melhor a nós mesmos.
Kinich Ahau: trazer a sombra para a luz
Criando o diário de sonhos
Mandalas: a busca pelo centro
Como meditar e os benefícios da meditação

4 comentários:

  1. Olá, Bia.

    Hoje me peguei pensando nisso.
    Curioso, não?

    Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que delícia, Soraia! Essas sincronicidades da vida são mesmo ótimas!
      Beijo

      Excluir
  2. Bia, boa tarde.
    Há um tempinho que descobrir teu blog e ele foi um achado, uma oportunidade de autoconhecimento e cura.
    Hoje irei ao psicólogo pela primeira vez e essa decisão foi estimulada por tudo que encontro, aqui nesse espaço.
    Obrigada.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que felicidade ler isso!
      Que seja um processo de grande crescimento.
      beijo

      Excluir