terça-feira, 19 de novembro de 2013

Mythos - Curupira: nossas defesas e proteções

Hoje temos aqui o Curupira, uma personagem do folclore brasileiro. O nome vem do tupi, língua falada por um grande grupo étnico indígena e vem de duas palavras. "Curu" vem de curumim, menino, criança. E "pira", que significa corpo. Assim, o Curupira é um ser com corpo de criança.

Ele é normalmente descrito como um menino com os cabelos de fogo, outros dizem que são cabelos como os dos humanos, mas ruivos como o fogo. Dizem que tem os dentes pontudos, que os olhos brilham durante a noite e que corre pelas matas montado num porco do mato. Mas a característica mais marcante são os pés virados para trás. Graças aos pés invertidos, ele confunde aqueles que querem segui-lo para impedir que ele salve as matas e os animais das garras de caçadores, lenhadores e daqueles que destroem as matas. Além de ter os pés ao contrário, o Curupira é muito veloz! Ninguém, nem mesmo o corredor mais veloz, poderia alcançá-lo numa corrida. Além disso, ele é muito forte e astuto, tem poderes mágicos e sabe mudar de forma. Todo aquele que é ameaçador para a natureza pode reconhecer o Curupira como um perigo. 

Curupira, obra de Regiph - DeviantArt.

Diz o povo lá do interior do país que algumas vezes o Curupira gosta de usar seus poderes para confundir as pessoas desavisadas que entram na floresta. Ele usa sua magia para fazê-las se perderem e segue essas pessoas, se divertindo enquanto elas tentam encontrar o caminho de volta. 

Também contam que ele gosta de levar crianças pequenas para a mata com ele. Ele fica com a criança e ensina a ela coisas sobre as plantas, os animais e a vida na floresta, mostrando também a importância de proteger a natureza. Depois de cuidar da criança por 7 anos e instrui-la, o Curupira a devolve para a família, ganhando assim aliados humanos que ajudam na preservação e proteção da natureza.


Questões para reflexão:

1- Qual é o seu maior tesouro? O maior tesouro do Curupira, que ele protege com unhas e dentes, é a natureza. E o seu, qual é? Quando identificamos o nosso tesouro, podemos perceber as ameaças e as estratégias de defesa que usamos. Essas ameaças são reais ou existem apenas no seu medo? E as defesas, são eficientes ou precisam ser ajustadas?

2- Por definição, a natureza, ou melhor, tudo o que é natural existe independente de ações humanas (artificiais, do que derivam termos como "artífice" e "arte"). Mas, claro, nem toda "arte" (no sentido de ação humana) vai contra a natureza. A ecologia pode ser compreendida aqui não apenas no sentido de proteção das matas, animais e prevenção da poluição, mas como ações que não sejam prejudiciais aos outros. Dizemos que quando queremos mudar um comportamento ou atitude, o novo precisa ser ecológico, não pode trazer prejuízos de nenhum tipo para outras pessoas ou para o meio, caso contrário, não se sustentará. Avalie suas ações e verifique se são ecológicas. Algumas vezes deixamos de seguir aquele "bom conselho" ou não nos acostumamos a novos hábitos pelo fato de não serem ecológicos.

3- Quais são as suas defesas? O que, de prático, você faz para a sua proteção (no sentido mais amplo possível da palavra)? O mínimo que podemos fazer para nos manter seguros é reconhecer as ameaças e/ou fontes de insegurança. Quais são elas? O que te desestabiliza (ou poderia desestabilizar)? Reconhecer as possíveis ameaças e inseguranças é fundamental, só assim sabemos o que proteger e de que/de quem, pensar sobre isso nos mostra o que seria mais valioso para nós (nossos valores pessoais). Depois, precisamos nos manter em equilíbrio. Equilíbrio emocional, psíquico, no mundo concreto (na alimentação, entre trabalho e lazer, sono e vigília, momentos de socialização e de solidão...). Quando mantemos certo equilíbrio, podemos nos manter nesta realidade (este lugar e este tempo) com mais facilidade e harmonia, sem nunca perder de vista as outras realidades das quais fazemos parte (passado, planos para o futuro, a realidade inconsciente, etc.) nas quais, de certa forma, também estamos presentes.

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