quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Realizar e capacitar: qual a sua estratégia?

"Quanto mais realização pessoal houver, menor será a angústia da morte." - Arthur Schopenhauer (1788-1860), filósofo alemão.

O tema de hoje surgiu há algum tempo atrás, numa conversa com uma leitora e colega de profissão muito querida, que preferiu não se identificar. Falávamos sobre capacitação, qualidade em serviços e outros assuntos ligados à vida profissional, quando identificamos uma questão que costuma angustiar vários dos nossos pacientes: se todos acham aquilo que faço tão bom, por que não me sinto realizado?

Muita gente fala sobre realizar... nas empresas, na mídia, nas promessas de final de ano. Mas o que é realizar? Na minha forma de ver, realizar é quando trazemos para a realidade algo (um projeto, um sonho, uma ideia) que até então só existia no mundo dos pensamentos.

Já capacitar pode ser compreendido como tornar capaz. As pessoas se capacitam conforme sentem que são capazes de realizar algo, pouco importa se este "algo" for um grande projeto profissional, um bolo para o café da tarde ou organizar a nossa rotina pessoal, por exemplo. Quando realizamos, nos sentimos capazes, e isso nos faz crescer e amadurecer, pois além de aumentar a autoconfiança, sentimos que a nossa vida e as nossas escolhas estão nas nossas mãos.

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Esse jogo melhora o raciocínio e foi, ao longo da história, usado para desenvolver o pensamento estratégico
de grandes reis e líderes!

Mas algumas vezes na vida, parece que realizamos um bom trabalho, todos reconhecem a validade e a eficiência daquilo que fizemos, era um serviço necessário, todos estão satisfeitos e até elogiam... mas a pessoa que fez não se sente realizada! Essa é uma situação frequente na clínica quando são discutidas questões de trabalho, ou mesmo questões pessoais. Se todos acharam o que fiz bom, por que não estou feliz? Existem algumas possibilidades por trás desse tipo de situação. Vamos a elas!

1- Padrão de qualidade muito alto:
Algumas pessoas têm um padrão de qualidade tão alto que visam sempre a excelência. Para pessoas assim, não basta cumprir a tarefa de forma satisfatória, ela precisa estar excelente! Claro que não há problemas em querer se superar e melhorar cada vez mais. O problema começa quando a pessoa se deixa levar pelo perfeccionismo, colocando para si mesma metas e padrões cada vez mais inatingíveis, e passa a sofrer com isso.

2- O ideal é muito diferente do real:
Algumas vezes imaginamos uma coisa e criamos outra. Seja por falhas de projeto, seja pela forma como as circunstâncias se desenrolaram, seja por falta de atenção, por estar pouco capacitado para a tarefa, ou mesmo por fatores que fogem ao nosso controle. Mesmo que o resultado tenha sido satisfatório e até que os outros o considerem muito melhor que o plano original, pode ser que exista alguma frustração. Como já comentei em outros artigos, nem sempre as coisas saem como planejamos. Algumas vezes, entre o real e o ideal, precisamos encontrar o possível e saber lidar com ele. Sempre visando acertar e melhorar, mas dando as boas vindas ao inesperado. Se você se identificou com este ponto, saiba que muitos "erros de projeto" acabaram por mudar o mundo, como a invenção da penicilina, o primeiro antibiótico, que revolucionou a nossa visão de saúde e de doença.

3- Não era bem isso que queria fazer...:
Será que você está seguindo as expectativas dos outros em lugar das suas próprias? Ou está se deixando guiar pelos valores que a midia e "todo mundo" acredita serem melhores e mais eficientes (mas que, talvez, não sejam os melhores para você)? Quando isso acontece, até ficamos felizes com a tarefa que realizamos, mas ela não nos diz nada. É apenas uma tarefa que cumprimos e que terminou, não houve grande envolvimento e nem um sentido maior para nós. Assim, a satisfação (quando existe) também não é tão forte quanto seria ao executar uma obra em que realmente acreditamos e que valorizamos. É preciso que nossas ações reflitam os nossos próprios valores, não aquilo que os outros pensam, ou que a gente "deveria" fazer. Senão, a vida que vivemos não é exatamente nossa, é uma fachada mal decorada daquilo que a sociedade espera de nós (mas que ela mesma, muitas vezes, não cumpre em retorno). Se você se identificou com este ponto, vai gostar do artigo 10 sinais de que você vive as expectativas dos outros (clique!).

4- Na verdade, o foco é outro:
Em alguns casos, não é o nosso maior sonho fazer certa tarefa, mas é preciso executá-la satisfatoriamente, cumprir essa etapa para que outra venha. É o caso do estudante que precisa estudar certos temas menos interessantes para poder concluir o curso; das mães, pais, avós, etc. que precisam cumprir certas tarefas menos divertidas, mas fundamentais para o bom andamento da casa e o bem estar da família; do profissional que ama o lado criativo do seu trabalho mas que mesmo assim precisa se dedicar a tarefas mais operacionais para que a coisa dê bons resultados. Se este for o caso, não há muito o que fazer, a tarefa precisa ser cumprida e o melhor que podemos fazer é nos envolvermos com ela para que os resultados sejam bons e não comprometam o restante.

5- As pessoas não têm o hábito de criticar:
Falam muito sobre pessoas que não sabem ouvir críticas, mas existe o outro lado: pessoas que não sabem criticar. Não fomos ensinados e menos ainda encorajados a isso neste modelo de sociedade em que vivemos. Muitas vezes as críticas, mesmo quando são gentis e construtivas, são vistas como ataques. Já cheguei a ouvir de uma colega "não gosto do Fulano porque ele é crítico demais". Quando ter opinião própria vira uma característica ruim, perdemos toda a possibilidade de mudança e de promoção de melhorias. É fundamental ter crítica e também saber ouvir críticas, daquelas bem fundamentadas e construtivas. Mas, voltando ao tema do artigo, muitas vezes a coisa realmente não está lá tão boa assim, mas simplesmente a maioria das pessoas é condicionada a dizer que tudo está lindo e perfeito. E aí entra a nossa própria crítica, que nos conta que às vezes aquilo que fizemos não ficou tão bom.

Para terminar, gostaria que a gente conversasse um pouco sobre as estratégias. É fundamental ter clareza das estratégias que usamos em cada tipo de tarefa. Não basta sonhar, é preciso criar um plano de ação, isto é, uma estratégia. Isso significa pensar o "como?", o caminho que precisamos seguir até atingir a nossa meta. Quando temos um planejamento claro, se torna mais viável trazer as nossas ideias e sonhos para o mundo real, pois sabemos com exatidão o que precisamos fazer. Isso aumenta a nossa eficácia e diminui a ansiedade, uma vez que quando a estratégia é clara, não precisamos repassar o caminho tantas vezes, basta ficar atento para não se desviar da trilha! Se sonhamos seguindo aquilo que nós mesmos valorizamos, nos ocupamos de planejar e colocamos em prática com eficácia as estratégias (da execução ao discurso sobre aquilo que produzimos), então as chances de nos sentirmos felizes com a nossa obra e reconhecer o trabalho bem feito aumentam. Porque deixamos de buscar a perfeição ou algo que agradasse aos outros e passamos a dar o nosso melhor.

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