terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Mythos - São Nicolau: compaixão e empatia

As festas de final de ano estão chegando. Resolvemos entrar no clima! Hoje a coluna Mythos é sobre uma personagem cristã. Lembrando a todos que um mito (que em grego significa "discurso") é uma narrativa de cunho sagrado, seja da cultura que for. Pensei antes em abordar o Papai Noel na coluna desta semana, mas achei que poderia ser mais interessante conversar sobre São Nicolau, conhecido por ser um dos inspiradores da figura do bom velhinho.

São Nicolau Taumaturgo (taumaturgo significa "aquele que faz milagres") foi uma pessoa que realmente existiu. Ele viveu entre os séculos III e IV e foi arcebispo de Mira (hoje, Demre), na Turquia. É conhecido também como São Nicolau de Bari, pois seu corpo foi sepultado na cidade de Bari, Itália. Até o século XIX, quando o Papai Noel assumiu seu lugar, era São Nicolau quem entregava os presentes de Natal. Ele era retratado com trajes de bispo, e saia durante a noite na época de Natal, jogando moedas de ouro pela chaminé das casas de pessoas mais necessitadas.


Nicolau sempre teve problemas com as autoridades. Nascido durante o império de Deocleciano, esteve preso por se recusar a negar sua fé cristã. Mais tarde, já arcebispo, teve um problema dentro da própria Igreja, quando esbofeteou um dos líderes que se opunha a suas práticas de caridade. Foi impedido de continuar como arcebispo por causa disso, mas não deixou de ajudar as crianças e os mais pobres. Foi a primeira figura do cristianismo a se preocupar com a educação das crianças e de suas mães.

Nicolau foi transformado em santo depois de terem atribuído diversos milagres a ele, inclusive o milagre de trazer crianças mortas de volta à vida. Muitas histórias se acumulam ao redor de sua figura, e é difícil dizer o que é realidade, o que é metáfora e o que é apenas lenda. São Nicolau tornou-se símbolo do Natal não no seu país de origem, e sim na Alemanha. De lá, a fama se espalhou por todo o mundo.


Questões para reflexão:

1- O mito de São Nicolau nos coloca de frente com a capacidade de empatia. Empatia significa saber se colocar no lugar do outro. Não apenas se imaginar na situação que o outro enfrenta e pensar o que faríamos, mas sim considerar a situação através do olhar desse outro e pensar o que poderia ser feito tendo os recursos (físicos e interiores), a história de vida, o conhecimento e os sonhos dessa pessoa. Ou seja, ser empático é compreender uma realidade através da ótica do outro, no sentido mais pessoal (visceral) da palavra. Você costuma exercitar a empatia? Com quais pessoas é mais fácil ou mais difícil fazer isso? Por que?

2- Que tipos de pessoa ou de situação mais despertam a sua compaixão? Diferente da empatia, a compaixão não implica em sentir o que o outro sente, mas sim em sentir o que você mesmo sente ao olhar para outra pessoa numa situação delicada. Como você lida com a compaixão? Faz algo que está ao seu alcance para melhorar a situação difícil (seja ela qual for) de outra pessoa ou apenas "espera esse sentimento passar"?

3- Ao sentir compaixão e empatia (e usar esses sentimentos para algo bom), nos humanizamos. Percebemos que a realidade pode ir muito além desse mundinho em que vivemos. Com isso, nossa própria realidade e nosso potencial se ampliam, pois entramos em contato com o transcendente, isto é, com algo que vai além de nós mesmos. E, nesse contato, encontramos o sagrado na face do nosso semelhante.

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