quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Alcancei minha meta. E agora?

"Menosprezamos facilmente um objetivo que não conseguimos alcançar ou que alcançamos definitivamente." - Marcel Proust (1871 - 1922), escritor francês.

Já falei em outros artigos sobre metas e objetivos. A importância de ter um objetivo, um "para onde vamos?", a importância de haver um planejamento para isso e, claro, segui-lo. Por isso hoje a conversa é sobre um lado diferente das metas: quando elas ficam para trás. Quando a gente alcança aquilo que pretendia e a vida segue. Nem sempre sabemos lidar com o sucesso, e isso se mostra de várias maneiras, mesmo após chegar ao objetivo. Muitas vezes, logo após a conquista, vem a destruição, causada pela própria pessoa que tanto lutou e buscou aquilo que tinha como meta. 

Quando a gente não cuida daquilo que conquista, o fruto das nossas buscas se torna
algo tão vulnerável e passageiro quanto um lindo castelo de areia na beira do mar.

Por que alguém faria isso? Por que destruiria aquilo que tanto almejava ou por que daria uma rasteira em si mesmo? 
Algumas pessoas, por incrível que pareça, têm vergonha de terem tido sucesso em algo. Como se colher os frutos da própria dedicação fosse algo escuso, e não é. Outras pessoas apenas não sabem lidar com as mudanças que o objetivo alcançado trouxe - e sempre há alguma mudança. Insistem em continuar fazendo o mesmo que faziam antes, em cultivar alguns comportamentos de antes que não cabem na nova realidade. Exemplos: o comportamento que dá certo num ótimo funcionário não são, necessariamente, o que dará certo num empresário, caso ele tenha alcançado a meta de abrir o próprio negócio. As atitudes que funcionam bem para uma pessoa sozinha não são as que darão certo quando essa pessoa alcançar o objetivo, digamos, de formar uma família.

Como fugir disso?
Em primeiro lugar, quando uma meta é alcançada, um ciclo se fecha. Em palavras mitológicas, isso pede um rito de passagem! Em palavras do dia a dia comum, celebre, comemore, faça a dancinha da vitória, enfim, marque a passagem de algum jeito. De preferência, permitindo-se fazer algo de divertido, o que ajudará o nosso inconsciente a associar o "alcançar metas" como algo muito bom e gostoso.

Outra situação que acontece é a pessoa que mal chegou a um objetivo e já se propõe a ir atrás de outro, ainda mais fantástico. Não. Viva o momento. Alcançar uma meta, como eu disse, sempre traz uma transformação. Viva-a. Transforme-se junto com a vida. Dê um tempo para as coisas se assentarem na nova realidade, observe e avalie bem como as coisas ficaram, como você ficou. E então cuide. Boa parte das pessoas que chegam a seus objetivos se perdem nesse momento, por não darem a importância certa ao cuidar, por não protegerem aquilo que conquistaram. E proteger é no sentido de vivenciar a coisa com envolvimento e abertura. Nem sempre isso é fácil, pois enquanto perseguíamos o objetivo estávamos tomado pela adrenalina, por aquele esquema de luta ou fuga que em outros tempos, quando o objetivo era, por exemplo a caça para o almoço, garantia a nossa sobrevivência. Uma vez alcançado o objetivo, a adrenalina baixa, e algumas pessoas têm a sensação de calmaria excessiva. Mas isso também é parte do fluir da vida. É preciso ver como as coisas se desenrolam e aí sim calcular o próximo passo. Apenas observando com muito cuidado a nova realidade é que o próximo passo terá sentido, não será dado ao acaso. E, para isso, é preciso viver aquele tempinho mais parado que se desenrola depois que terminamos com um objetivo, quando a adrenalina da conquista baixa e parece que entramos numa rotina outra vez. Mas viva-o com estratégia. Considere-o um "laboratório" e, passando bem por esse período, o próximo passo ou a meta despontará. Aí sim, com novo fôlego, o peregrino continua sua busca e parte para novos horizontes.

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