quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Mandalas: as formas e símbolos

Conversamos sobre mandalas em outros dois artigos (Mandalas: a busca pelo centro e As cores nas mandalas) e, atendendo ao pedido de alguns leitores, hoje teremos mais um sobre este tema, desta vez abordando o significado das formas e símbolos. Para quem não sabe, mandala, em sânscrito, significa círculo. As mandalas são desenhos que simbolizam o todo, a completude, e também a nossa psique, sendo que quanto mais nos aproximamos do centro, mais fundo mergulhamos no inconsciente. O trabalho com mandalas, criando as nossas próprias ou mesmo colorindo uma já pronta (você encontra algumas na nossa página do Facebook), vai muito além de ser apenas uma atividade gostosa e relaxante. Esse tipo de atividade tem o poder de equilibrar nossas emoções e nossa psique, aliviando sintomas emocionais (pois facilitam que a pessoa se expresse) e até mesmo sintomas físicos de origem psicossomática (alergias, dores de cabeça, gastrite, hipertensão, TPM e distúrbios menstruais, entre vários outros). De quebra, trabalhamos a atenção/concentração e podemos, ainda, ter um panorama bem claro de como vai o mundo interno da pessoa. Para isso, é fundamental analisar com muito cuidado as cores (ligadas às emoções e afetos) e também as formas e símbolos que surgem. Estes, por sua vez, são ligados a aspectos mais formais e concretos do nosso ser, como atitudes, comportamentos e mesmo o tipo de assunto que está em evidência na nossa vida (o trabalho/estudos, a maternidade, a espiritualidade, a diversão, e por aí vai...). O salto transformador no trabalho com mandalas está em criar os nossos símbolos (ou pintar um tipo de mandala com símbolos adequados às nossas necessidades) e preenchê-los com cores, ou seja, com emoções, o que nos permite dar-lhes algum sentido. 

Quando pensamos nas formas que o inconsciente tem para nos transmitir mensagens, sabemos que elas sempre vêm na forma de códigos. Tudo nos sonhos, sintomas, atos falhos e na linguagem usada no momento da psicoterapia (seja falada ou na forma de desenhos, gestos, etc.) são símbolos. Portanto, quando conversamos sobre os significados de símbolos, gostaria que vocês mantivessem a mente aberta, pois tudo pode ser um símbolo, de um simples ponto a um símbolo conhecido, como uma cruz ou uma estrela, passando pelos objetos de uso diário, lugares e até pela face de pessoas queridas. Trago, agora, alguns dos símbolos mais comuns. Perceba que quando pensamos, por exemplo, formas triplas, não queremos dizer apenas triângulos, mas tudo que remete ao três, mesmo três elementos semelhantes colocados de maneira estratégica, ou até uma criatura fantástica como um cão com três cabeças (como Cérbero, o cão de Hades que guarda a entrada para o mundo dos mortos/inconsciente). Agora, vamos ao resumo de alguns dos símbolos mais comuns:

Imagem: Bia F. Carunchio.

CÍRCULO - Separação o espaço sagrado do profano, cria e delimita um espaço a ser usado com certo objetivo. Poder ilimitado que irradia do centro e se espalha pelo todo. Pode representar o acolhimento do útero materno.

DUALIDADES - União de opostos / complementares que leva a uma transformação (quando em harmonia) ou expressa um conflito.

TRIÂNGULOS E FORMAS TRIPLAS - Apontado para cima, é a busca pelo transcendente (não apenas no sentido espiritual). Apontado para baixo, é o transcendente que vem ao mundo comum. O três tem um sentido especial em diversas culturas (trindade cristã, três fases da lua, deusas de três faces – Hécate, Brigid, as tecedeiras do destino...).

QUADRADO E FORMAS QUÁDRUPLAS - Mundo externo e concreto. Quatro pontos cardeais, a forma como nos movimentamos pela nossa realidade. De forma geral, envolve questões formais, muitas vezes de trabalho.

PENTÁGONO E PENTAGRAMA - Renovação, quatro elementos que se unem ao éter. Liberdade de ação e de pensamento.

HEXÁGONO E ESTRELA DE 6 PONTAS - Estrela de Davi: dois triângulos que apontam para cima e para baixo. Relação entre a busca pelo transcendente e a vinda deste para a vida comum. Comunicação. Frequentemente envolve questões familiares.

ESTRELA - Leveza, renovação, inspiração. Busca por objetivos, “seguir a própria estrela”.

ESPIRAL - Representa os ciclos (das estações, da lua, do dia, do nosso corpo, da vida, etc.). Vontade ou necessidade de se expressar. Contato com o inconsciente: quando surge, dar atenção aos sonhos, intuições, inspirações...

LABIRINTO - Representa a jornada ao “mundo dos mortos”, uma iniciação pelo mundo interior.

ARABESCOS E NÓS - Os caminhos da vida e, com eles, as nossas escolhas e decisões.

É importante ter em mente que os símbolos são como "portais", eles nos levam a outras realidades e outros mundos de forma muito mais rápida e eficaz do que os caminhos racionais levariam. O símbolo nos entrega, via inconsciente, um grande conjunto de significados sem precisar nos dizer uma só palavra ou dar sequer uma explicação. Símbolos carregam um grande potencial transformador, pois não agem no plano consciente (no aqui e agora, quando estamos atentos e armados com nossas defesas) e sim no inconsciente, onde não há essa nossa lógica de espaço-tempo linear, a lógica é outra, mais rica e intensa, e traz nos símbolos uma porta sempre aberta para as mudanças que almejamos.

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