terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Mythos - Odin e as runas: o esforço criativo

Hoje vamos conversar sobre o esforço criativo. Importante começar dizendo que criatividade não é apenas algo ligado às artes, como muita gente pensa. Criatividade é tudo aquilo que se relaciona com o potencial de criar que todos nós temos, seja criar algo artístico, um projeto profissional, um filho, uma família, criar a ideia de uma viagem ou criar as possibilidades para um sonho ou meta que temos na vida. Para abordar este tema, vamos conversar sobre o deus nórdico Odin, um dos principais deuses (ou um dos mais conhecidos na nossa época) desses povos.

O nome Odin significa "vento" ou "espírito". Ele é conhecido por diversos apelidos ou títulos, entre eles, o protetor das runas, protetor dos exércitos, senhor da vitória, pai de todos, senhor da magia, entre muitos outros. Como se percebe, Odin é um deus ligado às guerras e vitórias, mas também à sabedoria, magia e dons proféticos, além da morte/transformação (que está mais ligada às guerras e à sabedoria/magia do que se pode pensar a princípio).

Odin andava sempre acompanhado de dois corvos, Huginn (pensamento) e Munnin (memória). Cada um repousava sobre um de seus ombros e todos os dias, eles sobrevoavam o mundo e davam a Odin um relatório completo de tudo o que haviam presenciado, em especial as guerras e batalhas. 

Odin, der Göttervater, obra de Carl Emil Doepler, 1882.
Sendo um deus de tanto destaque e cuidando de tantas áreas diferentes da vida, é de se esperar que existam muitos mitos e histórias acerca de Odin. Por isso, escolhi uma delas para trabalhar hoje, e foi o mito da criação das runas. As runas eram antigos símbolos usados pelos povos da Escandinávia e da Europa Central tanto com o objetivo de comunicação escrita, como também na forma de oráculo ou talismã. Para criá-las, Odin dependurou-se de cabeça para baixo na Yggdrasil (a árvore do mundo, também conhecida como árvore da vida ou do conhecimento - símbolo que aparece em muitas culturas e que conecta diferentes mundos, como um eixo ou "coluna vertebral"). Então, Odin feriu-se com a própria espada e deixou que seu sangue fluísse. Conforme as gotas de sangue pingavam na terra, uma a uma, as runas se formavam e se revelavam a ele.

Depois de soltar-se da árvore, Odin pegou as runas e foi conversar com Mímir, um deus gigante que guardava a fonte de sabedoria cujas águas alimentavam Yggdrasil. Mímir permitiu que Odin bebesse um gole dessa fonte, em troca de um de seus olhos, o que o tornou um deus sábio e que tem grande clareza daquilo que percebe.


Questões para reflexão:

1- Nada surge sem esforço. Uma obra (seja qual for e no setor da vida que for) precisa de envolvimento e trabalho para que se complete. Odin que o diga. Ele se sacrificou muitas vezes pelo que tinha a intensão de fazer. Observe quais setores da sua vida não estão do jeito como você gostaria. Quais sacrifícios precisam ser feitos? Quero deixar claro que não falo sobre sofrer, e sim sobre dedicar-se e fazer tudo o que for possível para a coisa dar certo! É aquela velha história, ninguém melhora as notas passando o dia todo jogando video game, ninguém tem uma família harmoniosa deixando-a sempre de lado, ninguém encontra um trabalho melhor se continuar a oferecer os mesmos diferenciais de sempre... Como você se sacrifica? O que pode fazer de diferente para conseguir resultados diferentes?

2- Trabalho prático! E é sobre criatividade! O tema é criação. A proposta é que você desenvolva algo sobre este tema, usando os recursos e conhecimentos que tiver à sua disposição e realize sua obra. Vale ir para a cozinha dar uma de mestre cuca, pintar, modelar, criar algo com sucata ou tecidos, escrever, criar um novo projeto profissional, passar um tempo fazendo algo lúdico e diferente com as crianças, enfim, Odin usou apenas o próprio sangue, acredito que nós também podemos pensar em algo com os conhecimentos e recursos que temos.

3- Os povos antigos  viam as runas tanto como oráculo quanto como linguagem escrita. Isso mostra uma ideia que tende a aparecer com frequência: as palavras como aquilo que molda a nossa vida, como as "palavras mágicas" dos contos infantis. E isso está bem longe de ser crendice! As palavras moldam a nossa realidade, pois são elas que nos permitem explicar (para nós mesmos) aquilo que vivemos, isto é, dar um sentido às nossas experiências. E tudo pode ser visto de diferentes formas e através de diferentes ângulos, o que permite viver realidades muito diferentes dependendo do discurso/das palavras que usamos, partindo da mesma experiência. Vale a pena verificar quais são as realidades que se apresentam a você, especialmente se não estiver contente com a sua.

2 comentários:

  1. Gostei do texto! Era o Deus que eu precisava saber mais esse ano. ^^
    Parabéns

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    1. Obrigada, que bom que gostou, Wilker! É mesmo bem legal quando a gente encontra uma informação que faz sentido no nosso momento.
      bjs

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