sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Vencendo a falta de confiança em si

Olá  Bia, 
Costumo acompanhar o seu blog, inclusive fiz até o meu caderno Rosa dos Ventos, imprimo seus textos, colo e tento fazer a atividade que você recomenda e vou acompanhando meu desenvolvimento. 
Mas, confesso que estou atrasada em acompanhar todos os artigos (uma das metas para 2014 rsrs). Então, vim sugerir um artigo, caso ainda não tenha no blog, sobre como desenvolver a autoconfiança. Tive uma criação muito rígida, com muitas críticas e percebo que isso até hoje reflete em minha auto-estima. 
Abraço 
R. - Alagoas


Bom dia, R.!

Você nem imagina o quanto fico feliz de saber que o blog vem contribuindo para que você e outros leitores levem uma vida mais equilibrada e em paz consigo mesmos. Como combinamos, sua sugestão entrou como edição da coluna Ágora, pois sei que muitas pessoas vivem essa situação de terem uma baixa autoconfiança devido à educação excessivamente rígida que receberam. Então vamos falar um pouquinho sobre essa rigidez e terminar com algumas sugestões para vencer a insegurança.

Uma educação rígida é identificada quando a pessoa recebe muitos limites de forma pouco flexível. De forma alguma estou dizendo que limites são ruins ou que o "não" da família não precisa ser firme. Nada disso, limites são aquilo que dão nosso contorno e, na medida certa, nos enchem de autoconfiança e nos levam a respeitar (a nós mesmos e aos outros). Mas bom senso por parte dos adultos costuma fazer um bem danado às crianças! Se deixar de fazer algo um dia, uma "vezinha" só, nenhuma criança "vira mau caráter". Nenhuma criança passa a ser "a fedorenta da classe" apenas porque ficou um dia sem banho. Nenhuma criança morre de fome com comida na mesa só porque não almoçou muito bem. Nenhuma deixa de ter noção das responsabilidades e obrigações da vida só porque deixou de fazer uma lição ou de arrumar o quarto um dia. Bom senso, ok? Também não estou dizendo que isso pode se tornar rotina, mas de tempos em tempos, uma pequena transgressão faz muito bem a crianças e adultos. É parte do nosso equilíbrio.

Em outros casos, a rigidez da família é mais sutil, não se mostra com tanta clareza nas regras do dia a dia, e sim nos valores, costumes e tradições. Alguns bem comuns: "criança fica quieta quando adulto fala", "meninas não dizem palavrão", "meninos não choram", "'ai' dos meus filhos se não me chamarem de 'senhora'", "comporte-se como uma mocinha", "ninguém te perguntou o que você quer, apenas sorria e faça", "engole o choro", enfim, são valores que não deixam nenhum espaço para que as crianças e jovens se mostrem como são e ganhem segurança para que façam suas escolhas de vida de maneira consciente. Óbvio que nem sempre as situações permitem escolhas, mas sempre deixam uma brecha. Um exemplo simples que gosto de dizer às famílias com crianças: se hoje está frio e o pequeno quer brincar lá fora, terá de vestir um casaco, não há escolha aqui. Mas ele pode escolher entre usar o vermelho ou o azul. Com o passar do tempo, o ideal é que as escolhas sejam cada vez mais frequentes e mais decisivas na vida do jovem. O papel da família não é apontar o "único caminho certo" (mesmo porque duvido muito que exista algo assim!), e sim dar o suporte emocional para que o jovem escolha por si, alertando sobre riscos e situações que podem surgir, mas respeitando a escolha de cada um.

Agora algumas dicas para quem sente falta de confiança em si mesmo:

- Não deprecie aquilo que você faz ou o que você é, nem de brincadeira. Muitas pessoas inseguras têm esse costume, como se repetissem o discurso que antes era feito por pais, familiares, professores, etc. Isso é ruim, pois nossa psique recebe um reforço desse tipo de atitude, fazendo com que a gente sempre tenha uma visão negativa de nós mesmos.

- Muitas vezes, a insegurança vem acompanhada da timidez. É importante trabalhar esse lado, especialmente quando gera algum tipo de desconforto ou dificulta o dia a dia. Uma boa alternativa é participar de atividades como um grupo de teatro amador ou um grupo de coral. Apresente-se para as pessoas e receba os aplausos! Não importa se vai apresentar uma peça, uma música, algo que tenha escrito ou criado, o importante é apresentar algo "seu", dar-se a conhecer. Puxar conversa numa fila qualquer ou no ônibus também é interessante.

- Não seja rígida com você mesma do jeito como a sua família costumava ser, R. Ninguém tem apenas defeitos ou inadequações. Temos muitas qualidades. Invista no seu autoconhecimento e descubra suas qualidades. Descubra se os "defeitos" não são, na verdade, uma bela qualidade disfarçada. E nada de ter medo de mostrar suas qualidades para o mundo!

- Muitas vezes também, a baixa autoestima é a grande companheira de pessoas inseguras. Outra vez, nunca se deprecie, nem de brincadeira. Há algo de lindo em todos nós, por dentro e por fora, basta valorizar-se. A autoestima está mais ligada à nossa postura do que aos padrões de beleza que a sociedade nos exige. 

- Busque suas referências de sucesso. Papel e lápis na mão, anote tudo o que você já fez e deu certo. Desde algo grande como ter se formado, ter uma família amorosa ou ter aberto o próprio negócio, até coisas simples e de muito tempo atrás, como ter aprendido a andar de bicicleta quando criança, ter ido a uma festa bonita, ter conseguido fazer a receita de bolo que mostraram na TV. A psique mais profunda não reconhece o que foi grandioso e o que foi algo menor, ela apenas reconhece que "eu consegui!" Se você tiver fotos ou lembranças de momentos assim, procure-as e espalhe-as pela casa, por aqueles lugares onde você vai ver (e reviver a lembrança) com frequência.

- Quando adolescente, participei de um grupo de teatro, e lá aprendi uma técnica chamada "entrar na personagem". Quem é a "personagem" que você quer viver? Quem você quer ser? Uma profissional dinâmica e de sucesso? Uma mãe amorosa e companheira? Uma mulher livre e consciente de si e do seu poder de escolha? Você pode ser quem quiser, R. basta "entrar na personagem. Sim, como se fosse um teatro. Aos poucos as atitudes parecem mais naturais a nós mesmos, conforme interagimos com os outros "estando na personagem". Não é falsidade ou "fingimento", porque não se trata de uma personagem inventada, e sim de si mesmo, de quem cada um gostaria de ser. Isso é sobre permitir que a R. que você realmente é desabroche e se mostre para o mundo!

- Vamos meditar! Concentre-se, relaxe e preste atenção apenas na sua respiração. Enquanto faz isso, imagine um sol dentro do seu peito. Esse sol espalha sua luz por todo o seu corpo, até que você ganhe luz própria e ilumine tudo e todos a sua volta. Alguns pacientes têm dificuldade de perceber o sol iluminando o corpo inteiro no início. Tudo bem, vá até o seu limite e pratique todos os dias, até que o sol ilumine você por inteiro e se expanda para além de você. Com a prática, é possível fazer todo o processo em poucos segundos, no tempo de algumas respirações profundas. Esta técnica é ótima para a prática diária (ao acordar, para já começar o dia brilhando!) e mesmo para aqueles momentos e situações da vida que nos exigem uma dose maior de confiança (como antes de alguma prova ou concurso, antes de uma apresentação importante, quando for falar com alguém especial...).

- Celebre. Comemore. Não importa tanto o que. Traga para a sua vida e para o seu dia a dia aquele sentimento gostoso de que você merece ser parte de algo bom, merece viver a realidade que escolhe para si. Não precisa nada tão elaborado. Tudo o que deu certo (até um dia sem reclamações ou pensamentos negativos) pode ser comemorado (reforçado e transformado em referência de sucesso). Fatos externos (como um acontecimento familiar, uma conquista ou superação, a chegada do verão,, etc.) podem ser comemorados. Todo motivo é bom o bastante para isso se você sente que é. Comemore fazendo algo que gosta (passeando no parque da sua cidade, juntando pessoas queridas para comer uma pizza, enfeitando a casa com flores, enfim, fica para a escolha de cada um). Você está neste mundo porque merece estar aqui, então faça a experiência ser fantástica para você!

2 comentários:

  1. Bia vou escrever pra vc algo bem parecido com esse artigo, mas já adianto o pq me chamou a atenção...não sei se foi rígida minha criação mas afetou muito minha adolescencia e até os 24 +/-...confesso que ainda tem algumas sombras mas não sei como - e é isso que vou refletir esse final de semana pra te escrever - tenho de certa forma superado...eu ouvi muito "vc não serve pra nada" " ninguém vai te querer gorda desse jeito"(eu tinha só 10 anos), enfim...uma pitada de uma criação bem limitada dos meus pais e uma pitada de ganância ou ambição por parte de mãe...fui tímida (bem capirinha mesmo) e perdi algumas oportunidades de um jovem "normal"...a meditação me ajuda até hoje a me conhecer...eu fiz do momento da meditação o meu momento, o meu presente..o teatro aos 17 me fez perder a timidez e me deu auto confiança e comemoro os mais pequenos acontecimentos...li com muito carinho tudo isso e me fez lembrar de muitas coisas...posso garantir a leitora acima que vai vencer, no momento certo, na idade certa...lembrando que eu com 37 acabei de mudar alguns conceitos, então sempre dá tempo.. bjus

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    1. Olá! É, acho que todos temos alguma "falha" na educação que recebemos, é como dizem, nada é perfeito. Você está certa, não importa a idade, sempre é tempo de desconstruir, reconstruir, mudar... Já tive paciente com mais de 80 anos que mudou por completo seus valores pra ter uma velhice mais feliz - e conseguiu. Sempre é tempo, basta querer e colocar as mãos à obra!
      Pode me escrever no email bf.carunchio@gmail.com
      Beijos

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