sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ágora - Medo de morrer

Boa tarde Bia,
Li alguns artigos seus sobre morte e achei muito interessante. Mas acho que faltou falar uma coisa, que é um problema que me incomoda, que é o medo de morrer. Sempre tive esse medo e não consigo ficar tranquilo nunca porque sei que a morte pode vir a qualquer momento. Não perdi ninguem nos ultimos tempos, não tenho nenhum problema de saude mais serio (só alergia de ele e sou meio ansioso e um pouco depressivo as vezes mas ninguem morre disso). Então não entendo porque posso ter esse medo. Ao mesmo tempo sei que é um medo normal que todo mundo deve ter por isso nunca fui no psicologo mas comigo é muito forte. Como eu faço pra perder esse medo? Obrigado.
Filho de Hades - São Paulo, SP


Olá, Filho de Hades (curti o nome!),

Você está certo quando diz que é normal ter medo da morte. Em algum momento da vida, todas as pessoas vão sentir isso com um pouco mais de intensidade, quase sempre ao se deparar com a possibilidade da própria morte ou com a morte de pessoas queridas ou, ainda, em momentos chave de grandes crises e transformações em que a ameaça de não existir se faz mais concreta. A morte é a face do desconhecido que todos nós, um dia, teremos de enfrentar. Não sabemos quando, nem como, e nem podemos perguntar a alguém como é. Isso assusta.

Mas não é normal ter um medo da morte tão intenso que prejudique o fluir da vida. Não é normal, num momento em que não estamos frente a frente com a morte (nossa ou do outro), nos sentirmos paralisados perante à vida. Não é normal que esse medo chegue a um ponto em que nos sentimos ansiosos e depressivos o tempo inteiro. Claro, o medo da morte é existencial. Não é algo como o medo de altura ou de falar em público que a gente supera, é um medo que sempre será parte de quem somos. Mesmo assim, vale a pena procurar um psicólogo para falar sobre isso e aprender a lidar com esse medo de um jeito mais tranquilo.

Vejo vida e morte como parte de um mesmo todo. Sendo assim, a morte é o grande objetivo da nossa vida, o maior rito de passagem, para onde nós todos caminhamos. Assim, o medo da morte faz parte, mas quando é um medo mais intenso, ele se reflete como um medo da vida. E aí podem aparecer problemas como ansiedade, depressão, pânico, sintomas psicossomáticos, e mesmo comportamentos de esquiva frente a desafios e situações normais da vida, pois as pequenas mudanças e desafios (crescer, tornar-se independente, mudar-se, mudar de trabalho, formar uma família, começar um novo projeto...) passam a ser associadas de um jeito ruim à grande e maior mudança: a morte. Pensando nisso, psicoterapia te ajudaria muito. Somos um jogo complexo de luz e sombra. Apenas quando esses dois elementos dão as mãos é que o todo ganha harmonia e passa a ser inspirador ao invés de ameaçador.

beijos,
Bia


Para participar da coluna Ágora, envie a sua pergunta para o email bf.carunchio@gmail.com, você também pode participar enviando sua pergunta através da nossa página no Facebook ou do meu perfil pessoal.  Você tem a opção de se identificar ou de se manter como anônimo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário