sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ágora - Melhorando a relação entre a madrasta e o enteado

Boa noite, Bia. Tudo bem com vc? Eu queria mandar uma pergunta pro seu blog. É que assim, estou namorando faz um tempo e agora estamos pensando em casar. Só que o meu namorado tem um filho que mora com ele, a mãe do menino mora em outro estado e não quer nem saber. Ele tem 7 anos e não me aceita de jeito nenhum, fala que eu não sou a mãe dele e que nunca vai gostar de mim. Eu fico mal porque gosto do menino, meu sonho era ser mãe só que não posso porque uns anos atrás perdi meu bebê e precisei tirar o útero. Quero muito me casar com ele e que a gente seja uma família, claro que não vou ser mãe verdadeira do meu enteado, ele tem mãe e eu estou feliz em ser madrasta, mas gostaria que ele pelo menos me aceite e que a gente possa ter um relacionamento legal. Estou tentando acertar mas não sei mais como. O que eu faço?
Suely - Maringá, PR


Bom dia, Suely!

É uma situação delicada. O menino é novinho e ainda não tem aquela compreensão mais racional de um garoto mais velho, do tipo "espero que meu pai seja feliz". Mas nada é impossível e acredito muito que para tudo tem jeito. 

Uma coisa interessante é antes de se casarem, vocês três fazerem atividades juntos, como uma família. Pode ser um passeio num parque da sua cidade, ou mesmo uma tarde gostosa em casa, com muitas brincadeiras. As crianças tendem a ficar um pouco arredias quando estão com medo de uma situação nova, e o pai se casar é algo novo e que trará mudanças para a vida e a rotina da criança, é normal ele precisar de um tempinho para se acostumar com a ideia. Fazer coisas juntos ajuda a criança a perceber que está segura e sempre terá o seu lugar na família, ajuda a todos a se acostumarem aos novos papeis e a criar intimidade de um jeito informal e agradável.

É normal também ele ficar enciumado e pensar que o pai está trocando o amor que sente pelo filho pelo amor da nova esposa, ou mesmo pensar que a mãe está sendo substituída pela madrasta. É muito importante que os três tenham uma conversa sincera e com muita paciência, explicando tudo direitinho para ele. Mesmo que a mãe "não queira nem saber", more longe e eles nunca se vejam, ela sempre será a mãe dele e terá um lugar especial no coraçãozinho dele. É fundamental dizer que, de fato, você não é a mãe dele, mas você gosta muito dele e do pai dele, e gostaria de fazer parte da família deles. É importante vocês dizerem também que o pai sempre vai amá-lo e que ele sempre terá o seu lugar de filho. Fiquem abertos às perguntas e dúvidas dele, respondendo com sinceridade e de um jeito que a criança entenda. Ah, e nunca, de jeito nenhum, digam coisas como "eu também não gosto de você!", a criança não sabe separar o que é dito no momento da raiva daquilo que é sincero. Reforce sempre o quanto gosta e se importa, e demonstre isso com ações, estando lá para ele nos momentos necessários, participando da vida dele.

Crianças podem ser resistentes e difíceis, mas do mesmo jeito que resistem, se apegam com facilidade às pessoas que elas percebem que se importam com elas e em quem podem confiar. Suely, você está muito consciente do seu papel e com muita vontade de se integrar a essa família, tenho certeza que com boa vontade e paciência, tudo vai entrar nos trilhos.

Felicidades para vocês!
beijos,
Bia


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