terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Mythos - O Dagda: harmonizando os opostos

Esta semana temos um mito celta, do deus O Dagda, conhecido entre os celtas como “o deus bom” ou “o poderoso da grande sabedoria”. Na história mítica da Irlanda, terra de grande influência celta, conta-se que em tempos antigos diversos povos mágicos invadiram o lugar e influenciavam a cultura com seus conhecimentos e sua magia. O último desses povos foi o chamado Tuatha De Danann. O Dagda era o maior deus dos Tuatha.

Placa de uma das faces do caldeirão Gundestrup, peça encontrada no fim do século XIX, datada do período entre 200 a.C. e 300 d.C.

O Dagda é conhecido como bom por ter habilidades muito diversificada, indo das artes da guerra à música. Ele controla o clima e as colheitas, tem um caldeirão mágico que se enche com leite ou com carne para alimentar o povo. Tem ainda um pomar com árvores sempre cobertas de frutas doces que não conheciam o inverno, e dois porcos que ressurgiam após cada abate.

No entanto, entre muitos dons, pertences e habilidades, gostaria de destacar a clava com a qual O Dagda se mostrava em seu aspecto guerreiro. Não era uma clava comum! Era uma clava mágica, que mostrava a força e poder deste deus: uma das pontas matava os inimigos com um só golpe... enquanto a outra ponta tinha o poder de trazer os mortos de volta à vida!


Questões para reflexão:

1- O que, quem ou quais habilidades suas mais suprem as suas necessidades de conforto e segurança emocional? Um caldeirão que sempre se enche de alimentos nutritivos e saborosos, um pomar que sempre tem frutos maduros, controle sobre o clima e as colheitas... Hoje muita gente busca suprir as necessidades de conforto (que antes eram supridas de forma simbólica nos dons de um deus) através do consumo ou das novas tecnologias (como sistemas de aquecimento ou resfriamento de ambientes, estufas que garantem alimentos e a beleza das flores o ano todo ou mesmo os congeladores domésticos, que permitem a qualquer pessoa saborear seu prato preferido fora da época). O problema é que a nossa necessidade de segurança não é apenas física, é psicológica, emocional e simbólica. Muitas vezes, conforme repetimos nos relacionamentos a lógica de consumo e descarte, essas necessidades são negligenciada (por nós mesmos). Por isso, repito a pergunta: o que/quem/quais habilidades suas garantem o seu conforto e segurança, num sentido simbólico?


2- Quais opostos você percebe em si ou na sua vida? Como você lida com eles? Existe algum tipo de conflito ou negação? A clava de O Dagda tanto pode matar quanto devolver a vida. Existem diversas formas de lidar com os opostos que existem em cada um de nós. Uma dessas formas é o conflito, com tendência a um lado ou ao outro. Outra forma, pode ser a confusão, quando a pessoa se nega a perceber (ou a admitir que percebeu) que existem opostos em si/em sua vida e que precisará fazer algo a esse respeito. Algo típico dessa postura é negar um dos lados e supervalorizar o outro. Uma terceira forma possível de lidar com os opostos (e uma forma mais saudável e equilibrada) seria integrá-los. Sim, é difícil e exige muita determinação e maturidade. Mas vale o esforço! Quando nossos opostos estão integrados, deixam de ser, por exemplo, raiva e tranquilidade, ou insegurança e autoconfiança, ou o que for. Eles se unem de forma harmoniosa e se transformam, dando origem a um terceiro elemento que, mutas vezes, é a chave que tanto procurávamos.

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