sexta-feira, 28 de março de 2014

Ágora - Dar limites traumatiza?

Doutora, leio sempre o blog e gosto muito de ver as perguntas que mandam por que sempre aprendo alguma coisa de bom pra minha vida. Eu fiquei pensando e tambem tenho uma pergunta que acho que pode ajudar mais pessoas. Eu fui mãe nova, com 16 anos e o meu namorado era novinho tambem. Meu filho hoje tem 2 anos e amo ele demais, apesar de muitas vezes ser difícil. Estou com um conflito, porque o meu filho Lucas entrou numa fase que só sabe dizer não e fazer birra. Eu tento ser firme, fico séria e digo que não é assim que se consegue as coisas, tento educar. Mas meu namorado fala que é cedo pra essas coisas, que a cabecinha do Lucas ainda não entende e que vou acabar traumatizando o menino. Estou certa? Ou é melhor deixar pra por esses limites daqui uns aninhos? Muito obrigada. bjs
Aline - Cubatão, SP


Bom dia, Aline!

Dar limites não traumatiza. Ao contrário, enche a criança de confiança. Quando a criança ganha limites, ela passa a saber com clareza o que pode e o que não pode, e isso lhe dá a certeza de que é amada e respeitada, de que a família cuida e se preocupa com ela. 

Muitas famílias me procuram por causa da falta de limites, que quando existe não é apenas das crianças, mas da família como um todo. Quase sempre a preocupação é algo como "meu filho não tem limites e tenho medo que por conta disso ele não respeite os demais e arrume problemas sérios". É uma preocupação muito verdadeira e digna. No entanto, a falta de limites tem outro lado, tão preocupante quanto esse e que nem sempre se dá atenção. A pessoa sem limites nem sempre desrespeita os outros. Algumas vezes, ela se permite ser desrespeitada, o que a leva a um ciclo sem fim de situações de violência, abusos, relações e amizades abusivas... Isso é tão complicado quanto a outra situação! Quando alguém tem limites claros, é como se ela tivesse um "contorno", ela percebe direito o que é ela e o que não é ela, até onde ela pode ir, quando precisa se superar e, muito importante, até onde ela permite os outros irem ao lidarem com ela. Uma pessoa com limites claros e firmes respeita os outros e também a si mesma, sabe ouvir "não" e dizer "não" quando precisa.

Se a cabecinha do Lucas entende isso? Claro que entende! Entende tão bem que sabe até transgredir! Mostre que você percebe as transgressões, quando ele faz alguma coisa que não pode, diga, em tom sério e sem rir, que não pode. Em algum tempo, ele vai querer saber o porquê. Não se irrite, explique. Ter limites não é ter obediência cega, é saber pensar. Claro, de forma séria, mas ao mesmo tempo, respeitosa. De forma que a criança entenda. Não pode se debruçar nessa janela alta porque é perigoso cair, se isso acontecesse, ia se machucar feio, a gente teria de ir para o hospital e seria bem chato... Lembra do dia que você caiu da bicicletinha, como doeu? Então, dessa janela o tombo é pior, por isso não pode. A criança entende sim. E respeita quando é tratada com respeito. Muitas crianças rebeldes são assim porque não vêem um sentido nas regras da família, por isso é importante que ele saiba o porquê de estar fazendo o que você pede. Com isso, no futuro, o Lucas saberá fazer boas escolhas, pensando bem nas consequências e assumindo de forma mais tranquila as responsabilidades que a vida nos exige. 

Não tenha medo de colocar limites, são eles que vão ajudar o Lucas a crescer de forma madura, com senso crítico e sabendo assumir a responsabilidade pelas escolhas dele. Não tenha medo de ser mãe!

beijos pra vocês!
Bia


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4 comentários:

  1. Bia,obrigada por existir e ter este blog tão lindo.Sucesso!!Adoro mitologia...

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  2. ola bia??? eu tenho preocupações com minha sobrinha de 03 anos, ela é uma criança não agitada , mais muito avançada para a idade dela, ela começou a andar e falar antes do primeiro aninho , hoje com 3 aninhos é um furacão, super inteligente, aprende muito rapido e tem exigências que não acho muito normal para um "ser" tão pequeno, EX:ela so faz as refeições a mesa e com todos os talheres e não pode esquecer o guardanapo , toma seu leitinho na xicára mais exige o pires da xicára,manuseia o garfo e faca com muita eficácia e não derruba um grão de comida na mesa e se caso aconteça ela limpa na hora, dobra as roupinhas dela em alinhamento perfeitom ela gosta assim e assim faz, e ninguem ensinou, ela apenas viu nos adultos fazendo, é uma criança que brinca de casinha , ve desenhos, brinca normal, mas quando quer algo grita até conseguir, toma o brinquedo de outras crianças e se preciso for bate na criança e quando questionada, diz que não fez nada, e um detalhe mesmo que o brinquedo não agrade ela , ela quer so para ver a outra criança chorar, belisca empurra as crianças, e quand quer algo de outra criança , anda atras da criança até conseguir tomar sem que ninguem veja, é muito danadinha, no mais é uma criança normal que brinca corre, ri muito, so é amorosa com os pais , com o resto é mal educada , fala até palavrões e não aceita carinho de ninguem..se poder me dar um conselho desde ja agradeço

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    Respostas
    1. Olá, Isa!
      O desenvolvimento da sua sobrinha aparentemente está conforme o esperado para a idade dela. Crianças de três anos fazem birra, brigam com os coleguinhas, e podem ser um tanto "incisivas" ao expor suas escolhas e vontades, inclusive com os adultos, pois nessa fase eles ainda não desenvolveram as habilidades sociais tanto como nós adultos. Ainda não tem aquela maturidade das crianças mais velhas, de pedir, negociar, ouvir e compreender o outro, nessa fase elas ainda estão focadas nelas mesmas (e isso é normal, tem sua importância no desenvolvimento). Claro, cabe aos familiares ou cuidadores ir colocando os limites, explicando que não é para bater, que o brinquedo não é dela e sim do amigo e, se quiser, terá de pedir a ele, que não pode falar palavrão, que precisa sim obedecer aos pais, etc.
      As exigências de comer com talheres e usar o pires, guardanapo e etc. estão muito bem! Mostram que ela está aprendendo os limites bem, o que ela logo irá generalizar nos demais comportamentos e situações da vida.
      Se acharem necessário, levem a criança a um psicólogo para ver se está realmente tudo bem (afinal, só podemos ter certeza examinando direitinho...). Lembrando, são os pais quem devem levar a criança ao psicólogo, pois eles é que são os responsáveis por ela.
      bjs

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