sexta-feira, 14 de março de 2014

Ágora - Será que meu filho usa drogas?

Queria mandar uma pergunta pro blog. Tenho um filho de 15 anos e ele está diferente, mas agressivo, não quer ir pra igreja e fala que não acredita em Jesus e fala que a vida é dele e não posso me meter. Um amigo dele usa drogas e eu sempre digo pra não andar com o R., mas ele não me ouve. Tenho muito medo que meu filho esteja nas drogas e queria saber como eu faço pra saber se ele está ou não. Obrigada e deus te abençoe.
D.


Bom dia, D.

Vamos por partes. É normal que durante a adolescência os filhos, aos poucos, deixem de lado a opinião da família e busquem as próprias ideias e valores. Isso é um processo em que o jovem questiona opiniões que sempre teve como "certas", para formar a sua própria visão de mundo, e não precisa ser, necessariamente, uma fase agressiva ou de rebeldia. É normal e saudável, de alguma forma, todos nós passamos por isso. É comum que experimentem religiões diferentes, que façam novos amigos, que sonhem com um futuro que nem sempre é o mesmo que os pais sonharam. Isso não quer dizer que o jovem use drogas e nem que esteja com algum problema. Mas, claro, as famílias se preocupam com isso e sempre querem o melhor para seus filhos. Pensando nisso, separei alguns sinais que indicam que a pessoa possa estar usando algum tipo de droga:

- Isolamento sem motivo. O jovem que adorava passear com os amigos, "do nada", se torna calado e nem pensa mais em sair de casa. Claro, é preciso ver o contexto. Se, por exemplo, ele acabou de brigar com a namorada, ou está numa fase de muito estudo, mudou de bairro/cidade/escola e ainda não se enturmou, muitas vezes ele fica mais quieto. De todo jeito, cabe conversar e saber se está tudo bem.

- Mudança no grupo de amigos. Claro que pode acontecer da pessoa mudar de grupo por encontrar um com que se identifica mais... Mas uma mudança muito grande chama a atenção, especialmente se acontece "sem motivo", e o novo grupo é muito diferente do anterior.

- Mudança brusca de comportamento. Por exemplo, o jovem estudioso que se  torna irresponsável com suas tarefas, ou era amoroso e se torna agressivo sem motivos maiores, passa a gastar muito mais do que o usual, cometer atos de delinquência pequenos ou mais graves (como roubos, inclusive dentro de casa). São comuns o comportamento inquieto e agitado ou, ao contrário, a pessoa ficar apática, sempre de forma mais intensa que o usual para o jovem.

- Mudanças repentinas de humor. Da euforia e agitação, para a melancolia ou apatia. Podem acontecer crises de choro ou risso sem motivo, alterando de um estado para o outro subitamente.

- Baixa motivação para as atividades do dia a dia, como ir para a escola, ajudar em casa, ou mesmo atividades que ele gostava, como praticar um esporte ou ir a passeios.

- Queda no rendimento escolar. Em alguns casos, também é comum aumentarem as faltas às aulas e o abandono dos estudos. Claro, é preciso observar o contexto. A queda no rendimento pode acontecer por outros problemas, como de relacionamentos, estresse, ter sofrido algum tipo de violência ou perda, ou mesmo por alguma dificuldade pontuada nos estudos.

- Sinais físicos: aumento ou diminuição brusca do apetite; ter mais sono do que costumava ou, ao contrário, dormir muito menos do que antes; olhos vermelhos; alteração no ritmo de fala (por exemplo, aquela fala mais "pastosa"); usa óculos escuros com frequência, inclusive em dias chuvosos, dentro de casa, durante a noite, etc.; usa apenas roupas de manga longa, mesmo em dias mais quentes (drogas injetáveis); troca o dia pela noite; descuido com a higiene pessoal.


O que fazer? 

- Caso esses sinais sejam percebidos, especialmente um ou outro de forma isolada, é preciso conversar com o jovem antes de tirar conclusões precipitadas. Sem acusações e com respeito, mas ao mesmo tempo com firmeza. "Percebi que você parece mais quieto e triste, não sai e descuidou dos estudos, o que está acontecendo?" 

- Caso exista a dependência, é preciso ser firme e não ceder a chantagens emocionais, do tipo "paro quando eu quiser" ou "prometo não usar outra vez". Um ponto muito comum nos dependentes químicos é a falta de limites, portanto, isso precisa mudar. Especialmente se ele é menor de idade, a responsabilidade (e a decisão) é da família, o dependente químico está doente e não está em posição de escolher o que ou quando fazer.

- Buscar tratamento para o usuário e também para a família. Algo grave, como a dependência química, é um sinal claro de que algo não vai bem na família como um todo. Por tanto, a família também precisa ser tratada, pois está na posição que chamamos "co-dependência". Ah, e não, a dependência química não pode ser resolvida em casa, "rapidinho",  pela própria família, é um problema sério que precisa de ajuda e cuidado profissional.

- Prevenir: ser uma família presente na vida das crianças e jovens. Não apenas na adolescência ou em momentos de crise, mas sempre. Conversar sempre, sobre tudo, deixar os filhos falarem também aquilo que pensam ou sentem. Sejam uma família presente, cuidem uns dos outros, se importem e se respeitem sempre. Se ele não recebe atenção em casa, outras companhias, nem tão legais, não vão pensar duas vezes antes de fazer isso...

Boa sorte para vocês.
beijos,
Bia


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