quinta-feira, 24 de abril de 2014

5 Hábitos autodestrutivos

Muito se fala sobre hábitos saudáveis. Pensando nisso, pensei em fazer ao contrário: vamos conversar hoje sobre hábitos que muitas pessoas têm, algumas vezes até sem perceber, e que nos fazem mal, no sentido psíquico e emocional.

Importante: esta NÃO é uma conversa sobre hábitos como compulsões, ou pessoas que se mutilam, que se colocam em riscos graves e diversos ou algo do tipo, que são casos sérios e que precisam de tratamento. São situações do dia a dia que todos nós passamos em alguns momentos, num contexto ou em outro.
Já ouviu a expressão "dar um tiro no próprio pé", usada quando a pessoa sabota a si mesma?
A dor emocional de um "golpe" vindo da pessoa em quem mais deveríamos confiar (nós mesmos), dói tanto quanto...

1- Não admitir (para si mesmo) o que te faz feliz:
Não importa o que é, nem de que área da vida estamos falando. É preciso ter consciência daquilo que nos deixa bem, e que nem sempre é a mesma coisa que deixaria seus amigos, sua família, seus colegas ou o pessoal em geral felizes. Exemplos: o pai de Margarida sonha em ter uma filha médica, e para corresponder às expectativas do pai e ser visto por ele como uma pessoa de sucesso/inteligente/(acrescente aqui as características que preferir), Margarida até prestou vestibular para medicina, talvez tenha até iniciado o curso e, quem sabe, se formado. Mas na realidade, o sonho dela era trabalhar com algo completamente diferente, aliás, ela morria de aflição de ver sangue! Ou seja, não adianta se iludir pensando que o reconhecimento do outro trará aquele sentimento de realização para você quando você está vivendo um sonho que não é seu, indo atrás de uma meta que não é sua ou entrando num relacionamento com aquela pessoa que você já percebeu que não tem nada a ver com você. Nada apodrece mais depressa do que sonhos mortos.

2- Acomodar-se:
Quando eu era criança, minha mãe tinha uma poltrona amarela imensa, pertinho de uma janela que dava para um jardim bem florido, onde se podia tomar um solzinho enquanto lia um bom livro. Eu sempre ia me sentar lá para ler os livros da escola e nunca dava certo: o lugar era tão confortável e me acomodava tão bem que minha mente se perdia em distrações e eu nunca terminava as tarefas... Com a vida da gente é a mesma coisa. Sabe aquele relacionamento com a pessoa que não é tão a sua cara, mas até que é legal? Ou aquele emprego totalmente oposto ao que você sempre quis, mas que até paga razoável e é "só por uns tempinhos"? Ou ainda aquela gambiarra na casa que está horrível e que a gente morre de vergonha quando recebe visitas, mas até que funciona bem? Então, o nome disso é zona de conforto. Fuja disso o quanto antes, não existe crescimento aí. É como querer assar aquele pão feito da massa mais deliciosa num forno morno.

3- Desistir do que você quer sem nem mesmo tentar:
Seja por estar preso na zona de conforto, seja por insegurança ou por aquele monte de desculpas esfarrapadas que a gente sempre arruma: a faculdade está puxada, o trabalho está estressante, nem sou tão capaz assim, meus filhos são pequenos, cuido dos meus pais muito idosos, estou com o dinheiro apertado, briguei com o namorado, não tenho tempo... Gente, é triste mas é a realidade: a vida sempre nos trará tarefas, desafios e situações daquelas que a gente tem que se virar rapidinho. É parte de ser adulto, acostume-se. Os sonhos não podem e não vão ser deixados de lado apenas por esses detalhes. As alternativas: organize-se (em todos os sentidos), peça ajuda ou orientações quando necessário, admita suas falhas e erros para que possa contorná-los, calcule e planeje a sua rota de ação. Ah si, feito isso, vai fundo! Sem medo de agir e de tomar atitudes!

4- Fazer pouco caso de si mesmo:
Violeta desenha muito bem. Mas sempre que recebe um elogio, ao invés de agradecer, ela diz que nem é tão boa assim, que nunca vai chegar a lugar nenhum com os desenhos e que morre de vergonha quando alguém os vê. Admitir nossas qualidades não é ser arrogante. É ser realista! Por que podemos admitir as falhas e erros (somos até admirados ao fazer isso) mas não podemos dizer que somos bons em algo? Outra forma como isso acontece é a pessoa que, antes que todos notem algo de bom nela/naquilo que ela fez, já critica a si mesma com palavras duras e injustas. É bom ser o nosso maior crítico, mas a vida exige equilíbrio: seja, ao mesmo tempo, o seu maior admirador.

5- Perder o encanto:
Quando jovem, Rosa sempre foi uma garota cheia de vida, que sorria bastante e tinha muita motivação para ir atrás dos seus sonhos e de tudo aquilo que a deixava bem. Mas, em algum momento, algo aconteceu e tudo mudou. Ela ficou "apagada", emocionalmente falando, fria consigo mesma... Já não sorria tanto, não tinha tantos sonhos assim, não mantinha contato com os amigos e a família, não dava tanta atenção às suas necessidades, chegou até a olhar para a vida dela e pensar que não reconhecia mais a si mesma. Rosa pensou que deveria ter algo de errado com ela... Talvez estivesse com uma depressão leve? Talvez fosse o estresse, estava numa fase difícil, mesmo. Ou, quem sabe, ela cresceu e está com a vida com tantas urgências que não tem mais tempo para si mesma. Gente, isso é muito triste! Não, a Rosa provavelmente não tem depressão. Arrisco dizer que ela apenas se perdeu de si mesma quando tentava ser tão "boa" e eficiente, as coisas pararam de fazer sentido e por estar tão imersa em suas atividades diárias e sem reparar na vida, ela só se deu conta quando a coisa apertou. Não deixe isso chegar a esse ponto ou piorar ainda mais. Nunca perca o encanto da vida, por mais corrida que ela seja. Tenha uns tempinhos de respiro. Faça algo que gosta (mesmo que seja algo simples e aparentemente bobinho, como passar aquela manhã chuvosa de sábado na cama lendo um bom livro ou vendo um filme). Permita-se o seu tempo, permita-se admirar a vida e se encantar com ela. Não é perder tempo. Digo mais: esse tempinho para encantar-se é o que sustenta todo o resto.

Eu ia terminar diferente, mas resolvi fechar o artigo de hoje respondendo a uma pergunta que uma pessoa querida que leu este texto assim que terminei me fez: "por que todas as moças dos exemplos têm nome de flor?" Atento ele, não? Escolhi nomes de flores para lembrar a todos que por mais difícil e escuro que esteja o caminho, chegará o momento de desabrochar. Todos nós carregamos a possibilidade de desabrochar e ser feliz - mesmo que a vida continue corrida e cheia de responsabilidades e compromissos!

2 comentários:

  1. Caraca :/
    Me identifiquei........... aiaiai

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  2. Infelizmente... comigo acontece a quinta...
    Excelente artigo... gosto de pontos de vista analíticos dos problemas que assolam a alma humana...

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