terça-feira, 22 de abril de 2014

Mythos - Pachamama, madre tierra: terra, mãe e sustentação

Hoje, 22 de abril, comemoramos o Dia da Terra. Pessoalmente, este é um dia que gosto bastante, pela questão ecológica e pela proposta de refletir sobre a terra enquanto algo mais do que "apenas" o solo sobre o qual caminhamos. Para muitos povos, a terra é vista como uma criatura viva, a mãe de tudo e de todos. Não apenas porque nos dá os alimentos, mas também porque nos permite viver e nos permite morrer. A terra é aquela que nos nutre, nos sustenta, nos dá o "cenário"/contexto em que vivemos e, depois de tudo, ainda nos acolhe na morte, da mesma forma que acolhe as sementes que esperam para brotar.

Pachamama era uma deusa muito presente entre os povos andinos da América Latina. Ela é até hoje muito presente nessas culturas, muitos ainda a cultuam e deixam oferendas, seja na face de Pachamama, seja mesclada à face da Virgem Maria, que os conquistadores espanhóis relacionaram a ela. Seu nome é formado por duas palavras da língua quíchua, falada pelos antigos incas. Pacha significa terra, espaço, mundo e também tempo. Mama significa mãe.

Os povos antigos da região dos Andes erguiam grandes pedras para Pachamama, perto das quais enterravam suas oferendas, já que a deusa vive no interior da terra. Eles pediam a ela por uma boa colheita, mas também por proteção e acolhimento, pois a terra era uma criatura viva e dotada de poderes sobrenaturais ilimitados. Esses poderes da terra eram acessíveis em locais conhecidos como huacas. Até hoje, os povos que vivem nessas regiões enterram panelas de barro com comida como uma oferenda para Pachamama. Outro ponto curioso: esta era uma divindade essencialmente feminina. E, por ser próxima de nós como uma mãe é próxima de seus filhos, as mulheres se referiam a ela como "companheira".


Questões para reflexão:

1- Pensamos, algumas vezes, em tudo o que a terra faz por nós. Mas o que você faz pela terra? Todo relacionamento precisa de esforços e atitudes vindas de cada uma das partes envolvidas. Não existe conexão com a terra quando apenas a terra dá e nada recebe, isso é "sugar" o outro, não se relacionar! Vale tudo: de adotar uma pracinha perto de casa ou plantar um jardim (mesmo que em vasinhos nos apartamentos das grandes cidades modernas), separar o lixo para reciclagem, dar preferência a comprar alimentos frescos dos produtores locais... Simbolicamente falando, penso que não há sentido em conversar sobre temas como foco, atenção, carreira, enfim, tudo o que envolve "ter os pés no chão" se não existir, antes, uma conexão com a terra. Nosso discurso logo se tornaria vazio.

2- Muitos povos vêem a terra como nossa mãe. Os povos nativos, gregos e romanos, povos africanos e orientais... Mesmo na esfera judaico-cristã, em que a humanidade descende de um primeiro casal, o nome da primeira mulher, Eva, significa "terra". Vamos, portanto, pensar um pouco sobre a maternidade. Como é ou foi o relacionamento entre você e sua mãe (ou alguém que tenha cumprido este papel para você)? Quais são ou eram os maiores conflitos? Que características da sua mãe e do relacionamento entre vocês mais te marcou? Para quem é mãe: qual mãe você tenta ser para os seus filhos? Existe algo de parecido entre o seu jeito de ser mãe e o da sua própria mãe? O que você pensa sobre isso?

3- Nada é sagrado. As divindades, palavras, lugares e situações da vida descritas por nós como sagrados só o são porque nós, seres humanos, assim resolvemos. Nada é sagrado por si só, apenas após nós tornarmos algo sagrado, dando à coisa/ao ser um sentido sagrado. O que cumpre essa função sagrada para você? Mais do que isso, há algo que, para você, tenha um sentido semelhante ao de Pachamama, algo visto como protetor e sustentador de todo o seu ser? 

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