quinta-feira, 3 de abril de 2014

O que você evita?

"Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida." - Sócrates (470 a.C. - 399 a.C.), filósofo grego.

O ser humano, quando vive em meio a seus semelhantes, cria uma cultura, ou seja, um conjunto de costumes, regras e convenções sociais, tradições, crenças e instituições. Esses fatores culturais são peças importantes no nosso comportamento, mesmo que a gente nem sempre perceba. Isso significa que, quando mudamos a cultura, o comportamento das pessoas, numa situação semelhante, muda. Por exemplo, a forma como educamos nossas crianças, como cuidamos da nossa saúde, da alimentação, as crenças e o comportamento num momento de luto, o comportamento no local de trabalho, a relação com a sexualidade, tudo isso muda dependendo do contexto cultural em que vivemos. Claro, todo ser humano precisa comer, é uma necessidade biológica. Mas o que faz uma paulista ter fome de pizza ou um gaúcho ter fome de churrasco? O que faz uma pessoa deste mundo ocidental corrido e industrializado preferir um lanche rápido e cheio de gordura e componentes químicos? O que faz uma pessoa religiosa agradecer pelo alimento antes da refeição? O que nos faz comer com garfo e faca, com hashi ou com as mãos? A cultura da qual fazemos parte!

Comecei falando sobre isso para entrar numa outra questão. Quando pensamos em seres humanos, é bem difícil pensar em instinto. Podemos até pensar em escolhas inconscientes, daquelas que a gente mal se dá conta de ter feito, com base em valores e ideias tão enraizados que a gente também mal sabia que tinha. E aí, o pessoal diz: foi instinto. Não, não foi. Depois que o ser humano se tornou (também) um ser cultural, restam bem poucos instintos no nosso comportamento. Hoje vamos conversar sobre um desses instintos, que é observado tanto em animais como em seres humanos: a reação quando estamos frente a um ataque ou a uma situação desafiadora.

Frente a um grande desafio, temos duas reações possíveis: luta/enfrentamento ou fuga/esquiva. Em situações assim, nosso corpo libera uma grande quantidade de adrenalina, uma substância que nos deixa "acelerados", pronto para bater ou correr (seja de forma literal ou simbólica!). Importante: tanto faz se o desafio for o ataque de um animal selvagem numa época muito antiga ou algo dos dias de hoje, como perceber-se envolvido numa situação de violência, descobrir um problema grave de saúde, enfrentar o desemprego, a concorrência nem sempre leal, a perda de alguém querido, os dramas nos relacionamentos... Pouco importa qual é a situação. A reação, a princípio, é a mesma: enfrentamento ou esquiva. 

Paramos aqui para um exercício: olhe para a forma como você vem levando a vida. Perceba quais tipos de desafios você enfrenta e de quais você "foge", deixa de lado sem sequer tentar superar? Alguns tem mais dificuldade na vida profissional, ou nos estudos. Outros têm dificuldades nos relacionamentos ou nas amizades. Além do setor da vida, é interessante tentar perceber a situação de forma mais específica. Assim, quando ela se repetir, você identificará a situação desafiadora e poderá agir por escolha, direcionando o seu comportamento, não sendo escravo de reações instintivas. Por exemplo, digamos que o problema seja se enturmar num novo grupo. Talvez seja tão difícil que a pessoa nem tente, já se isolando assim que entra em contato com as novas pessoas. Se a pessoa tomou consciência desse comportamento, na próxima vez que tiver de conviver com pessoas novas, ela terá a escolha de fazer algo diferente, como dizer "oi" a alguém ou pelo menos sorrir. Claro, existem casos e casos. Pessoas passando por situações muito críticas, que envolvem sofrimento psíquico e sintomas corporais, precisam da ajuda de um psicólogo.

Nenhuma situação é um problema. Elas são apenas fatos. Somos nós, seres humanos, com a nossa mente que vive em uma cultura, que fazemos das situações boas ou ruins, tristes ou divertidas, conforme o olhar que damos a ela. E as situações complicadas? Essas podem ser ameaças das quais fugimos ou desafios que nos imploram para que sejam superados. Mesmo no campo dos instintos, a escolha é nossa!

2 comentários:

  1. É bem dessa maneira, normalmente não, nos damos conta que a opção ou decisão é nossa. E pagamos um preço alto por nossa falta de pensar e somente reagir.
    Obrigado Bia, suas leituras, ajudam a compreender ou pelo mesmo ver de outro ponto de vista as situações que vivenciamos.
    Abraços
    Claudiomir C. Ramos

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    1. Olá Claudiomir, que legal que gostou. Precisamos sempre manter a atenção, nunca viver apenas seguindo o fluxo, senão as escolhas passam sem que a gente perceba.
      bjs

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