terça-feira, 27 de maio de 2014

Mythos – Belerofonte: mantenha o foco naquilo que valoriza

Belerofonte era um jovem grego acusado de matar Belero; seu nome significa “matador de Belero”. Importante dizer, na Grécia, assim como em Roma, os nomes eram proféticos, indicavam o caminho e a história que a pessoa viveria. Mas enfim, perseguido por conta do suposto assassinato, Belerofonte se refugiou no palácio do rei Preto, que ficou feliz em lhe dar asilo. Entretanto, a esposa do rei se interessou pelo jovem visitante e, muitas vezes, tentou seduzi-lo. Mas Belerofonte era um homem muito correto, e não arriscaria perder a confiança do rei. Por isso, gentilmente se esquivava dos avanços da rainha. Farta da situação e cheia de ódio e mágoa, ela disse ao marido que o jovem havia tentado violentá-la. O rei Preto ficou possesso e tinha vontade de matar Belerofonte! Mas matar um hóspede de sangue real ia contra as leis... Por isso, disse ao rapaz que procurasse o rei Iobates, na Lícia. Junto, enviou uma carta selada contando ao amigo o que se passara e pedindo a ajuda dele para matar Belerofonte.

Acontece que também o rei Iobates acho que seria contra as condutas matar um hóspede de sangue real, mesmo ele tendo essas acusações sobre si (o assassinato e a tentativa de estupro). Iobates era um homem engenhoso, e não demorou a pensar num plano. Enviou Belerofonte para matar um terrível monstro, a Quimera, com cabeça de leão, corpo de bode, cauda de serpente e que, além de tudo, soprava fogo! Ele consultou o oráculo antes de cumprir sua missão, e lhe foi dito que a aventura seria fatal, a não ser que ele contasse com a ajuda de Pégaso, o cavalo com asas. Belerofonte partiu primeiro para encontrar e domar Pégaso e, juntos, a Quimera foi vencida com facilidade. Mas o rei Iabates ficou... desapontado, no mínimo. Como o rapaz pode ter sobrevivido?

Então, o rei Iabates, sem nem mesmo recompensar ou dar as boas-vindas ao herói, enviou Belerofonte para mais uma missão, ainda mais perigosa: ele deveria partir e derrotar dois terríveis exércitos, sendo um deles o das Amazonas, uma raça de guerreiras praticamente invencíveis. Com a ajuda de Pégaso, Belerofonte teve êxito novamente. Voltou para a Lícia, e quando o rei Iabates viu o rapaz retornar, esgotado, ferido, faminto, mas vivo, mal ode controlar sua raiva! Novamente, o rei se negou a recompensar o herói.

Belerofonte se sentiu injustiçado e, montado em Pégaso, cavalgou para o mar, onde falou com o deus Poseidon. Ele também ficou revoltado e enviou uma onda gigantesca para devastar a Lícia. O rei Iabates ficou desesperado conforme a tsunami se aproximava, também o povo entrou em desespero, implorando a Belerofonte que falasse novamente com Poseidon para que ele detivesse a onda. O rapaz assim fez e a Lícia foi poupada, assim como o rei e seus habitantes.

Depois de quase perder tudo o que tinha, inclusive a vida, o rei Iabates leu novamente a carta do rei Preto e refletiu... Se o jovem fosse mesmo culpado por tantos crimes horríveis, um deus nunca o ajudaria. Chamou Belerofonte, mostrou-lhe a carta e pediu para que contasse o que de fato havia acontecido. Quando ficou claro que a rainha havia mentido, o rei Iabates concedeu a mão de sua filha em casamento, tornando Belerofonte o herdeiro do trono da Lícia.

Ele vivia dias de glória governando seu reino. Foi um tempo de paz e abundância. Por ironia, Belerofonte encontrou sua destruição não no crime, mas no orgulho. Certo dia, Belerofonte decidiu que voaria com Pégaso até o Olimpo, onde viviam os deuses. Isso era, para os antigos gregos, um grande desrespeito (eles preferiam dar a volta nas montanhas em lugar de escalá-las, ainda que o caminho fosse mais longo). Zeus, o líder dos deuses, concordou com esse ponto de vista e também achou a atitude de Belerofonte pouco respeitosa. Ele enviou uma mosca, que incomodou Pégaso, o que fez com que Belerofonte caísse. Desde então, Pégaso pertence a Zeus. Quanto a Belerofonte, ele não morreu com a queda, que foi amortecida por alguns arbustos. Mas seu orgulho ficou tão ferido que ele nunca mais se atreveu a voltar para a Lícia e passou o resto de seus dias vivendo como um mendigo.


Questões para reflexão:

1- Belerofonte teve êxito nas tarefas mais difíceis pois tinha um foco. Repare que ele encontra sua desgraça apenas quando suas ações e escolhas passam a ser aleatórias. E na sua vida, qual é o foco? Você se mantém fiel a ele ou tem feito escolhas aleatórias?

2- Você já foi acusado injustamente de algo? Como foi, como você se sentiu? Conseguiu mostrar a realidade ou continuam acreditando nos boatos?


3- Vimos no início do mito desta semana que para os gregos e romanos, os nomes eram proféticos. Procure investigar a origem do seu nome, o que ele significa e se isso faz algum sentido na sua vida. No caso de pessoas que receberam o nome nos pais ou avós, é interessante ainda procurar saber como foi a vida dessa pessoa, quem foi essa pessoa. Profecias à parte, nosso nome é a forma mais básica de como nos identificamos e conta algo sobre nós.

Nenhum comentário:

Postar um comentário