quinta-feira, 1 de maio de 2014

Os benefícios da espiritualidade

Muita gente hoje em dia pensa que espiritualidade é coisa de pessoas menos informadas, ingênuas ou até pouco capazes intelectualmente. Mas não é bem assim. Uma espiritualidade equilibrada faz parte de uma vida saudável. Pouco importa como seja a forma de viver essa espiritualidade: numa religião mais tradicional ou numa mais nova; um apanhado de crenças, ideias e práticas que fazem sentido para a pessoa; ou ainda sem religião, apenas seguindo a ética e os valores morais que fazem sentido na vida de cada um.


Do ponto de vista da psicologia, definimos espiritualidade como a capacidade que todos têm de se conectar a algo que vai além de si mesmo, além deste tempo e deste lugar, reconhecendo essa presença superior (deuses e deusas, guias, espíritos, orixás, santos, uma energia criadora, pouco importa o que) como algo que preenche a realidade com um sentido especial, tornando-a o reflexo daquilo que acreditamos. Por exemplo, algumas pessoas acreditam que “Deus escreve certo por linhas tortas”, que por mais que sofram ou tenham contratempos, as coisas estão no caminho em que precisam estar. Outros, devido às suas crenças, vivem num mundo cheio de todo tipo de criatura, como elementais, deuses, e outros seres que garantem uma ordem harmoniosa. Outros vivem o misticismo, o contato direto com o divino sem intermediários, como se para a pessoa a nossa realidade material e a espiritual fosse uma só. Além de dar um tom diferente à forma como olhamos para o mundo, a espiritualidade saudável traz diversos benefícios para a nossa saúde física e mental, e vem sendo muito estudada no Brasil e no exterior. Confira alguns desses benefícios:

Psicológicos: controle da ansiedade e de transtornos relacionados a ela, como a síndrome do pânico ou mesmo a insegurança perante o futuro e o desconhecido que todos nós sentimos vez ou outra, controle da depressão, melhor gerenciamento do estresse, visão de um sentido maior na própria vida.

Físicos: controle do cortisol e adrenalina, hormônios relacionados ao stress e ansiedade que, quando desequilibrados, geram efeitos como problemas cardíacos, hipertensão, obesidade, problemas musculares, predisposição a infecções e dificuldades de cicatrização. Além disso, pessoas que vivem sua espiritualidade com envolvimento tendem a envelhecer mais devagar, pois pessoas espiritualizadas são as que mais apresentam um gene chamado VMAT, “o gene de Deus”, que retarda o envelhecimento genético.

Sociais: Principalmente quando o caminho espiritual ou religião que seguimos nos coloca em contato com pessoas de fé semelhante, isso contribui para que a gente se sinta pertencente a uma comunidade, a um grupo que se importa com a gente e quer nos ver sempre melhor. Além disso, a espiritualidade equilibrada estimula o sentimento de gratidão, solidariedade e empatia/compaixão, o que com certeza torna o grupo mais próximo e especial para nós, como uma família.

Comportamentais: diversos estudos apontam que pessoas que vivem uma espiritualidade equilibrada geralmente são mais saudáveis, evitando comportamentos de risco (como abuso de drogas e outras substâncias nocivas, colocar-se em riscos de todo tipo). Também são pessoas mais propícias a adotar um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada e exercícios.


É importante lembrar que na espiritualidade saudável existe equilíbrio. Isso significa que é uma face importante da vida da pessoa, algo muito presente na realidade dela mas que, ao mesmo tempo, não é fanática ou radical, existe respeito pela opção de vida de outras pessoas.


Escrevi este artigo originalmente para a coluna O Templo Interior, do site Frutos do Carvalho. Foi publicado no dia 27/01/2014.

2 comentários:

  1. como fica um ateu como eu que acredita apenas no comprovado cientificamente? minha espiritualidade é "cientifica" (a ciencia em si mesma)?

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    1. Olá, Herikko. Como dito no texto, para a psicologia, a espiritualidade não implica necessariamente na crença religiosa ou na experiência mística. É algo que todos têm, e que pode ser vivida de forma saudável e madura através de discursos religiosos e/ou não religiosos. Alguns exemplos da espiritualidade laica são o nacionalismo em alguns países (como o respeito do povo americano para com a bandeira, ou o orgulho que os imigrantes e seus descendentes têm da terra natal), uma ideologia política ou filosófica, a dedicação a uma equipe esportiva ou a um ídolo midiático, e sim, o discurso científico pode cumprir este papel em certos casos. A espiritualidade ainda se expressa até mesmo em pensamentos laicos e completamente pessoais, como a ideia de que existimos para a felicidade, ou de que estamos no mundo para fazer o nosso melhor, ou ainda que a vida é um simples acaso, entre infinitas possibilidades. A nossa espiritualidade nunca é "pura", tem diferentes elementos, mesmo no caso de pessoas que seguem uma religião mais tradicional, pois o jeito como a pessoa vivencia o discurso religioso, passa pela visão pessoal, pela história de vida, pelos valores de cada um. Portanto sim, ateus e agnósticos também possuem espiritualidade, o que chamamos de "fé laica" (não necessariamente científica, pois ciência e religião não precisam necessariamente ter uma relação de conflito ou oposição).

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