terça-feira, 24 de junho de 2014

Mythos - Parvati: harmonia e completude

Hoje temos um mito indiano. Parvati é uma das esposas de Shiva. Ela é filha do Himalaia e do rio Ganges, dois importantes símbolos da região em que esse mito surgiu. Mas nem sempre ela foi Parvati. No início, seu nome era Sati. Ela era a filha de Daksha e quando chegou a idade de se casar, o pai deu uma linda festa para que ela escolhesse entre seus pretendentes. No entanto, não convidou Shiva (pois ele havia sido banido do convívio com os deuses por haver cortado uma das cabeças de Brahma). O pai anunciou que Sati jogaria sua coroa de flores, e o deus que a pegasse seria o noivo de sua filha. Para a surpresa de todos (em especial do pai!), Shiva apareceu bem neste momento e pegou a coroa! Sem escolha, todos concordaram com o casamento.


No entanto, as coisas não iam tão bem para a jovem. Ela amava seu pai, e também amava seu marido... Mas os dois viviam para implicar um com o outro. Sati não suportava tanta discórdia e tantas brigas na família. Farta da situação, ela se atirou no fogo sacrificial e morreu. Vishnu, o deus preservador, ao ver o desespero de todos, fez com que a deusa renascesse como Parvati, uma deusa ainda mais bela e esposa perfeita.

Parvati é uma deusa doce e gentil. No entanto, o relacionamento dela com o marido não é tão simples e, embora ela sempre consiga acalmá-lo, os desentendimentos são frequentes. Certa vez, ela cobriu os olhos do marido com as mãos e isso fez a escuridão cair sobre o mundo. Cheio de raiva, Shiva fez com que um terceiro olho surgisse na própria testa, devolvendo a luz ao mundo. Simbolicamente, Parvati é a deusa que equilibra o temperamento mais duro do marido, trazendo paz, harmonia e doçura para o mundo.


Questões para reflexão:

1- Sati se sacrificou por outras pessoas. Ou melhor, por não suportar a desarmonia entre pessoas amadas. Você percebe esse tipo de movimento em si? Você tende a se sacrificar pelos outros (em que momentos e por quais pessoas)? 

2- Quando Sati morre e renasce como Parvati, o que acontece, simbolicamente, é um rito de passagem. Ela deixa de ser aquela que se perturba com a desarmonia ao seu redor e se torna, ela mesma, uma fonte de harmonia. Além disso, no rito de passagem ela entrou em contato com sua escuridão e com seu mundo interior, passando a ter acesso ao que mais necessitava (no caso desta deusa, a harmonia). O que você mais precisa? Como isso se mostra no seu mundo interior? Se tiver dificuldade de pensar sobre isso, vale fazer um desenho deixando os sentimentos virem...

3- Parvati e Shiva formam uma unidade enquanto casal, um todo pleno de equilíbrio. Ele é agitado e ela é mais calma. Ele tem um modo de ser mais conturbado, seu equilíbrio emocional parece mudar como as marés... Já ela é doce e gentil, sempre harmoniosa. Pode parecer, aos olhos ocidentais de hoje em dia, duas pessoas diferentes demais. Mas a mitologia (e talvez a vida) é assim mesmo, os relacionamentos e parcerias fazem com que as duas partes se tornem uma unidade, que precisa de equilíbrio, precisa funcionar bem. Como são seus relacionamentos mais íntimos? Existe esse equilíbrio? As diferenças se somam, potencializando algo de harmonioso ou vivem numa competição sem fim devido às diferenças e semelhanças?

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