quinta-feira, 5 de junho de 2014

O poder do sorriso, as posturas corporais e os estados emocionais

Há quem diga que o sorriso é a menor distância entre duas pessoas. De fato, quando a gente vê um sorriso sincero, é bem difícil não sorrir de volta. Parece que até o dia mais cinzento fica um pouco mais colorido, a gente se sente acolhido e renovado, a alma fica leve.


Existem dois tipos de sorriso. Cada um deles tem sua origem numa área diferente do nosso cérebro. No popular, existem sorrisos sinceros e sorrisos “falsos”, como tanto se ouve dizer. O que faz de um sorriso sincero? A pessoa realmente quer sorrir, não está forçando uma situação, seja pelo motivo que for. Em termos neuropsicológicos, o sorriso sincero tem sua base em emoções que a pessoa realmente sentiu e, por isso, a origem dessa reação de sorrir está no sistema límbico, a área do nosso cérebro responsável pelas emoções e pelas reações que elas causam no nosso corpo e no nosso comportamento. Já o sorriso “falso” é algo puramente mecânico, que se origina no córtex motor, a porção do cérebro responsável por alguns dos nossos movimentos, coordenação, etc. Quando alguém força um sorriso, seja por falsidade ou apenas para ser gentil, não existe uma emoção diretamente envolvida, é apenas um comportamento motor. Visualmente, isso se traduz em algo curioso e interessante: enquanto o sorriso motor (o falso) é quase que completamente simétrico, o sorriso límbico (sincero) é ligeiramente mais puxado para a esquerda.

Sinceridades e “falsidades” à parte, sorrir traz uma série de benefícios para a saúde: diminui o risco de doenças cardíacas, aumenta o nível do HDL (o “colesterol bom”), diminui a pressão arterial, aumenta a absorção de oxigênio (isso ajuda a “limpar” o corpo), melhora a digestão e a circulação sanguínea, tonifica a pele, melhora a autoestima, diminuindo as emoções associadas a estados depressivos, como tristeza ou raiva. Para idosos, os efeitos de boas gargalhadas diárias são bem semelhantes ao de exercícios físicos, pois o corpo é oxigenado, a circulação é trabalhada e endorfina é liberada. Entre pacientes com doenças crônicas ou que passaram por cirurgias mais invasivas, observa-se que aqueles que, além do tratamento convencional, assistem vídeos de humor por 30 minutos todos os dias, os efeitos do tratamento e a qualidade de vida aumenta muito. Em alguns estudos, mesmo pacientes em coma ou sedados se beneficiam com o sorriso, quando forçado com esparadrapos.


De fato, o corpo e a mente são parte de um todo, não se dividem. Lembro-me de quando era estudante e fui a uma aula sobre depressão em que o professor fez uma experiência com a classe, pedindo a todos que ficassem em silêncio, com as costas curvadas, expressão facial neutra e olhando para baixo. Apagaram a luz, deixando a sala na penumbra e no silêncio completo. Em cerca de 10 minutos, alguns colegas choravam, e a maioria, ao fim da experiência, relatou ter sido bombardeado com lembranças ruins, pensamentos negativos quanto ao futuro e à vida ou, ao menos, terem remoído antigas mágoas. Conclusão: nossa postura corporal está muito ligada ao nosso estado emocional e se podemos “fabricar” um estado depressivo, também podemos criar um estado de tranquilidade e bem estar, por exemplo, mantendo a postura ereta, o pescoço e os ombros relaxados e um lindo sorriso nos lábios (mesmo que, no início, seja um sorriso “falso”).


Publiquei este artigo originalmente no site Frutos do Carvalho, no dia 14/04/2014.

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