sexta-feira, 25 de julho de 2014

Ágora - Amor platônico

Bia, uma sugestão pro seu blog, fala sobre amor platônico. Até que ponto isso é normal. Quer dizer, isso é normal?? Uma amiga minha que pediu, mas ela tem vergonha de falar. Obrigada.
Anônima


Bom dia, anônima e amiga da anônima.

Primeiro, precisamos entender o sentido dessa expressão "amor platônico". No sentido original, o amor platônico era um sentimento de amor sem interesses românticos ou sexuais, como quando alguém se apaixona pelas ideias, pensamentos, pelos sentimentos do outro, pelo seu jeito de ser e personalidade. Platão, o filósofo grego de quem emprestaram o termo "platônico", acreditava que tudo o que existe no mundo real é uma cópia daquilo que existe no que ele chama de "mundo das ideias", um mundo com formas perfeitas e idealizadas. Assim, caímos no segundo sentido do termo "amor platônico", que penso ser o sentido que as meninas perguntaram. Um amor que só existe nas nossas ideias, não é colocado para fora. A pessoa vive esse amor pelo outro apenas dentro de si mesma, de forma idealizada. 

Sim, amor platônico acontece, é algo normal. Se a gente olhar para trás, provavelmente a maioria das pessoas já teve um amor platônico por alguém, seja no sentido que for. Indo além, antes de se concretizar e as pessoas estabelecerem algum tipo de relacionamento, todo amor é platônico, desde o momento em que já existe o interesse e ainda não nos demos conta, até o momento em que decidimos abrir nossos sentimentos para a pessoa. 

Até que ponto isso é normal, vocês gostariam de saber. Difícil dizer. Porque cada casal (mesmo que um possível casal) e cada pessoa tem suas formas próprias para lidar com aquilo que sente. Existem algumas pessoas que acham angustiante guardar sentimentos dentro de si e, assim que tomam consciência do que sentem, já dizem ou demonstram para o outro. Da mesma forma, existem pessoas que têm um pouco mais de dificuldade de demonstrar aquilo que sentem, seja por timidez, insegurança, medo de ser rejeitado ou mesmo de assumir um relacionamento. As duas posturas (e todas as infinitas formas de agir que existem entre os dois extremos) são normais. Mas, claro, se a pessoa só vive seus amores dentro de si mesma, em algum momento isso se tornará um tanto frustrante (seja por durar mais tempo, seja pelos sentimentos serem mais intensos, etc.) e a pessoa precisará ser sincera com ela mesma e decidir o que gostaria de fazer com aquilo que sente.

Uma linha de pensamento que pode ajudar, é refletir sobre os motivos que te levam a manter os sentimentos em segredo. Busque perceber se os motivos são reais ou se são apenas pautados no seu medo/insegurança/timidez. Com os motivos claros, imagine qual seria a pior situação que você poderia enfrentar ao expor seus sentimentos (e que poderia se concretizar ou não, ninguém sabe!). Então, avalie sendo muito sincera com você mesma o que te faria mais feliz. A questão não é sobre o que seria mais "tranquilo" para você, nem tudo é tranquilo, a vida nos coloca em desafios e, bem ou mal, nós os enfrentamos. Isso é, sim, sobre a sua felicidade. Não tem resposta certa ou errada, apenas o que te faz sentir bem com você mesma. 

beijos,
Bia


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