terça-feira, 1 de julho de 2014

Mythos - Shu, Hu e a morte do Caos

Muitos dos mitos da China antiga são na verdade histórias alegóricas, isto é, histórias contadas por filósofos para explicar e discutir algum tipo de situação. Esta história foi escrita pelo filósofo taoista Zhuangzi, por volta do século IV a.C. e discute a importância de superar os momentos de caos para que o entendimento possa surgir e, com ele, algo de bom.

O sábio taoista Zhuangzi.
Shu, que era o imperador do Mar do Norte, e Hu, o imperador do Mar do Sul, encontravam-se com muita frequência no território do centro, governado por Hun Dun, o Caos. Importante dizer que o Caos sempre os recebia bem, fazendo de tudo para que os imperadores passassem o maior tempo possível em seu reino. Certo dia, Shu e Hu conversaram sobre essa atitude do Caos e pensaram que poderiam fazer algo por ele, já que sempre os recebia. Na conversa, perceberam que os dois tinham sete orifícios corporais cada um, por onde poderiam ouvir, falar, respirar... Já o Caos não tinha nenhum, ficava preso apenas em si mesmo. Resolveram, então, abrir orifícios no Caos, para que ele pudesse se comunicar. No entanto, o Caos morreu no processo. Depois da morte do Caos, o mundo conheceu a realidade de forma mais ordenada.


Questões para Reflexão:

1- O Caos não tinha orifícios corporais para se comunicar. Isso significa que o caos é surdo e mudo, não consegue ouvir e nem se expressar. Isso que o torna caótico. As pessoas não conseguem colocar aquilo que pensam e nem ouvir o outro cada um só fica preso em seu próprio pensamento, e como não se pode chegar a consensos sem a comunicação ordenada, o Caos impera. Recorde os momentos de maior caos que você já passou. Quais estratégias você usou para superar o momento?

2- Quando Shu e Hu decidiram abrir orifícios no Caos para que ele se comunicasse, o Caos morreu. A morte do Caos é algo libertador, pois trouxe no mesmo instante o nascimento da realidade ordenada. Os momentos de caos, como já dissemos, pode ser superado pela comunicação (a conversa sincera). Esse momento de morte e nascimento nos dá a oportunidade de criar uma realidade ordenada de forma confortável e funcional para nós. É fundamental lembrar sempre disso, não existe nova realidade ou mudança sem um momento de caos (mesmo que breve), da mesma forma como um momento mais caótico da vida aguarda e nos encoraja a criar a nossa nova realidade.

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