quinta-feira, 31 de julho de 2014

Parar de fumar e os riscos do tabagismo

O artigo de hoje foi sugerido pelo Leandro, que acha que o tema poderia ajudar quem tem o vício de fumar. Por isso, o texto hoje é um pouquinho mais técnico, assim, todos podem tirar suas dúvidas sobre o tema. Mas antes de conversar sobre parar de fumar, acho importante falar sobre como a nicotina (uma das principais substâncias tóxicas liberadas quando o tabaco é queimado) atua no nosso organismo. Lembrando que a nicotina é apenas uma das mais de 4700 substâncias tóxicas liberadas pelo cigarro. Todos sabem que fumar faz mal, mas vamos ver agora o que exatamente acontece no nosso corpo, pois assim podemos perceber os sinais da abstinência e como lidar com eles, facilitando a superação do vício.
Imagem da campanha "eu quero parar", da Pfizer.

O cigarro é uma droga "calmante" ou estimulante?

A nicotina pode ter os dois efeitos no nosso corpo, estimulando ou deprimindo o nosso sistema nervoso. É classificada como um estimulante. De fato, muitos fumantes usam o cigarro nos momentos em que se sentem preguiçosas, como após o almoço ou durante uma pausa. O que acontece é que, quando inalada em níveis mais altos, a nicotina deixa de estimular e passa a atuar como droga depressora, pois bloqueia a transmissão de impulsos nervosos. Isso pode levar à morte por parada cardíaca. Inclusive, quem tem crianças pequenas, cuidado redobrado! Muitas crianças colocam o cigarro na boca e engolem tabaco, levando a complicações sérias, inclusive à morte.


A nicotina no organismo:

Quando a pessoa fuma, os pulmões absorvem nicotina, que cai na corrente sanguínea e vai para o coração e logo em seguida para o cérebro. Por ser uma rota bastante direta, o efeito do cigarro é rápido e relativamente forte. Quando a fumaça do cigarro é inalada, leva em média 15 segundos para chegar ao cérebro. A partir daí, a nicotina age sobre o organismo por mais ou menos 2 horas.

Quando chega ao cérebro, a nicotina aumenta e estimula a atividade neurológica. Estimula a área da respiração e, assim, aumenta a frequência cardíaca. Ao estimular a área chamada tronco cerebral, a nicotina deixa a pessoa mais alerta e, em fumantes iniciantes (ou em pessoas que não fumam e inalam a fumaça de cigarro), pode dar náuseas. Já quando a pessoa inala nicotina em excesso, como já dissemos, as reações neurológicas são bloqueadas, causando efeito inverso (depressor).

Algumas das principais reações do organismo:
- tremores musculares
- aumento da frequência cardíaca
- aumento da pressão sanguínea
- contração das veias da pele (mãos frias e palidez podem acontecer, devido a pouca irrigação de sangue)
- envelhecimento precoce da pele e ressecamento do cabelo
- úlcera
- osteoporose
- problemas circulatórios
- complicações na gravidez
- impotência sexual
- em mulheres, pode causar ainda menopausa precoce e dismenorréia (menstruação irregular)

O principal efeito colateral do cigarro é a morte, causada por condições de saúde decorrentes do fumo. Entre as principais causas de morte associadas ao tabaco, estão diversos tipos de câncer, enfarto, bronquite crônica, enfisema pulmonar, doenças cérebro-vasculares e cardiovasculares .


Parar de fumar e crise de abstinência:

A maioria das pessoas que tenta parar de fumar não consegue. O organismo do fumante se torna dependente da nicotina, e passa a ter sintomas com a falta da substância, tal como ocorre com outras drogas. A crise de abstinência (ou seja, os sintomas causados pela falta da nicotina) começam duas horas após o último cigarro. O auge da crise acontece por volta de 24 a 48 horas depois.

Estes são os principais sintomas, que podem se estender por poucas semanas até meses e, em alguns casos, anos:
- tensão muscular
- irritabilidade
- tensão
- dificuldade de concentração
- diminuição da pressão arterial e frequência cardíaca
- tontura
- sonolência
- náuseas
- constipação
- tremores musculares
- dores de cabeça
- insônia
- aumento de apetite, podendo levar a aumento de peso.
- desempenho motor diminuído

Os benefícios de parar de fumar são muitos e já começam imediatamente. A saúde geral da pessoa melhora, assim como diminuem as chances de desenvolver problemas como doenças cardíacas, câncer e outras já mencionadas. Ex-fumantes têm uma expectativa de vida mais alta do que as pessoas que continuam fumando. Alguns fumantes dizem que têm medo de engordar ao tentar largar o cigarro. No entanto, o ganho médio de peso (quando ocorre) é de 2,3 kg. O ganho de peso e mesmo o mal estar psicológico que pode ocorrer ainda são menos nocivos do que manter o hábito de fumar.

O tratamento para auxiliar a mudar este hábito pode incluir o uso combinado de administração de nicotina (em gomas de mascar ou adesivos sobre a pele, por exemplo) e psicoterapia. A psicoterapia inclui estabelecer estratégias para lidar com os sintomas da crise de abstinência e com oscilações de humor, assim como para executar tarefas sem o cigarro (como comer, dirigir ou participar de atividades sociais). Além disso, na psicoterapia é preciso investigar e mudar o comportamento de dependência, para que não se substitua o cigarro por outro tipo de vício.

Algumas outras estratégias que ajudam é a prática de exercícios físicos e adotar um estilo de vida saudável, o que inclui tempos e pausas para relaxar e fazer algo que goste. Além disso, pessoas que são encorajadas a deixar o cigarro por familiares e amigos costumam ter mais sucesso. No entanto, o passo mais decisivo para conseguir parar de fumar é escolher parar e estar decidido a fazer esse bem por si, e a partir disso tomar as atitudes necessárias.

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