sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Ágora - Tatuagem e modificação corporal

Bom dia, Bia. Queria a sua opinião para uma situação na minha família. Tenho um filho de 19 anos, ele estuda design, trabalha, é um bom filho e nossa relação de família é boa. Mas outro dia ele chegou em casa dizendo que vai fazer uma tatuagem. Eu não sei o que pensar e nem o que dizer para ele. Não que eu vou brigar com ele só por isso, mas eu tenho medo que ele fique com dificuldade de arrumar um emprego no futuro ou até que pegue alguma doença quando fizer a tatuagem. Acho que é preocupação de mãe, mas gostaria de uma opinião. Obrigada. Forte abraço.
Maria Ângela - Rio de Janeiro, RJ


Olá, Maria Ângela!

Penso que essas preocupações quanto ao futuro dos filhos (mesmo quando se tem filhos já adultos) são normais, sinal de que a família tem um bom envolvimento. Mas, ao mesmo tempo, os filhos precisam fazer as próprias escolhas, sejam grandes escolhas, como no campo profissional ou um casamento, por exemplo; sejam escolhas menores, como fazer algum tipo de arte corporal. Só quando eles fazem suas escolhas e lidam com as consequências boas e ruins é que crescem e se desenvolvem.

É interessante lembrar que o ser humano sempre usou formas de modificação corporal, em diversas épocas e povos. Não é algo "moderninho dos dias de hoje". Essas modificações marcavam algum tipo de status, classe social, papel ou função desempenhada pela pessoa e, em alguns casos, tinham apenas a função estética, uma forma de se diferenciar, marcando uma mudança ou passagem na vida. Se anos atrás as tatuagens eram vistas com preconceito pela sociedade, hoje elas são bastante populares, especialmente entre os jovens, são vistas como uma forma de arte, de se diferenciar e de passar uma mensagem (mesmo que apenas para si). Os estúdios de tatuagem, hoje em dia, seguem normas de higiene e segurança bem rígidas e funcionam sob autorização da Vigilância Sanitária, que atesta que o local tem condições de prestar os serviços de maneira segura, evitando riscos. Os profissionais da área geralmente fazem cursos e passam por atualizações, eles sabem o que estão fazendo e o serviço prestado é sério e seguro. 

Quanto ao preconceito na hora de arrumar um emprego, em teoria isso não deve acontecer, pois hoje em dia há leis trabalhistas que garantem que o candidato ou o funcionário não podem ser discriminados por critérios como gênero, origem, orientação sexual, aparência (e aí, entre diversos elementos, entram as tatuagens). Claro que existem algumas áreas mais conservadoras quanto à aparência e vestimenta. Já outras (por exemplo a área artística) são mais liberais. De toda forma, é interessante escolher com cuidado a arte que gostaria de fazer e o local do corpo, para evitar arrependimentos. Vamos lembrar também que ter ou não uma tatuagem não mudará a pessoa que o seu filho é. Ele continuará sendo um rapaz responsável, esforçado, um bom filho... Se ele te contou isso, provavelmente foi por querer que você participe das escolhas que ele faz, do caminho de vida dele. E essa confiança não tem preço.

beijos,
Bia


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