quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Doença e cura como busca de equilíbrio

Já conversamos em outras ocasiões sobre doenças psicossomáticas, que são aquelas dores e sintomas físicos vindo de estados emocionais que não foram "digeridos" de forma adequada. Hoje, vamos falar sobre o caminho oposto, sobre como as doenças físicas (sejam elas de origem psíquica ou não) podem repercutir na nossa mente e nas emoções.

Uma doença ou qualquer tipo de problema de saúde sempre nos mostra que algo não vai muito bem na maneira como vínhamos vivendo. Desde o exemplo mais simples da pessoa que se resfria após sair sem casaco num dia mais frio, até casos mais complexos, que envolvem o processo de somatização de forma mais simbólica e dramática. O fato é: a doença sempre mexe com a gente, especialmente em casos mais sérios. Não é fácil para o paciente, para seus familiares e amigos, quando se recebe um diagnóstico como Alzheimer, câncer, sequelas irreversíveis de acidentes, entre outros. São condições que levam a pessoa a pensar sobre vida e morte, sobre as incertezas de se estar neste mundo e mesmo sobre o que faremos com o tempo de vida que temos (tanto se o paciente somos nós quanto quando refletimos sobre os dramas e situações vividas por pessoas conhecidas).

Mas, claro que num grau muito menor, toda doença nos leva a um movimento como esse. As dores e doenças nos trazem a ideia de que não somos eternos, não somos invencíveis e que temos um tempo de vida para fazer o que quisermos - mas nunca sabemos quanto tempo temos exatamente.

O momento em que a pessoa está doente é aquela hora que ela precisa parar e prestar um pouco mais de atenção em si, especialmente em casos de doenças graves ou de doenças mais rotineiras quando muito frequentes. O que não está bem na vida? Quais atitudes, pensamentos, comportamentos ou mesmo emoções não estão mais funcionando na sua vida? Existe algo de que você gostaria ou sente que precisa deixar ir (comportamentos, situações, relacionamentos destrutivos, etc.) mas por algum motivo não consegue? Você está em primeiro lugar na sua vida ou há outras pessoas ou mesmo situações ocupando esse posto que deveria ser seu? Essas questões podem ser um bom ponto de partida para começar uma reestruturação na própria vida.

Quando conseguimos a cura, superando a doença, saímos transformados. Já não somos "aquele que adoeceu", nem somos mais "o doente". Somos "aquele que venceu". Assim, em muitos casos, a doença age como um rito de passagem que nos permite reordenar a nossa forma de viver e reconquistar o equilíbrio perdido. Especialmente no caso de diagnósticos graves, é muito importante guardar essa referência de que conseguimos atravessar uma grande crise em nossas vidas e sair dela transformados. Com a cura, o ritual de passagem se completa, e a pessoa que emerge de dentro de nós está pronta para uma nova caminhada.

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