terça-feira, 30 de setembro de 2014

Mythos - Esculápio: a cura está dentro de si

Esculápio (na Grécia, Asclépio) é o deus da medicina e da cura na Grécia Antiga e em Roma. Apesar de não ser parte dos deuses olímpicos, ele era um dos mais populares, justamente por lidar com a questão da saúde e cura, que são fatores que até os dias de hoje levam milhares de pessoas a buscar ajuda espiritual.

Esculápio. Réplica romana (século II d.C.)
da original grega (século IV a.C.).
Esculápio era filho do deus Apolo (ligado ao movimento do sol ao longo do dia, é aquele que nunca se atrasa e para tudo busca a "justa medida", o equilíbrio - tal como na saúde, se busca o equilíbrio do paciente para que a cura aconteça). Sua mãe era uma mortal que morreu antes que ele pudesse nascer, por isso, Esculápio nasceu de cesárea, o que na antiguidade era visto como algo fora da ordem natural e que marcaria a vida daquela criança que "não nasceu", foi arrancada do ventre da mãe. Assim, órfão, Esculápio foi criado por Quíron, um centauro muito sábio que educou e instruiu diversos heróis (heróis eram chamados os filhos de deuses com mortais, na Grécia, pois seriam "super" humanos). Com Quíron, Esculápio aprendeu a usar as ervas para curar, e aprendeu ainda a cirurgia. Ele se tornou um homem inteligente e um grande médico, aperfeiçoando cada vez mais seus conhecimentos. Dizem que era um médico tão fantástico que chegou a trazer um morto de volta à vida! Acontece que isso chegou aos ouvidos de Zeus, o líder dos deuses, que se sentiu ameaçado por tamanho "poder" e fulminou Esculápio com um raio.

Após a sua morte, como a maioria dos heróis, Esculápio se tornou objeto de culto e ganhou um lugar entre os deuses, pelos avanços que trouxe às artes médicas. Diversos templos foram construídos para Esculápio em toda a Grécia (em Roma, o culto a Esculápio chegou durante uma grande epidemia), e esses locais sempre atraíam uma multidão de peregrinos e doentes que buscavam a cura para seus males do corpo ou da alma. As curas aconteciam durante o sono, pois para os gregos, o sonho era considerado um "remédio". Assim, o doente ia até o templo, levando sua klinikos (em grego, aquilo sobre o que se deita, uma peça de mobília semelhante a uma cama ou coisa assim - daí surgiu, tempos depois, a palavra clínica). Lá, os doentes passavam por purificações, meditavam, passavam por rituais e, por fim, iam dormir, para que sonhassem com sua cura (de maneira literal ou simbólica), que depois seria colocada em prática.


Questões para reflexão:

1- Esculápio é morto por Zeus quando ele traz um morto de volta à vida. O que significa, para você, esse acontecimento? Na visão grega, nos perdemos quando escapamos da "justa medida", do equilíbrio. O desequilíbrio tanto produziria sintomas (físicos e mentais) como causaria uma suposta desordem na realidade. Quais "desequilíbrios" (menores que o de Esculápio, claro!) você identifica na sua vida? O que causam e como você os contorna?

2- Os sonhos eram vistos como remédios não porque curavam em si, mas porque um lado nosso, mais "sábio" por falar de outro ponto de vista que não o da realidade concreta, traz uma visão diferente da realidade que vivemos, dos nossos conflitos, desejos, do nosso dia a dia (quem tiver um diário de sonhos pode achar interessante folheá-lo sob este ponto de vista). Isso nos mostra que a cura está (também) dentro de nós. Tanto faz se a questão é física, emocional ou mesmo algo do dia a dia. Tratamentos e atitudes são importantes. Mas a postura do paciente de desejar a cura e fazer tudo ao seu alcance por ela também é. O que você faz pela sua cura/equilíbrio? O que mais poderia fazer?

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