terça-feira, 2 de setembro de 2014

Mythos - Maat: a verdade por trás do que fazemos

Na mitologia do antigo Egito, Maat é a deusa associada a diversos contextos, mas sempre remetendo à questão da verdade, justiça e ordem. Nos mitos de criação do povo egípcio, Maat é a auxiliar de Rá (alguns dizem que era filha dele, outros que era mãe), nesse contexto ela personifica e/ou representa as leis da física que formam o nosso mundo. A verdade, nessa esfera, está como algo físico, imutável e mesmo calculável.

Sessão do Livro dos Mortos escrita em papiro, retratando a pesagem do coração.
Este momento do pós-vida era registrado com frequência pelos egípcios no
Livro dos Mortos ou mesmo nas tumbas.
Maat também é considerada a rainha do mundo dos mortos (no período final da civilização egípcia). Ela fica na Sala Dupla da Verdade, onde as almas dos mortos eram julgadas, junto com Osíris. Nessas ocasiões, Maat retirava a pluma de avestruz que usava na cabeça e colocava em um dos pratos da balança. No outro prato, era colocado o coração do morto, onde os egípcios acreditavam que a alma morava. Se o coração fosse mais pesado que a pena de Maat, ou seja, se a alma do morto pesasse mais que a justiça, a verdade e a ordem, então o coração/alma era devorado pela deusa Ammit e deixava de existir (Ammit, uma das criaturas mais temidas no Antigo Egito, tinha a forma de um cão e personificava a retribuição divina por todos os males praticados pelo morto, quando em vida). Caso o coração/alma fosse puro, tendo o peso exato da pena, então o morto poderia ir para o Aaru, uma espécie de paraíso, caso passassem pela perigosa jornada que viria. 


Questões para reflexão:

1- A cena da pesagem do coração era muito simbólica, pois determinava a continuidade da existência após a morte ou o seu fim. Assim é no nosso dia a dia. Quando temos o "coração leve", ou seja, quando somos verdadeiros com a gente mesmo, fazendo escolhas que refletem os nossos verdadeiros sentimentos e desejos, tendemos a ver a vida numa perspectiva mais ampla. Temos esperança e vemos possibilidades de continuidade em nossos caminhos de vida. Pensando nisso, como está o peso no seu coração? Você tem sido verdadeiro consigo mesmo?

2- O coração puro era leve como uma pena. Mais do que isso, o coração que estava em paz era o daquelas almas que viviam em sintonia com a verdade e a justiça. Note que os egípcios não falam em bondade ou piedade, mas em justiça, sendo que suas leis religiosas e civis eram basicamente as mesmas. Transpondo isso para os dias de hoje, o coração "leve", que está em paz e pode ver a vida com esperança, é aquele que está em sintonia com as verdades/valores da própria consciência (levando em conta que, nos mitos, cada personagem e componente é uma parte de nós mesmos, também chamada arquétipo). Assim, a quais "verdades" ou valores pessoais você é fiel? Quais são os seus valores, ou as suas verdades? A que você responde e, "respondendo", pelo que se responsabiliza?

Um comentário:

  1. Muito bom esse post, mitilogia é uma área que me agrada, parabéns.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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