quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Quais são os seus pontos cegos?

Vamos começar o artigo da semana com uma experiência prática. Você vai precisar de um espelhinho. Sente-se e segure o espelho à sua frente, de forma que você veja os seus olhos. Muito bem. Agora procure ver, através do espelho, o ambiente onde você está. Não vale movimentar o espelho e nem o corpo, apenas olhe. Você vê o ambiente ou apenas a si mesmo? Caso veja o ambiente, você o vê por inteiro? Se precisasse vigiar suas costas desta maneira, o quanto você se sentiria protegido?

Sempre existem pontos cegos. Na nossa experiência, mas também na vida. Por mais que existam pessoas com uma boa "visão do todo", isto é, atentas a detalhes que a maioria não nota, continuam existindo pontos que não são vistos - pelo menos não por completo. Isso não acontece por falhas ou problemas, e sim pela nossa própria condição de ver a vida através do ponto em que estamos.

O risco que se corre é quando os pontos cegos, ou seja, justamente aquilo que não conseguimos ver com clareza, nos causa problemas. Porque a impressão que dá é que entramos numa espécie de "maré de azar", começam a surgir problemas e situações complicadas, com as quais não sabemos lidar e nem sequer percebemos de onde eles vieram ou por que estão na nossa vida.

Uma forma bem óbvia de contornar isso é expor a situação para alguém da nossa confiança (o terapeuta, algum familiar ou um bom amigo, talvez), que nos ajudará a olhar para a questão e verá coisas que nós mesmos não vemos, seja por estarem nos nossos pontos cegos, seja por estarmos tão envolvidos e mobilizados que "perdemos" a visão crítica do todo. 

Outra possibilidade, especialmente se a questão é mais técnica ou relativa ao trabalho é criar parcerias com colegas e outros profissionais. Talvez uma pessoa seja boa para pensar no lado estético de algo, digamos, mas deixe a desejar nas questões ligadas à precisão, por exemplo. E aí entram as boas parcerias, em que um complementa a produção do outro.

No entanto, pensando na vida pessoal, quase sempre os pontos cegos vão clareando (mas dificilmente por completo) conforme a gente toma consciência de que eles existem. Se a pessoa sabe que tende a competir com figuras de autoridade, por exemplo, ficará atenta a isso conforme vivenciar e aprender com as consequências dessa competição, que aos poucos se tornará consciente. É aquela história antiga, mas verdadeira: quando erramos, aprendemos a não cometer outra vez o erro; ganhamos experiência com as nossas conquistas, mas também com as dificuldades.

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