sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Ágora - Aposentadoria e crise emocional

Bom dia Bia. Queria escrever pro seu blog. Meu problema é que o meu marido se aposentou e agora fica só em casa largado no sofá. Ele não é tão velho e está muito bem de saúde graças a Deus, mas vejo que ficar assim está deixando ele com o humor cada vez pior, estamos discutindo mais e caindo numa rotina que não está fazendo bem para a nossa saude, para a família e nem para o nosso casamento, até nosso netinho que tem 7 anos percebe. Não sei o que fazer. Parabéns pelas coisas que você escreve, que Deus sempre te abençoe. 
Cida


Bom dia, Cida!

A situação que você contou é bastante comum, especialmente pessoas que sempre trabalharam fora, como imagino ser o caso do seu marido, acabam estranhando a fase de aposentadoria. É como se toda aquela rotina, aquele dia a dia que a pessoa viveu a vida toda, de repente parasse de existir. E aí a pessoa se sente sem lugar, sem função... sem importância. Especialmente, isso acontece com pessoas que estavam acostumadas a levar o trabalho como a única (ou a principal) tarefa de suas vidas. Já ouvi muito de pessoas nessas condições que se sentem "inúteis" e "sem vida". Portanto, a saída é perceber que a vida da gente é muito mais que o trabalho e a profissão. 

Cida, percebo que é muito importante que você e o seu marido conversem sobre isso. Muitas vezes, a pessoa sequer tem clareza da situação. É interessante pensar no sentido que a aposentadoria tem na vida de cada um. Enquanto algumas pessoas entram em crise, outras vêem esse momento como a grande oportunidade de fazer coisas que sempre quiseram mas nunca tiveram tempo. Aproveitar a vida ao lado de pessoas queridas, se dedicar a uma atividade que goste, voltar a estudar um tema de interesse sem as pressões do mundo profissional, ou até mesmo se dedicar a uma nova área de trabalho. 

Muito provavelmente, seu marido se sente perdido com essas mudanças no dia a dia, mas na certa irá se entusiasmar com um novo objetivo. Algumas possibilidades para começar a mudar essa situação são os grupos voltados para a terceira idade que são oferecidos gratuitamente em ONGs, universidades e associações comunitárias, em que são propostas atividades artísticas, esportes, passeios culturais e mesmo estudos (como cursos de computação, de línguas, sobre atualidades, entre tantos temas), conforme as preferências de cada um. Também é uma boa ideia que você e seu marido se acostumem a fazer algumas atividades em parceria, mesmo que uma simples caminhada, isso aproxima o casal e fortalece o vínculo afetivo. Acima de tudo, é fundamental lembrar que a vida não termina com o encerramento da vida profissional; o valor de uma pessoa não está apenas em suas atividades de trabalho, mas na pessoa como um todo.

beijos,
Bia

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