sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Ágora - Medo de mudar

Oi Bia eu leio sempre teu blog. Queria fazer uma pergunta sobre o medo de mudar. Na minha vida eu olho e vejo diversas coisas que estão muito diferentes do que eu gostaria. Sei bem que não é culpa dos outros, são minhas escolhas que levaram a ser tudo desse jeito e posso mudar. Mas nem sei por onde começar, acho que tenho medo de fazer essas mudanças. Será que isso é normal? beijos
Tainá


Oi, Tainá!

A situação que você contou é muito comum e não tem grandes motivos para preocupações. Ter medo (seja do que for) é uma reação normal da nossa psique, é uma forma de proteção, capaz de nos colocar em alerta para que a gente fuja ou enfrente algo percebido como uma ameaça. Mas, conforme o ser humano se desenvolveu, aquilo que é visto como ameaçador também se tornou cada vez mais refinado. Deixou de ser apenas algo que ameace diretamente a nossa vida para se expandir para aquelas situações e elementos que, imaginamos, pode ameaçar nossa existência simbólica. 

Muitas pessoas são resistentes às mudanças (e, aqui, o medo pode ser encarado como um tipo de resistência), afirmando que "se eu mudar vou deixar de ser eu mesmo!" Isso mostra com muita clareza o medo de se desestruturar, de se perder de si mesmo ou, como eu disse antes, essa é uma percepção da mudança como ameaça simbólica à nossa existência.

O que fazer? Trazer o desconhecido (as mudanças - aquilo que não sabemos ao certo como será e que, por isso, nos assusta) para o conhecido, para o presente. Uma pessoa só muda efetivamente quando lançar-se para o desconhecido parece menos pior do que manter-se como se está. Assim, é muito aconselhável passar a dar atenção ao que realmente gera insatisfação, o que a gente gostaria de mudar, por que realmente quer isso, como esses elementos ou situações nos fazem sentir. Depois, idealize. Sonhe. Como seria o jeito que te deixaria satisfeita? Não tenha medo de sonhar e planejar, claro. Talvez dê mais confiança começar pelas mudanças menores. Muita gente prefere começar "soltando" e fechando aquilo que já não faz sentido para, então poder abraçar algo novo. Caso se sinta confortável, crie um rito de passagem para terminar a fase antiga e virar a página. Isso pode ser algo muito simples, como fazer algo especial com pessoas queridas ou mesmo apenas com você, conforme sentir que seja pertinente. De preferência, algo que tenha algum tipo de relação com a situação.

Tainá, queria deixar claro que essas são sugestões gerais, sem conhecer ao certo as situações que você está vivenciando. Se estiver muito complicado, se não conseguir pensar nisso tudo, olhar para isso tudo sozinha, pode ser interessante marcar uma consulta com um profissional de psicologia, que poderá auxiliar nesse processo.

beijos,
Bia


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