quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Escolhas: a que(m) você pertence?

Uma situação muito comum que eu percebo no dia a dia, tanto entre pacientes e mesmo em outras pessoas com quem convivo, é a forma como cada um faz suas escolhas. Encanta reparar naquilo que levam em conta, nas prioridades, medos e desejos que movem cada um e com isso ver como somos únicos e temos, cada um de nós, o nosso próprio encanto. 



O problema é que nem sempre somos tão sinceros assim ao fazer escolhas. Algumas vezes nos deixamos levar por ilusões. E acreditamos nelas tão bem que ficamos como que "cegos" para todo o resto. Passamos a nos debater num mar de conflitos, internos e externos, de informações que não fazem sentido no nosso coração. Isso pode acontecer numa tentativa de agradar outras pessoas, ou apenas por estarmos tão envolvidos em um lado da situação que não conseguimos vê-la como um todo.

Sempre que nós deixamos levar (pelas situações, pelos outros, por visões parciais da realidade), a escolha feita será menos "nossa", menos autônoma do que poderia ser. Não somos de ninguém... Mas ao mesmo tempo, também não somos de nós mesmos. 

A melhor forma de contornar isso é estando afinado com aquilo que valorizamos. Quais são os seus valores? O que é importante para você? Não existe resposta certa ou errada, cada um encontrará, ao analisar o próprio mundo interior, aqueles elementos que fazem mais sentido para si. Importante dizer que não basta conhecer esses valores. É fundamental levar a vida de forma a estar em sintonia com eles. Se, digamos, a família seja um valor para alguém e essa pessoa tiver um estilo de vida em que não possa ter uma convivência constante com a própria família, ou ainda um contexto em que a família seja com frequência desvalorizada, provavelmente o dia a dia será considerado frustrante e as escolhas que se apresentam não serão tão autônomas quanto poderiam.

Nunca pertencemos a nós mesmos por completo. Sempre haverá algo na vida e em nós mesmos que foge do nosso controle - ou no nosso poder de escolha. Seja no mundo interno (não controlamos o que sentimos, por exemplo, apenas escolhemos a forma como lidamos com essas emoções); seja no mundo externo (temos responsabilidades e obrigações na vida que não necessariamente teríamos numa condição de liberdade maior). Entretanto, a chave para uma vida coerente é ter consciência dos próprios valores e, tanto quanto possível, fazer escolhas em sintonia com eles. Nem sempre pertencemos por inteiro a nós mesmos. Mas podemos usar estratégias (como o autoconhecimento e as escolhas sinceras e coerentes com aquilo que somos) para sermos nós mesmos, sermos nossos, tanto quanto possível.

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