terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Mythos - Sheela Na Gig: nascimento, morte e envelhecimento

Sheela Na Gig é uma figura da mitologia celta. Não é exatamente uma deusa ou uma personagem, e sim uma representação do feminino sábio e criador. Ou pelo menos, não são conhecidos mitos em que Sheela Na Gig se destaca e interage com deuses, mortais ou outras criaturas.

Sheela Na Gig. Imagem de Hrana Janto.
Ela é representada como uma figura feminina, abaixada com as pernas abertas, abrindo e mostrando os próprios genitais com as duas mãos. Esse símbolo era encontrado nas entradas de templos (e mais tarde, de igrejas cristãs na região da Irlanda e Grã Bretanha, até serem destruídos por religiosos que consideraram a imagem ofensiva). Um ponto bem curioso é que algumas vezes, Sheela Na Gig não é uma mulher jovem ou madura, que compreenderíamos como uma mãe, uma mulher fértil. Ela é mostrada como uma avó bem idosa, com os seios murchos, os cabelos ralos, alguns dentes faltando e o corpo bem magro. Por isso, ela representa, ao mesmo tempo, nascimento e morte, e todo tipo de transição ou grande mudança que possa existir entre esses dois extremos. Além disso, traz à tona o poder da mulher idosa/sábia, que já não gera filhos, mas é capaz de gerar e sustentar toda uma realidade com sua experiência, sabedoria e intuição. 


Questões para reflexão:

1- Nos dias de hoje, a imagem da pessoa bem idosa gera reações de medo, de pena e até de nojo. A expectativa de vida é a mais alta da história, no entanto, não tempos o respeito pelo idoso, essa faixa etária não tem a visibilidade que merece. Vivem muito, mas esperam parar de envelhecer por volta dos 20 ou 30 e poucos anos e viver o resto da vida assim. E isso não é apenas algo estético ou um ideal de beleza, pois junto com aquilo que se deseja aparentar, vem um jeito de agir, pensar e sentir. Ou seja, é uma grande perda de tempo passar uma vida muito longa como se sempre fosse jovem. A ideia pode até parecer atraente no início, mas é uma perda de tempo (com o perdão do trocadilho) gastar tantas décadas na casa dos 20 anos quando existem novos desafios, novas descobertas e novos insights nas fases que seguem. Como você lida com o seu envelhecimento (ou com a possibilidade de "ficar velho")?

2- Sheela Na Gig nos apresenta uma visão da morte bem diferente da que se tem hoje em dia. Entre alguns povos da antiguidade (celtas, gregos, romanos, entre outros), a morte e a fertilidade estavam intimamente relacionadas. Entre gregos, por exemplo, os rituais fúnebres eram bem parecidos com os rituais de casamento e, em alguns casos, envolviam mesmo a prática sexual. A ideia dos funerais era promover a fertilidade, ajudando o morto a renascer (neste ou em outro mundo, conforme as crenças de cada povo). Trazendo isso para o nosso dia a dia, como você vê os momentos de transição? É frequente que a mudança seja experimentada como uma morte, pois envolve perdas. Mas, passado o turbilhão da perda, algo novo surge, uma nova fase, novos relacionamentos, um novo trabalho talvez... Algo renovado e fresco nasce da velha Sheela Na Gig. Como se a vida brotasse da morte. Quais foram as maiores mudanças que você já enfrentou na vida? Como se sentia no começo da mudança e mais tarde, quando as coisas começavam a se estruturar novamente?


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