quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Depressão é o contrário de felicidade?

Analisando alguns casos que acompanhei, comecei a pensar numa questão muito atual: a depressão e a forma como ela se popularizou. Hoje em dia a depressão já é um problema de saúde pública, e está entre as maiores causas de licenças e afastamentos no trabalho. É comum ver (fora dos consultórios) pessoas dizendo que estão deprimidos, ou que Fulano teve um contratempo na vida e agora está com depressão.

A questão é que a depressão que as pessoas dizem sentir não é a mesma depressão que os profissionais de saúde mental identificam. O termo se popularizou e caiu na boca do povo, que passou a chamar a tristeza, a melancolia, o tédio ou um dia de humor difícil de depressão. Mas a depressão é uma patologia, um conjunto de sintomas que colocam o paciente em estado de sofrimento, podendo inclusive oferecer riscos à vida, e que podem ser tratados. Portanto, sendo uma doença, a depressão não é um estado de humor ou uma emoção.

Sim, pacientes com depressão frequentemente manifestam tristeza, choro ou irritação. E pessoas sem depressão, sem nenhum outro tipo de patologia ou transtorno, também podem manifestar essas emoções ocasionalmente. O que precisa ficar claro é que a depressão não é uma emoção, é um diagnóstico, uma doença.

Assim, não faz sentido quando as pessoas insistem em colocar a felicidade (que, por sua vez, é um estado de humor, uma emoção) como oposta à depressão. Ou ainda, como a cura. O paciente depressivo não precisa "ficar feliz", ele precisa se tratar, superar as causas da depressão. E aí sim, se sentirá mais aberto à emoções mais leves. A felicidade não está na "não depressão", nem em acumular coisas, acumular relacionamentos, acumular experiências inusitadas e estimulantes como se a vida fosse uma eterna festa. Não. A felicidade está nos detalhes do dia a dia pois, a longo prazo, são os pequenos detalhes que mostram aquilo que valorizamos e escolhemos para nós mesmos.

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