segunda-feira, 24 de junho de 2019

Doença de Parkinson

O que é e como ocorre?
A doença de Parkinson, assim como o Parkinsonismo são causados pela perda de neurônios na substância negra, área do cérebro responsável por produzir dopamina. A dopamina é um neurotransmissor, substância produzida pelo próprio organismo a partir de certas proteínas. São responsáveis por estimular ou inibir certas funções e comportamentos. No caso da dopamina, sua atuação ocorre em aspectos como os movimentos, o controle do humor, das emoções, atuando ainda na aprendizagem, cognição e memória. Deste modo, os sinais e sintomas de Parkinson ocorrem pela queda nos níveis de dopamina. A doença tem componentes genéticos e é mais comum em homens, de modo que, com o avanço da idade, a prevalência aumenta.

Origem:
A doença foi descrita pela primeira vez em 1817, pelo médico inglês James Parkinson na obra "Ensaio sobre a Paralisia de Agitação". Apenas em 1875 o neurologista francês Jean Martin Charcot modificou o nome do distúrbio para Doença de Parkinson, em homenagem ao seu primeiro estudioso.

Parkinson ou Parkinsonismo?
Parkinsonismo é um termo mais genérico. É a presença de alguns sintomas de Parkinson, de forma que nem sempre se fecha o diagnóstico da doença. Inclusive, pode ter causas diferentes, como sequela de AVC ou de traumatismo craniano, ou ainda efeitos adversos de medicamentos. Parkinson é o tipo mais frequente de Parkinsonismo, cerca de 75% dos casos.

Apenas uma doença de pacientes idosos?
Não. Apesar de ser muito mais frequente em idosos, pessoas mais jovens também podem desenvolver a doença de Parkinson.

Sobre os tremores:
Quando falamos em doença de Parkinson, a maioria das pessoas imagina um paciente com tremores e dificuldades motoras. Apesar de ser um dos sinais mais populares no imaginário das pessoas, nem todo paciente com Parkinson apresenta tremor. Estima-se que 30% dos pacientes não apresentam tremor.
Durante nossa conversa sobre Parkinson no Instagram (veja os destaques no perfil @bia.carunchio), uma pessoa perguntou se quem apresenta tremores por ansiedade quando jovem teria maiores chances de desenvolver Parkinson quando idoso. A resposta é não. Existem diferentes tipos de tremor, quanto ao padrão, duração, frequência... Os tremores de ansiedade são bem diferentes dos de Parkinson!

No entanto, existem alguns sinais precoces de Parkinson (tremor não é um deles!), que podem ser percebidos várias décadas antes da doença se manifestar.

Sinais precoces de Parkinson:
- Depressão
- Alterações ou perda do olfato
- Constipação intestinal
- Alterações de humor
- Distúrbio comportamental do sono REM (enquanto dorme e sonha, o paciente se movimenta de acordo com o sonho: pode ficar agressivo, se machucar, é frequente que o paciente ou familiares relatem queda da cama...)

Como todos devem estar pensando, muitos desses sinais e sintomas são frequentes na população geral. Por isso, para serem significativos, todos esses sinais devem aparecer, em especial o distúrbio comportamental do sono REM e as alterações de olfato, muito menos frequentes na população que os demais sintomas. Lembrando, não é para entrar em pânico! Se for o caso, procure o médico para avaliar e acompanhar esses sintomas.

Sintomas de Parkinson:
Como são muitos, vamos por partes...

1- Sintomas Motores:
- Tremores
- Lentidão
- Rigidez muscular
- Dificuldade de movimentar-se
- Poucas expressões faciais
- Caminha de forma lenta e arrastada
- Dificuldade para engolir
- Dificuldades com tarefas simples do dia a dia, como vestir-se, comer sozinho, tomar banho...
- Postura característica (costas curvadas, cabeça inclinada)
- Quando escreve, a letra se torna miúda

2- Sintomas na Fala:
- Dificuldades de fala
- Ritmo de fala tende a se tornar lento
- Espasmos na laringe

3- Sintomas no Sono:
- Insonia terminal: o paciente desperta num horário muito precoce e sem ter essa intenção, por exemplo, acorda às 3 da madrugada e não consegue mais dormir
- Pesadelos
- Sonolência diurna

4- Sintomas Neuropsíquicos:
- Confusão noturna
- Ansiedade
- Depressão
- Apatia
- Problemas de memória
- Dificuldades de comportamento
- Problemas de compreensão
- Sintomas psicóticos, alucinações
- Demência por corpos de Lewy: com o avanço da doença, a formação de partículas chamadas corpos de Lewy fazem com que o paciente desenvolva um quadro de demência, com perda progressiva das funções neuropsicológicas.

4- Outros Sintomas
- Perda de peso
- Seborreia
- Medo de cair
- Perda ou redução do olfato
- Paciente baba
- Constipação
- Dificuldades de manter o equilíbrio, quedas frequentes
- Fadiga
- Incontinência urinária
- Distúrbios sexuais

Sexualidade e Parkinson:
É comum o paciente apresentar dificuldades no âmbito da sexualidade, como redução da libido, disfunção erétil ou secura vaginal.
Hipersexualidade também pode ocorrer, pois a redução da dopamina traz a dificuldade em refrear impulsos e comportamentos (inclusive os sexuais). Caso ocorra, é preciso comunicar o médico, para que a medicação seja ajustada e dê conta deste sintoma.

Parkinson tem cura?
Infelizmente não. O tratamento é orientado para amenizar e, dentro do possível, controlar os sintomas.

Tratamento:
- Medicação
- Estilo de vida saudável
-Tratamentos complementares conforme cada caso (estimulação cognitiva, psicoterapia, terapia ocupacional, fisioterapia, fono, nutrição...)
- Em alguns casos, cirurgia para tratamento do tremor e rigidez
- Também é importante adaptar a casa de modo a evitar quedas e facilitar a rotina (indico o pessoal da Ferrara Poblet)