terça-feira, 8 de maio de 2018

Ateísmos e irreligiosidades


Ontem recebi da Editora Paulinas o meu novo livro, escrito em parceria com os amigos do Grupo de Pesquisa em Psicologia da Religião da PUC-SP, coordenado pelo Prof. Dr. Edênio Valle (meu orientador de mestrado e doutorado). O livro é fruto das nossas discussões, ocorridas entre 2014 e 2016.

O livro aborda diferentes posturas ateístas, de grupos que crescem cada vez mais nos dias de hoje, declarados ateus ou sem religião. Cada capítulo traz o debate entre diferentes autores que se posicionam pró ou contra a religião, destacando as diferenças e semelhanças dentro do crescente grupo dos "sem religião".


O capítulo que escrevi aborda o debate entre Sigmund Freud (criador da psicanálise, ateu de origem judaica) e Oskar Pfister (psicanalista e pastor protestante). No capítulo, esse debate e alguns aspectos da psicanálise são discutidos desde o ponto de vista das neurociências.


quinta-feira, 5 de abril de 2018

Avaliação neuropsicológica

O que é avaliação neuropsicológica?
Chamamos de avaliação neuropsicológica o conjunto de testes e procedimentos técnicos utilizados pelo neuropsicólogo para avaliar, mensurar e conhecer as funções neuropsicológicas (atenção, memória, planejamento, linguagem, controle do comportamento, etc.) do paciente.


Qual a importância desse tipo de avaliação?
A avaliação neuropsicológica permite que o profissional conheça com precisão o estado das funções neuropsicológicas do paciente, tornando o tratamento ou a psicoterapia mais assertiva e segura. Além disso, a avaliação neuropsicológica pode ser um passo importante no diagnóstico de quadros neurológicos, transtornos psiquiátricos ou psicológicos. É um passo fundamental também no acompanhamento da evolução de uma patologia ou de um tratamento (clínico, medicamentoso, cirúrgico ou psicoterápico). Ou seja, a avaliação neuropsicológica permite que o profissional estruture o tratamento ou a psicoterapia do seu paciente com o foco exato que ele necessita naquele momento. Por isso, é necessário que de tempos em tempos o paciente passe por reavaliações, o que permite verificar sua melhora e ajustar o foco do tratamento, tornando o acompanhamento clínico algo específico para suas reais necessidades.

Quem pode sugerir, solicitar ou encaminhar alguém para uma avaliação neuropsicológica?
Psicólogos, médicos e outros profissionais de saúde, escolas, instituições de longa permanência. Também pode ocorrer a chamada "demanda espontânea", isto é, o próprio paciente pode marcar sua avaliação, seja por algum tipo de sintoma ou dificuldade, seja por prevenção.

Como acontece uma avaliação?
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a avaliação neuropsicológica não é um teste único, mas uma bateria de testes e procedimentos. Por isso, o profissional normalmente precisará de mais de uma consulta para realizar o trabalho. Inicialmente, o paciente ou seus familiares (no caso de menores ou de pessoas que não estejam em condições de se responsabilizar por si mesmos) informam ao neuropsicólogo a queixa, isto é, por que buscaram a avaliação, "o que está acontecendo" com a pessoa. Nessa ocasião, o profissional se informará dos dados de saúde do paciente, como histórico clínico, cirurgias e internações, uso de medicamentos, outros tipos de tratamento que faz... Esta anamnese também inclui dados ligados aos aspectos psicológicos, como aspectos emocionais, familiares, sociais, etc.
A seguir, são aplicados os testes e procedimentos para avaliar as funções. São utilizados tanto testes psicológicos (por exemplo, para verificar aspectos afetivos), testes de inteligência e testes específicos para funções neuropsicológicas (memória, linguagem, atenção, raciocínio lógico, numérico, etc.), e outros procedimentos/atividades, de acordo com o caso e a idade do paciente.
Por fim, o profissional fará a análise de todos esses dados, sistematizando o conteúdo num relatório, que apontará seu perfil neuropsicológico e condutas necessárias.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Ebook grátis sobre EQM

Boas notícias!

Como muitos sabem, recentemente terminei meu doutorado sobre experiência de quase morte (EQM). Muitas pessoas estavam curiosas sobre o tema e a pesquisa, que teve 350 participantes. Por isso, criei um livro virtual contando um pouquinho sobre EQM e incluí os resultados principais da pesquisa.

Coloquei o livro para download gratuito, assim todos os interessados podem ter acesso. O livro está disponível nos seguintes formatos: PDF, Epub ou Mobi. E quem preferir também poderá ler online. Basta entrar no link e clicar no formato desejado.


Boa leitura!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Cartilha sobre Psicologia da Religião

Como alguns de vocês sabem, sou membro do Interpsi, o Laboratório de Psicologia Anomalística e Processos Psicossociais do Instituto de Psicologia da USP. Recentemente trabalhamos na elaboração de uma cartilha sobre psicologia da religião, abordando temas como o lugar das crenças (ou descrenças) religiosas do paciente em psicoterapia, aspectos de ética profissional, saúde mental, direitos humanos e a história dessa área de estudo tão interessante. Bem, esta semana a cartilha foi publicada! Compartilho abaixo o texto explicativo postado na página do Interpsi-USP no Facebook, com os links para acesso e download gratuito da cartilha em PDF e dos arquivos da cartilha em áudio, para quem preferir esse formato. Espero que gostem e que seja útil.

Não ficou linda a capa da cartilha?

Cartilha Virtual (Áudio e Pdf)
Psicologia & Religião:
Histórico, Subjetividade, Saúde Mental, Manejo, Ética Profissional e Direitos Humanos

Realização: Inter Psi – Laboratório de Psicologia Anomalística e Processos Psicossociais (Instituto de Psicologia da USP)
Apoio: Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP

Do que se trata?
Um guia escrito em linguagem direta, objetiva e prática a respeito das relações entre Psicologia & Religião formulado a partir de perguntas e respostas. Tais perguntas são exemplos das perguntas recebidas pelos os membros do Inter Psi – Laboratório de Psicologia Anomalística (Instituto de Psicologia da USP). Nasce com o objetivo de contribuir para a diminuição de uma lacuna existente na formação de psicólogas(os) no que se refere à discussão de temas como religiosidade e espiritualidade e de como esses temas se relacionam com a pesquisa e a prática profissional na Psicologia. É dirigido a psicólog@s, estudantes de Psicologia, educadoras(es), profissionais de saúde, cientistas sociais e à população em geral.

Como está estruturada?
As perguntas foram organizadas, classificadas e distribuídas nos cinco grandes temas que compõem a Cartilha, a saber: (1) Psicologia da Religião do ponto de vista histórico; (2) Religiosidade, Espiritualidade e Subjetividade; (3) Saúde Mental, Religiosidade e Espiritualidade; (4) Religiosidade, Espiritualidade, Sofrimento Psíquico e Ma¬nejo Clínico; e (5) Psicologia, Religião, Ética e Direitos Humanos. A Cartilha se encerra com a seção Para Saber Mais que apresenta recomendações de leituras de livros em nosso idioma para quem tem interesse no aprofundamento dos temas nela abordados.

Como ter acesso?
A Cartilha está disponível gratuitamente em dois formatos, áudio e pdf, de modo que você poderá lê-la e/ou ouvi-la em computador ou smartphone.

Escolha o arquivo abaixo e faça o download. Você pode também ler ou ouvir o arquivo diretamente pelo Google Drive.

Arquivos de Áudio
Arquivo 01 - Abertura
Arquivo 02 - Introdução
Arquivo 03 - Capítulo 1 – Psicologia da Religião do ponto de vista histórico 
Arquivo 04 - Capítulo 2 – Religiosidade, Espiritualidade e Subjetividade
Arquivo 05 - Capítulo 3 – Saúde Mental, Religiosidade e Espiritualidade
Arquivo 06 - Capítulo 4 – Religiosidade, Espiritualidade, Sofrimento Psíquico e Manejo Clínico
Arquivo 07 - Capítulo 5 – Psicologia, Religião, Ética e Direitos Humanos
Arquivo 08 - Para Saber Mais

Arquivo Pdf

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Defesa da minha tese de doutorado

Enfim, oficialmente doutora!! Como muitos de vocês sabem, eu estava fazendo doutorado lá na PUC-SP, sobre Experiência de Quase Morte (EQM), por isso o blog e a página estavam mais parados nestes últimos tempos, em especial agora em 2017... Bem, segunda passada foi a banca de defesa da tese (deu tudo certinho!!) e hoje, mais sossegada, vim compartilhar com vocês um pouquinho desse momento.

Quando a gente faz mestrado, e depois o doutorado, tem uma série de requisitos a cumprir. Disciplinas para cursar, leituras, congressos e eventos, publicações... E, claro, nossa pesquisa e a escrita da dissertação (no caso do mestrado) ou da tese (no doutorado). Todo esse processo culmina na banca de defesa, que nada mais é que uma apresentação formal do trabalho de pesquisa, em que um conjunto de professores (a banca) faz comentários e críticas, avaliando se o candidato está apto ou não a receber o grau de mestre ou de doutor.

Ouvindo os comentários da banca

Aprovada!

Aquele social de depois...
Para quem ficou curioso, o título da minha tese é Experiência de Quase Morte (EQM): uma abordagem empírica. Foi realizada no Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciência da Religião da PUC-SP, sob orientação do Prof. Dr. Edênio Valle.

Agradeço a todos que me apoiaram nesses quatro anos de doutorado, com críticas e comentários, com amizade e torcida, vindos até mesmo de pessoas que mal conhecia. Um agradecimento especial a todos que dedicaram alguns minutos respondendo à pesquisa, graças a vocês, agora temos o início de uma modesta base estatística brasileira sobre EQM! Em breve aqueles que deixaram e-mail para contato receberão os resultados da pesquisa. Pouco a pouco, compartilharei esses resultados aqui no blog e lá nas páginas do Facebook também.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Pesquisa EQM - Questionário

Como vários de vocês já sabem, estou fazendo doutorado na PUC-SP sobre experiência de quase morte (EQM). Por isso, gostaria de pedir a colaboração de vocês para responder ao questionário da minha pesquisa. Preciso tanto de pessoas que tiveram EQM como também das que não tiveram. A participação é voluntária e apenas online, leva por volta de 10 minutos!
Clique aqui para acessar o questionário da pesquisa.
E quem puder, por favor, compartilhe com os amigos!
Muito obrigada!!


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Aspectos comuns numa EQM

Experiências de Quase Morte, ou EQMs, são experiências que acontecem a alguns pacientes em morte clínica ou muito próximos desse estado. Diferente da morte encefálica, a morte clínica é um estado reversível, ou seja, se receber socorro rápido, o paciente pode ser reanimado. Nos casos de EQM, após ser reanimada a pessoa relata experiências intensas e vívidas. Alguns relatam ter observado de cima tudo aquilo que se passava no local enquanto estavam "mortos" (a cena do acidente que levou a essa situação, a equipe de saúde trabalhando, o próprio corpo...), outros relatam fenômenos como viajar por um túnel escuro, ver uma luz muito brilhante que irradiava amor e aceitação plena, rever momentos marcantes da própria vida ou flashes do futuro, visitar outras dimensões, encontrar familiares e amigos já falecidos, entre outras possibilidades.

A ascensão dos abençoados, obra de Bosch (1490).
Como se pode ver, há diversos elementos
comuns de uma EQM (o túnel, a luz, seres
místicos...) Teria Bosch, em pleno século XV,
retratado uma EQM?
É muito importante dizer que quando estudamos EQM desde um olhar científico, o foco não é dizer se as experiências relatadas são reais ou não, afinal, para quem passou por isso foi real, ainda que enquanto algo subjetivo. O foco é compreender como esse fenômeno ocorre enquanto processo fisiológico/neuropsicológico, assim como estabelecer planos de tratamento para possíveis sequelas que tenham ficado para esses pacientes.

Após uma EQM é muito comum a pessoa se sentir um tanto deslocada, como se o aqui e agora não fosse tão real quanto a EQM foi. Conflitos familiares, rompimentos afetivos ou divórcios, ou mesmo sentimentos de não ser compreendido são muito frequentes, assim como conflitos e afastamento da carreira, medo de ser considerado doente mental e até um luto por ter sobrevivido. Alguns apresentam quadros de transtornos depressivos graves ou de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Frente a esse contexto, é fundamental rever a própria vida, repensando escolhas e fazendo os ajustes necessários para que tudo se acomode, voltando a fazer sentido novamente. Para isso, o apoio de familiares, amigos e pessoas queridas é fundamental, bem como o acompanhamento cuidadoso e respeitoso de profissionais de saúde capacitados para atender a essa crescente demanda.