terça-feira, 31 de julho de 2018

Morte clínica ou morte encefálica?

Hoje vamos conversar sobre um assunto que gera algumas dúvidas em muita gente, as diferenças entre morte clínica e morte encefálica (popularmente conhecida como "morte cerebral"). Quando falamos sobre experiência de quase morte, algumas pessoas ficam confusas, perguntando se o paciente já tinha atestado de óbito que comprovasse que realmente estava morto, ou se desperta durante o funeral, e não é nada disso o que acontece!

Primeiramente, é preciso deixar claro que receber um atestado de óbito é um processo médico-legal, que só pode acontecer depois que a equipe médica fecha o diagnóstico de morte encefálica. De maneira geral, quando um paciente morre, ele está em morte clínica, um estado que pode ser reversível ou então evoluir para morte encefálica. Por exemplo, quando alguém tem uma parada cardíaca (morte clínica/aparente), caso essa pessoa receba socorro a tempo, poderá ser reanimada. Nesse momento, alguns pacientes passam por EQM, relatando suas lembranças depois de reanimados. Já nos casos em que o quadro não se modifica, seja porque o paciente não reagiu o por não ter sido socorrido a tempo, são realizados diversos exames e procedimentos, como o exame clínico, neurológico, EEG (eletroencefalograma) e exames de imagem. Caso todos esses exames apontem a ausência de atividade no tronco encefálico (região do encéfalo responsável pelas funções vitais), o paciente ficará pelas horas seguintes em observação, e então todos os exames serão repetidos por outro profissional.

Imagem relacionada
O tronco cerebral faz parte da região em laranja na imagem, de modo que a porção
acima do tronco (também em laranja) é o diencéfalo e a região abaixo dele, dentro das vértebras da região
do pescoço, é o início da medula. O tronco conecta a parte superior do sistema nervoso central (encéfalo) à
parte inferior (medula). Ele é o responsável pelas nossas funções vitais, por exemplo a respiração e a função cardíaca.

Caso nos novos exames se constate outra vez a ausência de atividade no tronco, então pode ser diagnosticada a morte encefálica (cerebral). Nesse caso, infelizmente já não há mais o que fazer e o corpo pode ser encaminhado para doação de órgãos e tecidos e/ou para ser preparado para o funeral.

Assim, podemos definir a morte encefálica como a falência das funções do tronco encefálico. Enquanto a morte clínica pode ser revertida, a morte encefálica não traz essa possibilidade. Portanto, as EQMs ocorrem quando o paciente se encontra em morte clínica.


Para saber mais:

Sobre EQM
Vídeo sobre EQM
Aspectos comuns numa EQM

Sobre morte e luto (aspectos psicológicos)
Falando sobre morte: as perdas e o luto
Luto em crianças
Medo de morrer

terça-feira, 8 de maio de 2018

Ateísmos e irreligiosidades


Ontem recebi da Editora Paulinas o meu novo livro, escrito em parceria com os amigos do Grupo de Pesquisa em Psicologia da Religião da PUC-SP, coordenado pelo Prof. Dr. Edênio Valle (meu orientador de mestrado e doutorado). O livro é fruto das nossas discussões, ocorridas entre 2014 e 2016.

O livro aborda diferentes posturas ateístas, de grupos que crescem cada vez mais nos dias de hoje, declarados ateus ou sem religião. Cada capítulo traz o debate entre diferentes autores que se posicionam pró ou contra a religião, destacando as diferenças e semelhanças dentro do crescente grupo dos "sem religião".


O capítulo que escrevi aborda o debate entre Sigmund Freud (criador da psicanálise, ateu de origem judaica) e Oskar Pfister (psicanalista e pastor protestante). No capítulo, esse debate e alguns aspectos da psicanálise são discutidos desde o ponto de vista das neurociências.


quinta-feira, 5 de abril de 2018

Avaliação neuropsicológica

O que é avaliação neuropsicológica?
Chamamos de avaliação neuropsicológica o conjunto de testes e procedimentos técnicos utilizados pelo neuropsicólogo para avaliar, mensurar e conhecer as funções neuropsicológicas (atenção, memória, planejamento, linguagem, controle do comportamento, etc.) do paciente.


Qual a importância desse tipo de avaliação?
A avaliação neuropsicológica permite que o profissional conheça com precisão o estado das funções neuropsicológicas do paciente, tornando o tratamento ou a psicoterapia mais assertiva e segura. Além disso, a avaliação neuropsicológica pode ser um passo importante no diagnóstico de quadros neurológicos, transtornos psiquiátricos ou psicológicos. É um passo fundamental também no acompanhamento da evolução de uma patologia ou de um tratamento (clínico, medicamentoso, cirúrgico ou psicoterápico). Ou seja, a avaliação neuropsicológica permite que o profissional estruture o tratamento ou a psicoterapia do seu paciente com o foco exato que ele necessita naquele momento. Por isso, é necessário que de tempos em tempos o paciente passe por reavaliações, o que permite verificar sua melhora e ajustar o foco do tratamento, tornando o acompanhamento clínico algo específico para suas reais necessidades.

Quem pode sugerir, solicitar ou encaminhar alguém para uma avaliação neuropsicológica?
Psicólogos, médicos e outros profissionais de saúde, escolas, instituições de longa permanência. Também pode ocorrer a chamada "demanda espontânea", isto é, o próprio paciente pode marcar sua avaliação, seja por algum tipo de sintoma ou dificuldade, seja por prevenção.

Como acontece uma avaliação?
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a avaliação neuropsicológica não é um teste único, mas uma bateria de testes e procedimentos. Por isso, o profissional normalmente precisará de mais de uma consulta para realizar o trabalho. Inicialmente, o paciente ou seus familiares (no caso de menores ou de pessoas que não estejam em condições de se responsabilizar por si mesmos) informam ao neuropsicólogo a queixa, isto é, por que buscaram a avaliação, "o que está acontecendo" com a pessoa. Nessa ocasião, o profissional se informará dos dados de saúde do paciente, como histórico clínico, cirurgias e internações, uso de medicamentos, outros tipos de tratamento que faz... Esta anamnese também inclui dados ligados aos aspectos psicológicos, como aspectos emocionais, familiares, sociais, etc.
A seguir, são aplicados os testes e procedimentos para avaliar as funções. São utilizados tanto testes psicológicos (por exemplo, para verificar aspectos afetivos), testes de inteligência e testes específicos para funções neuropsicológicas (memória, linguagem, atenção, raciocínio lógico, numérico, etc.), e outros procedimentos/atividades, de acordo com o caso e a idade do paciente.
Por fim, o profissional fará a análise de todos esses dados, sistematizando o conteúdo num relatório, que apontará seu perfil neuropsicológico e condutas necessárias.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Ebook grátis sobre EQM

Boas notícias!

Como muitos sabem, recentemente terminei meu doutorado sobre experiência de quase morte (EQM). Muitas pessoas estavam curiosas sobre o tema e a pesquisa, que teve 350 participantes. Por isso, criei um livro virtual contando um pouquinho sobre EQM e incluí os resultados principais da pesquisa.

Coloquei o livro para download gratuito, assim todos os interessados podem ter acesso. O livro está disponível nos seguintes formatos: PDF, Epub ou Mobi. E quem preferir também poderá ler online. Basta entrar no link e clicar no formato desejado.


Boa leitura!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Cartilha sobre Psicologia da Religião

Como alguns de vocês sabem, sou membro do Interpsi, o Laboratório de Psicologia Anomalística e Processos Psicossociais do Instituto de Psicologia da USP. Recentemente trabalhamos na elaboração de uma cartilha sobre psicologia da religião, abordando temas como o lugar das crenças (ou descrenças) religiosas do paciente em psicoterapia, aspectos de ética profissional, saúde mental, direitos humanos e a história dessa área de estudo tão interessante. Bem, esta semana a cartilha foi publicada! Compartilho abaixo o texto explicativo postado na página do Interpsi-USP no Facebook, com os links para acesso e download gratuito da cartilha em PDF e dos arquivos da cartilha em áudio, para quem preferir esse formato. Espero que gostem e que seja útil.

Não ficou linda a capa da cartilha?

Cartilha Virtual (Áudio e Pdf)
Psicologia & Religião:
Histórico, Subjetividade, Saúde Mental, Manejo, Ética Profissional e Direitos Humanos

Realização: Inter Psi – Laboratório de Psicologia Anomalística e Processos Psicossociais (Instituto de Psicologia da USP)
Apoio: Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP

Do que se trata?
Um guia escrito em linguagem direta, objetiva e prática a respeito das relações entre Psicologia & Religião formulado a partir de perguntas e respostas. Tais perguntas são exemplos das perguntas recebidas pelos os membros do Inter Psi – Laboratório de Psicologia Anomalística (Instituto de Psicologia da USP). Nasce com o objetivo de contribuir para a diminuição de uma lacuna existente na formação de psicólogas(os) no que se refere à discussão de temas como religiosidade e espiritualidade e de como esses temas se relacionam com a pesquisa e a prática profissional na Psicologia. É dirigido a psicólog@s, estudantes de Psicologia, educadoras(es), profissionais de saúde, cientistas sociais e à população em geral.

Como está estruturada?
As perguntas foram organizadas, classificadas e distribuídas nos cinco grandes temas que compõem a Cartilha, a saber: (1) Psicologia da Religião do ponto de vista histórico; (2) Religiosidade, Espiritualidade e Subjetividade; (3) Saúde Mental, Religiosidade e Espiritualidade; (4) Religiosidade, Espiritualidade, Sofrimento Psíquico e Ma¬nejo Clínico; e (5) Psicologia, Religião, Ética e Direitos Humanos. A Cartilha se encerra com a seção Para Saber Mais que apresenta recomendações de leituras de livros em nosso idioma para quem tem interesse no aprofundamento dos temas nela abordados.

Como ter acesso?
A Cartilha está disponível gratuitamente em dois formatos, áudio e pdf, de modo que você poderá lê-la e/ou ouvi-la em computador ou smartphone.

Escolha o arquivo abaixo e faça o download. Você pode também ler ou ouvir o arquivo diretamente pelo Google Drive.

Arquivos de Áudio
Arquivo 01 - Abertura
Arquivo 02 - Introdução
Arquivo 03 - Capítulo 1 – Psicologia da Religião do ponto de vista histórico 
Arquivo 04 - Capítulo 2 – Religiosidade, Espiritualidade e Subjetividade
Arquivo 05 - Capítulo 3 – Saúde Mental, Religiosidade e Espiritualidade
Arquivo 06 - Capítulo 4 – Religiosidade, Espiritualidade, Sofrimento Psíquico e Manejo Clínico
Arquivo 07 - Capítulo 5 – Psicologia, Religião, Ética e Direitos Humanos
Arquivo 08 - Para Saber Mais

Arquivo Pdf

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Defesa da minha tese de doutorado

Enfim, oficialmente doutora!! Como muitos de vocês sabem, eu estava fazendo doutorado lá na PUC-SP, sobre Experiência de Quase Morte (EQM), por isso o blog e a página estavam mais parados nestes últimos tempos, em especial agora em 2017... Bem, segunda passada foi a banca de defesa da tese (deu tudo certinho!!) e hoje, mais sossegada, vim compartilhar com vocês um pouquinho desse momento.

Quando a gente faz mestrado, e depois o doutorado, tem uma série de requisitos a cumprir. Disciplinas para cursar, leituras, congressos e eventos, publicações... E, claro, nossa pesquisa e a escrita da dissertação (no caso do mestrado) ou da tese (no doutorado). Todo esse processo culmina na banca de defesa, que nada mais é que uma apresentação formal do trabalho de pesquisa, em que um conjunto de professores (a banca) faz comentários e críticas, avaliando se o candidato está apto ou não a receber o grau de mestre ou de doutor.

Ouvindo os comentários da banca

Aprovada!

Aquele social de depois...
Para quem ficou curioso, o título da minha tese é Experiência de Quase Morte (EQM): uma abordagem empírica. Foi realizada no Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciência da Religião da PUC-SP, sob orientação do Prof. Dr. Edênio Valle.

Agradeço a todos que me apoiaram nesses quatro anos de doutorado, com críticas e comentários, com amizade e torcida, vindos até mesmo de pessoas que mal conhecia. Um agradecimento especial a todos que dedicaram alguns minutos respondendo à pesquisa, graças a vocês, agora temos o início de uma modesta base estatística brasileira sobre EQM! Em breve aqueles que deixaram e-mail para contato receberão os resultados da pesquisa. Pouco a pouco, compartilharei esses resultados aqui no blog e lá nas páginas do Facebook também.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Pesquisa EQM - Questionário

Como vários de vocês já sabem, estou fazendo doutorado na PUC-SP sobre experiência de quase morte (EQM). Por isso, gostaria de pedir a colaboração de vocês para responder ao questionário da minha pesquisa. Preciso tanto de pessoas que tiveram EQM como também das que não tiveram. A participação é voluntária e apenas online, leva por volta de 10 minutos!
Clique aqui para acessar o questionário da pesquisa.
E quem puder, por favor, compartilhe com os amigos!
Muito obrigada!!