sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Defesa da minha tese de doutorado

Enfim, oficialmente doutora!! Como muitos de vocês sabem, eu estava fazendo doutorado lá na PUC-SP, sobre Experiência de Quase Morte (EQM), por isso o blog e a página estavam mais parados nestes últimos tempos, em especial agora em 2017... Bem, segunda passada foi a banca de defesa da tese (deu tudo certinho!!) e hoje, mais sossegada, vim compartilhar com vocês um pouquinho desse momento.

Quando a gente faz mestrado, e depois o doutorado, tem uma série de requisitos a cumprir. Disciplinas para cursar, leituras, congressos e eventos, publicações... E, claro, nossa pesquisa e a escrita da dissertação (no caso do mestrado) ou da tese (no doutorado). Todo esse processo culmina na banca de defesa, que nada mais é que uma apresentação formal do trabalho de pesquisa, em que um conjunto de professores (a banca) faz comentários e críticas, avaliando se o candidato está apto ou não a receber o grau de mestre ou de doutor.

Ouvindo os comentários da banca

Aprovada!

Aquele social de depois...
Para quem ficou curioso, o título da minha tese é Experiência de Quase Morte (EQM): uma abordagem empírica. Foi realizada no Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciência da Religião da PUC-SP, sob orientação do Prof. Dr. Edênio Valle.

Agradeço a todos que me apoiaram nesses quatro anos de doutorado, com críticas e comentários, com amizade e torcida, vindos até mesmo de pessoas que mal conhecia. Um agradecimento especial a todos que dedicaram alguns minutos respondendo à pesquisa, graças a vocês, agora temos o início de uma modesta base estatística brasileira sobre EQM! Em breve aqueles que deixaram e-mail para contato receberão os resultados da pesquisa. Pouco a pouco, compartilharei esses resultados aqui no blog e lá nas páginas do Facebook também.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Pesquisa EQM - Questionário

Como vários de vocês já sabem, estou fazendo doutorado na PUC-SP sobre experiência de quase morte (EQM). Por isso, gostaria de pedir a colaboração de vocês para responder ao questionário da minha pesquisa. Preciso tanto de pessoas que tiveram EQM como também das que não tiveram. A participação é voluntária e apenas online, leva por volta de 10 minutos!
Clique aqui para acessar o questionário da pesquisa.
E quem puder, por favor, compartilhe com os amigos!
Muito obrigada!!


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Aspectos comuns numa EQM

Experiências de Quase Morte, ou EQMs, são experiências que acontecem a alguns pacientes em morte clínica ou muito próximos desse estado. Diferente da morte encefálica, a morte clínica é um estado reversível, ou seja, se receber socorro rápido, o paciente pode ser reanimado. Nos casos de EQM, após ser reanimada a pessoa relata experiências intensas e vívidas. Alguns relatam ter observado de cima tudo aquilo que se passava no local enquanto estavam "mortos" (a cena do acidente que levou a essa situação, a equipe de saúde trabalhando, o próprio corpo...), outros relatam fenômenos como viajar por um túnel escuro, ver uma luz muito brilhante que irradiava amor e aceitação plena, rever momentos marcantes da própria vida ou flashes do futuro, visitar outras dimensões, encontrar familiares e amigos já falecidos, entre outras possibilidades.

A ascensão dos abençoados, obra de Bosch (1490).
Como se pode ver, há diversos elementos
comuns de uma EQM (o túnel, a luz, seres
místicos...) Teria Bosch, em pleno século XV,
retratado uma EQM?
É muito importante dizer que quando estudamos EQM desde um olhar científico, o foco não é dizer se as experiências relatadas são reais ou não, afinal, para quem passou por isso foi real, ainda que enquanto algo subjetivo. O foco é compreender como esse fenômeno ocorre enquanto processo fisiológico/neuropsicológico, assim como estabelecer planos de tratamento para possíveis sequelas que tenham ficado para esses pacientes.

Após uma EQM é muito comum a pessoa se sentir um tanto deslocada, como se o aqui e agora não fosse tão real quanto a EQM foi. Conflitos familiares, rompimentos afetivos ou divórcios, ou mesmo sentimentos de não ser compreendido são muito frequentes, assim como conflitos e afastamento da carreira, medo de ser considerado doente mental e até um luto por ter sobrevivido. Alguns apresentam quadros de transtornos depressivos graves ou de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Frente a esse contexto, é fundamental rever a própria vida, repensando escolhas e fazendo os ajustes necessários para que tudo se acomode, voltando a fazer sentido novamente. Para isso, o apoio de familiares, amigos e pessoas queridas é fundamental, bem como o acompanhamento cuidadoso e respeitoso de profissionais de saúde capacitados para atender a essa crescente demanda.

domingo, 30 de julho de 2017

Pesquisa em EQM

Como vários de vocês já sabem, estou fazendo doutorado sobre experiências de quase morte (aliás, em breve teremos mais informações sobre o assunto por aqui). EQMs são experiências muito intensas que acontecem a alguns pacientes em morte clínica ou muito próximos disso. Quando reanimadas, essas pessoas relatam experiências inusitadas como viajar através de um túnel em direção a uma luz, encontrar entes queridos já falecidos, visitar outros planos, ou observar de cima tudo aquilo que se passava no local onde estava o corpo (como uma cena de acidente, UTI, sala de cirurgia...).

Os relatos são impressionantes, alteram o dia a dia e o estilo de vida das pessoas que passam por isso e, muitas vezes, também de quem convive com elas, além de despertar o interesse de profissionais de saúde e a curiosidade de muitos. Apesar das complicações que uma EQM pode trazer (indo desde um senso de realidade alterada ou conflitos familiares até depressões graves de longa duração), é possível retomar a "vida normal" quando o paciente tem os apoios necessários para isso.

O assunto é amplo, pouco falado (inclusive entre colegas da área da saúde) e bastante polêmico. Como tenho recebido muitas perguntas e contatos de pessoas interessadas no tema, resolvi criar uma página no Facebook sobre EQM, para divulgar informações confiáveis do ponto de vista científico. A página é voltada para todos os interessados: quem teve EQM, familiares e amigos de quem teve, profissionais de saúde, educação e assistência social e, claro, os curiosos! Você pode conhecer e curtir a página neste link. 

Por hoje é isso... logo teremos mais material sobre o assunto. Até breve!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

52 perguntas em 52 semanas - Construindo sua história de vida

Quem acompanha o blog há mais tempo talvez se lembre de diferentes textos em que falamos sobre a importância de conhecer bem a nossa história de vida. Isso não apenas nos ajuda a saber de onde viemos, nos dando confiança e referências para enfrentar os desafios do presente, como também ajuda a planejar e compreender nossos projetos para o futuro.

Recentemente encontrei na internet um roteiro para ajudar no processo de escrita da sua história de vida na forma de 52 perguntas. A ideia é responder uma questão por semana, assim no final de um ano, o projeto estará completo. Nem preciso dizer que adorei a proposta e, como o site estava em inglês, resolvi traduzir e colocar aqui no blog! Para quem quiser ver o original, de autoria de Steve Anderson, basta entrar no site Family Search Blog (clique!). O site disponibiliza arquivos mês a mês para fazer esse projeto (em inglês). Lá você também pode criar a árvore genealógica da sua família, adicionando fotos, histórias dos seus antepassados e outras recordações.

Mas vamos ao roteiro! Lembrando como sempre: gente, esse projeto é de cada um de vocês. Ou seja, é algo pessoal, você pode responder na ordem que preferir, se alguma questão não se aplica ao seu caso você tem a liberdade de apenas falar sobre o tema proposto ou modificar o que achar necessário, ou ainda substitui-la por uma das questões extra que estão no final do questionário. Como fazer? Pode fazer num caderninho, no computador ou celular, em forma de vídeo, pode ilustrar com fotos e recordações, fazer a atividade conversando/anotando em casal ou em família...

1- Qual o seu nome completo? Explique porque seus pais te deram esse nome.

2- Quando e onde você nasceu? Descreva a casa, a vizinhança e a cidade onde você cresceu.

3- Quais lembranças você tem do seu pai? (nome, data e local de nascimento, quem eram os pais dele, etc.).

4- Quais memórias você tem da sua mãe? (nome, data e local de nascimento, quem eram os pais dela, etc.).

5- Qual tipo de trabalho seus pais tinham/têm?

6- Algum membro da sua família já faleceu? Se sim, conte as circunstâncias em que a morte aconteceu e de que forma você se lembra disso.

7- Quais dificuldades ou tragédias sua família enfrentou enquanto você crescia?

8- Tem algum traço genético marcante ou diferente na sua linhagem familiar?

9- Quais os nomes dos seus irmãos e irmãs? Descreva aspectos que se destacam em cada um deles.

10- De quais tradições ou costumes da sua família você se recorda?

11- Sua família tinha um jeito especial de celebrar datas comemorativas específicas?

12- Descreva algumas de suas lembranças sobre os seus avós.

13- Seus avós moravam perto? Se sim, conte como eles participavam da sua vida. Se não, conte sobre visitas suas a eles ou deles a você.

14- Quem eram seus tios? Conte sobre alguns deles que mais marcaram suas lembranças. Dê alguns detalhes sobre eles (nome, personalidade, coisas que você se lembra de fazer junto com eles, etc).

15- Qual escola você frequentou? Conte alguns detalhes sobre como era a escola para você e algumas lembranças mais marcantes.

16- Qual eram suas matérias preferidas na escola? Por que?

17- Quais matérias você gostava menos? Por que?

18- Quem eram seus amigos na escola? Conte como eles eram e o que fazem hoje em dia, se você souber.

19- Se você foi para a faculdade, teve formação técnica ou profissionalizante, o que você estudou? Conte algumas lembranças dessa fase.

20- Quais são suas maiores forças?

21- Com quais desafios você precisou lidar durante a sua vida?

22- Quais problemas de saúde você enfrentou ao longo da vida?

23- A religião era importante para você e sua família? Se sim, explique qual religião sua família praticava e o que ela significava para você. Explique se a religião é ou não importante para você hoje em dia.

24- Quais comidas você gostava mais e quais não gostava? Você ou outro membro da sua família tinha algum tipo de alergia alimentar?

25- Havia algum prato que seus pais preparavam que são especialmente memoráveis?

26- Como você conheceu seu companheiro/a?

27- Como foi/é o namoro de vocês? Conte sobre o dia do seu casamento.

28- Conte algumas lembranças sobre o seu companheiro/a.

29- Quantos filhos você tem? Liste seus nomes e conte algo sobre cada um deles.

30- Descreva alguns acontecimentos da sua comunidade, do país ou do mundo que você vivenciou. Como esses eventos modificaram sua vida?

31- Conte sobre suas filosofias de vida ou sua forma de ver a vida.

32- Quais valores pessoais são mais importantes para você? O que você fez/faz para ensinar esses valores aos seus filhos, netos ou outras pessoas?

33- Liste ao menos 5 pessoas que tiveram ou têm influência marcante sobre a sua vida. O que eles fizeram ou fazem para ter tanto destaque para você?

34- Quais são 20 pontos sobre você que te fazem único?

35- Conte 50 coisas pelas quais você é grato.

36- O que você pensa sobre dinheiro?

37- Se você pudesse passar um dia com qualquer pessoa famosa, quem seria essa pessoa e o que vocês fariam?

38- O que te dá medo?

39- O que te faz parar e dizer: "uau!"?

40- O que você gosta de fazer no seu tempo livre?

41- Se você pudesse voltar no tempo e passar uma hora com você mesmo aos 15 anos, o que você diria para sua versão mais jovem?

42- Quais são alguns dos seus talentos? Conte como você os descobriu e explique o que você tem feito para cultivá-los e melhorá-los. Descreva como os seus talentos afetaram sua vida.

43- Com o que você trabalha? Como você escolheu essa carreira?

44- Quais trabalhos você teve ao longo da sua vida? Conte algumas das experiências que mais se recorda nesses trabalhos.

45- Quais foram os 5 acontecimentos que mais marcaram sua vida? Quais efeitos cada um deles teve sobre você?

46- Quais lições de vida você aprendeu e gostaria de passar a diante? 

47- Em quantos lugares você já morou? Descreva brevemente cada um deles, por que você morava lá e por que se mudou.

48- Se alguém te desse $10.000,00 com a condição de não poder gastar o dinheiro com você e nem dar aos familiares ou amigos, como você usaria o dinheiro?

49- Se você pudesse voltar no tempo e fazer tudo outra vez, o que mudaria?

50- Depois que você tiver morrido, pelo que gostaria de ser lembrado? O que você tem feito agora para deixar um legado que valeira a pena lembrar?

51- Se você pudesse deixar 5 conselhos para a posteridade, quais seriam?

52- Você já viajou para algum lugar fora do seu país? Se sim, conte o que motivou essas viagens e algumas lembranças sobre elas.

Questões extra:

1- Se um jornal quisesse contar uma história sobre você, sobre o que ela seria?

2- Quais "manias" populares você já vivenciou?

3- Como você passava ou passa os verões?

4- Quais foram suas férias mais memoráveis?

5- Você tem ou já teve animais de estimação? Se sim, conte um pouco sobre eles.

6- Liste 20 coisas sem as quais o mundo seria um lugar melhor na sua opinião.


Boa viagem pela sua história, espero que gostem da experiência!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Como um neuropsicólogo trabalha?

O neuropsicólogo trabalha com a interação entre cérebro/sistema nervoso, comportamento, emoção e cognição de maneira integrada, buscando levar saúde e qualidade de vida para seus pacientes. Com frequência, o trabalho do neuropsicólogo é feito em parceria com outros profissionais, como médicos (neurologistas, psiquiatras, cardiologistas, etc.), psicólogos clínicos, educadores, e outros conforme o caso de cada paciente.

O que faz um neuropsicólogo?
  • Contribui para o diagnóstico, diferenciando doenças neurológicas e transtornos psiquiátricos;
  • Avaliação das funções neuropsicológicas (atenção, memória, pensamento abstrato, controle do comportamento emocional, planejamento, etc.), procurando alterações e, caso encontre, avaliando o grau do comprometimento;
  • Monitora a evolução de problemas psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos, de tratamentos (clínicos ou medicamentosos) e de cirurgias;
  • Planeja e executa programas de habilitação e reabilitação de funções alteradas.
Como esse trabalho é feito?
  • Anamnese completa, ou seja, um questionário bem detalhado sobre a saúde e outros dados do paciente, como sintomas físicos e emocionais, dados sobre o sono, a alimentação, medicamentos que usa ou tratamentos pelos quais está passando, dados familiares e sociais.
  • Avaliação neuropsicológica, isto é, aplicação de testes e procedimentos para avaliar as funções neuropsicológicas do paciente, incluindo também a avaliação da inteligência, traços psicológicos e dados emocionais, conforme cada caso.
  • Orientações ao paciente, familiares e outros profissionais envolvidos (equipe de saúde, educadores, etc.) sobre o problema e o tratamento.
  • Habilitação e/ou reabilitação de funções perdidas, lentificadas ou não desenvolvidas, através de exercícios (motores e cognitivos), atividades lúdicas e psicoterapia focada no desenvolvimento dessas funções.
De tempos em tempos, o neuropsicólogo irá repetir a avaliação, o que permite acompanhar a evolução do paciente e, se for o caso, ajustar o tratamento. O tempo de intervalo entre as avaliações depende de cada caso e do tipo de intervenção realizada. Nosso objetivo maior sempre é promover a saúde, independência e qualidade de vida do paciente.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O que é neuropsicologia?

Qual a diferença entre neuropsicologia e neurociências?

A neurociência é a área de estudo do sistema nervoso central. Isso engloba diferentes ciências e ramos, iniciando na medicina (neurologia) e na psicologia (neuropsicologia) e abrangendo, também, outros ramos de conhecimento, como a teologia (neuroteologia), a educação (neuropedagogia/neuropsicopedagogia) e o marketing (neuromarketing).

Assim, a neuropsicologia é um ramo da psicologia e das neurociências que estuda o sistema nervoso central em suas relações com a cognição, as emoções e o comportamento.

Qual a diferença entre o neuropsicólogo, o psicólogo, o neurocientista e o neurologista?

O psicólogo fez graduação em psicologia, que o habilita para trabalhar em contextos diversos, como em clínicas, hospitais, empresas, escolas... Caso ele tenha um título de especialista em neuropsicologia, torna-se neuropsicólogo. Já o neurologista fez graduação em medicina e residência em neurologia. 

Enquanto o neurologista cuida de doenças do sistema nervoso (como cefaléias, fraquezas ou falta de sensibilidade e de movimento de partes do corpo, doenças desmielinizantes como a esclerose, tonturas e vertigens, etc.) do ponto de vista biológico, o neuropsicólogo cuida das funções neuropsicológicas (como a atenção, a percepção, o comportamento, a regulação das emoções, a memória, etc.), geralmente em relação com casos neurológicos, psiquiátricos ou psicológicos. Essas áreas trabalham juntas, pois se complementam.

Portanto, tanto o neuropsicólogo quanto o neurologista pertencem às neurociências, mas ao mesmo tempo, nem todo neurocientista é neuropsicólogo ou neurologista.