sexta-feira, 29 de junho de 2012

Respire fundo... E aumente seu espaço interno!!

Hoje vamos falar um pouco sobre a respiração. Claro que todos sabem a importância dela, afinal, sem respirar morremos em poucos minutos... Mas não estou aqui para falar de pulmões, diafragmas ou sobre quanto tempo podemos passar sem respirar. Vou falar da importância da respiração enquanto algo que pode nos ajudar a viver de forma mais harmoniosa.

Sabia que exercícios de respiração são muito usados em técnicas de controle do estresse? E que são os efeitos da respiração que podem nos ajudar a chegar a graus profundos de relaxamento? A respiração oxigena nosso cérebro, permitindo que ele trabalhe melhor. Como se lhe desse um novo fôlego (literalmente!).

Já parou para pensar em todas as expressões de linguagem que dizemos o tempo todo e que envolvem a respiração? Quando nos sentimos criativos, dizemos que estamos inspirados. Quando algo surpreendente acontece, perdemos o fôlego. Quando estamos muito entediados ou desanimados, costumamos dizer que precisamos respirar novos ares. Quando estamos distraídos, estamos aéreos... Gosto de pensar nas expressões que usamos, porque elas nos mostram de um jeito quase artístico aquilo que sentimos.

Como aproveitar os benefícios que os exercícios de respiração podem nos trazer? Muito simples! Basta respirar pelo nariz de maneira lenta e profunda, o mais fundo que você conseguir... e então soltar o ar pela boca. Ouça os sons da sua respiração e permita-se relaxar os músculos do seu corpo enquanto deixa o ar sair. Uma sequência de três respirações lentas e profundas costuma ser o bastante para nos ajudar a relaxar e nos permitir pensar com mais clareza. Pausas para respirar profundamente durante uma tarefa que requer muita atenção e concentração costumam ser bastante produtivas!

Além disso, o ato de respirar é uma forma de trazer para dentro de nós aquilo que está fora. O que buscamos ao respirar? Paciência? Poder de concentração? Coragem? Segurança? Nesse sentido, respirar não deixa de ser uma forma de comunicação com o meio em que estamos (e de permitir que ele se comunique conosco).

Quero fazer um convite aos meus leitores. Estejam atentos às suas respirações. Como elas são? Rápidas e curtas? Ou longas e profundas? Sente algum tipo de desconforto ao respirar? Tem asma ou algum tipo de problema respiratório? Ronca? Respira pelo nariz ou pela boca? Seus sintomas podem dizer muito sobre você.

Respire fundo e sinta quanto espaço existe aí dentro de você. E muitas vezes, perceber quanto espaço temos por dentro nos ajuda a nos sentir mais seguros, criativos, em contato com a gente mesmo... Respire fundo e aumente o seu espaço interno!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Sobre as incertezas do caminho

"Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida."  - Guimarães Rosa

Começo hoje com uma das minhas frases preferidas de Guimarães Rosa. Nenhum caminho é fácil e bonito o tempo inteiro. Sempre, em algum momento, o peregrino passará por trechos difíceis, seja num caminho real ou simbólico como a vida.



Viver é perigoso! Muito perigoso! Existem uma porção de riscos que podem dificultar, atrasar ou mesmo impedir a caminhada. Mas ao contrário de uma caminhada convencional, em que os perigos e riscos são claros e concretos (trechos de difícil passagem, o clima, animais selvagens, perder-se da trilha...), na vida a coisa é um pouco diferente. Boa parte das vezes, os perigos que mais nos paralisam são tão bem disfarçados que nem os reconhecemos como ameaças. Não falo daqueles riscos óbvios que de pronto reconhecemos (por exemplo, a violência, problemas de saúde, acidentes...). Não. Falo de algo mais sutil. Perigos que muitas vezes não reconhecemos assim, só de olhar para eles, e sim quando olhamos para dentro de nós mesmos e notamos os medos, dilemas, inseguranças, angústias, tristeza, sentimento de vazio...

Como psicóloga, acho muito saudável e produtivo que tais sentimentos existam e possam se manifestar. Porque quando não se manifestam como sentimentos, com certeza encontrarão outra forma de vir à tona. Sintomas psicossomáticos, por exemplo: dores, resfriados, gastrite, alergias... ou até problemas mais sérios.

Mas que perigo seria esse, tão bem camuflado? Apesar de poder se apresentar com muitas faces, podemos resumir com o termo "anomia", que significa falta de sentido. As situações limite (as muitas faces desse grande risco) muitas vezes se apresentam na vida de todos nas formas de problemas como doenças graves, o hoje tão falado bullying, as competições desleais e intrigas entre colegas de trabalho, perder o emprego, acidentes graves, crises no casamento, términos de relacionamentos, problemas familiares, a miséria, a morte de pessoas queridas, entre muitas outras faces. A falta de sentido é a sensação que fica sempre que algo nos atinge e nos faz pensar "e agora?? Como posso continuar depois disso??" É como se a gente tivesse as melhores intenções de ir em direção a uma meta... mas a vida nos joga para o outro lado como se fossemos sacos de areia.

Isso me faz pensar numa notícia ruim e numa notícia boa para os meus leitores. A ruim é que, infelizmente, em algum momento da vida, todos nós passamos ou passaremos por alguma situação de falta de sentido. Como disse Guimarães na frase com a qual abri este texto, viver só se aprende vivendo. Claro que podemos aprender, nos precaver e nos emocionar com as histórias dos outros. Mas nada se compara a sermos as personagens principais da nossa própria história. A notícia boa é que, como quase tudo na vida da gente, essa falta de sentido tem jeito! É necessário mergulhar dentro de si mesmo. Sem medo. Ir bem fundo dentro da gente mesmo, pois é apenas lá que vamos encontrar o que é realmente importante para nós. Como continuar depois disso? Esta é, provavelmente, a pergunta que mais escuto na clínica. E costumo devolvê-la assim: O que te resta? Pode não parecer, mas sempre nos resta alguma coisa. Ainda que "apenas" nos reste a nós mesmos ou a nossa esperança num futuro melhor. E, acredite, isso é bastante, é  o que tem de mais valioso pois é o cajado que irá te sustentar nos momentos mais duros da sua caminhada.

A partir daí, o caminho nos dá uma grande oportunidade: a transformação. A chance de reconstruir a nossa vida e recontar a nossa história do jeito que quisermos. O que iremos manter? Para onde queremos ir? O que já não nos serve mais? Para que continuar carregando algo que não nos serve? Enquanto eu escrevia minha dissertação de mestrado, conversei com vários peregrinos. E boa parte deles comentou que nos quilômetros iniciais é frequente encontrar coisas largadas pela estrada (roupas, equipamentos e até câmeras fotográficas!). Por que isso? Porque o que não supre nossas necessidades (sejam elas quais forem!) pesa. E o peso excessivo causa dores e desânimo.

Finalizando, convido meus leitores a fazer uma reflexão. É necessário esperar algo grave acontecer nas nossas vidas antes de mudar o que queremos/precisamos? Por que não fazer as mudanças e reflexões antes, de forma mais tranquila, quase uma prevenção? "Travessia perigosa, mas é a vida.", disse Guimarães. E eu completo: não tenha medo dela, pois você é a única pessoa no mundo todo que pode escrever e viver sua história.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Um chamado para o caminho

Olá! Seja muito bem vindo.

Criei este blog para falar sobre os caminhos da vida. Ou melhor, sobre a forma como a gente os percorre.
Explico: em dezembro de 2011 defendi meu mestrado em Ciências da Religião na PUC-SP, no qual desenvolvi uma pesquisa sobre peregrinações e o sentido que cada um de nós dá à sua própria vida. Parece vago demais? Mas na verdade é bem simples!

Comparo o caminho que o peregrino percorre com a caminhada que todos nós fazemos pela vida. Em toda caminhada (física ou simbólica) existem trechos belos, trechos mais difíceis, trechos em que as companhias são fundamentais para nos fazer continuar, e também trechos pelos quais preferimos caminhar sozinhos. O caminho já percorrido está no passado, não volta. Mesmo que a gente volte (para dar mais uma olhada, tirar uma foto...), será apenas um retorno, sem as surpresas e angústias da primeira vez que passamos por ali.

Outra coisa que você já deve ter notado: todo caminho gera perguntas... muitas perguntas! A primeira delas é: para onde vamos? Isto é, onde pretendemos chegar? Que meta queremos atingir? E é aí que entra o sentido que damos à vida. Onde queremos chegar com a nossa caminhada? Será que o caminho que a gente vem percorrendo vai mesmo nos levar até lá? Podemos pegar atalhos? Ou é melhor seguir pelos caminhos convencionais?

Outra pergunta muito comum (e quem já viajou com crianças sabe bem disso!): já estamos chegando? Falta muito? Essas perguntas nos fazem pensar sobre o futuro. O que será que nos aguarda lá? E quando chegarmos lá, o que vamos fazer? Quem vamos encontrar? E as respostas nos acalmam... ou será que só nos trazem ainda mais perguntas?

E aí começamos a questionar... O que vale mais é chegar ou é apreciar o caminho? Dizem que o melhor da festa é esperar por ela. Mas pelo que aguardamos tão ansiosamente? Qual o sentido desta jornada/peregrinação, desta aventura que é a nossa vida? Só nós mesmos podemos dizer.

Pensando nessas questões é que criei este blog com o nome Rosa dos Ventos, que aponta direções, caminhos (sentidos?). Será que todos os caminhos levam mesmo à Roma? Só experimentando-os para saber.

Mas uma coisa é certa: independente das dificuldades, das angústias e incertezas, a beleza do caminho (da vida) está nos olhos de quem o percorre.