terça-feira, 30 de abril de 2013

Mythos - Anhangá: enfrentando nossos medos

Hoje vamos conversar sobre a superação dos nossos medos, e faremos isso com base no mito brasileiro de Anhangá. Tenho lido sobre mitos brasileiros e, em minhas pesquisas, notei que eles podem ser de duas origens: os mitos indígenas e os mitos que surgiram durante e após a colonização do Brasil, que mesclam elementos indígenas, africanos e europeus, formando um conjunto de mitos e lendas peculiar e tão típico do nosso povo. O mito de hoje é indígena, dos índios tupis. Para compreendermos melhor o mito, falarei brevemente sobre a etnia tupi. Os índios tupi se agrupavam em tribos, que por sua vez eram divididas em diferentes aldeias, cada aldeia tinha entre 500 e 750 habitantes em média. As tribos eram nômades e viviam espalhadas por boa parte do território brasileiro, não tinham um sistema estatal ou hierárquico rígido, no entanto se destacam a presença de líderes guerreiros e líderes espirituais, valorizados na tribo de acordo com as habilidades que tinham. No ponto de vista espiritual, os índios tupis acreditam na reencarnação, no culto aos antepassados e na existência de espíritos humanos e em outras entidades que vagam pela terra. Anhangá era uma dessas entidades.

Representação cristianizada de Anhangá.
Anhangá era um duende protetor da mata e dos animais selvagens. Ele podia assumir diferentes formas de animais ou de gente dependendo de quem se deparasse com ele. A forma mais comum era a de um veado branco com os olhos de fogo, que podiam queimar a pessoa que ele encontrasse. Podia ainda ficar invisível, acompanhando caçadores desprevenidos e pessoas que entravam na mata sem segurança, algumas vezes se manifestando apenas com um assobio aterrorizante. Quando o Brasil passou a ser colônia de Portugal, no século XVI, padres jesuítas tentaram catequizar os povos indígenas e, para explicar quem era o demônio, associaram-no a Anhangá. No entanto, devemos ter em mente que esta é uma visão preconceituosa desta entidade indígena, que não tem relação alguma com o demônio judaico-cristão. Anhangá era, sim, uma entidade assustadora, é considerado a personificação dos medos. Mas também tem outro lado, o de protetor da floresta e dos animais.

Qual a forma do seu medo?
Dizem que quando alguém entrava na floresta durante a noite sem segurança, isto é, sem uma fonte de luz ou mesmo sem autoconfiança, essa pessoa tinha grandes chances de se deparar com Anhangá. Ele aterrorizava quem se encontrasse com ele, sempre tomando a forma mais assustadora para a pessoa em questão. Além disso, quando alguém entra na mata duvidando da existência de Anhangá, ele espera que essa pessoa chegue a um local mais distante e, sorrateiramente, vai até ela, golpeando-a com um pedaço de pau. Outras vezes, prega peças: afugenta as caças, prepara armadilhas e faz com que os desavisados se percam na floresta. De toda forma, se for entrar na floresta (real ou simbólica), é bom estar preparado para possíveis encontros com Anhangá.

Questões para reflexão:
1- Qual a forma do seu pior medo? Como você lida com ele: enfrentando-o ou submetendo-se a ele?
2- Anhangá tem dois lados: o de personificação dos medos e também o de protetor das matas. Assim são nossos medos: causam mal estar, mas ao mesmo tempo estão aí para nos proteger de algo. Do que seus medos tentam te proteger? Pensando mais racionalmente, é mesmo necessário se proteger disso?
3- Ao interpretar mitos, lendas e contos de fadas, a entrada na floresta geralmente é associada ao contato com o inconsciente, onde moram nossos desejos, medos e lembranças mais secretas... Algumas vezes, o contato com elementos do inconsciente pode assustar mais que Anhangá! No entanto, é apenas entrando em contato com esse lado nosso que podemos nos conhecer de forma mais completa e resolver nossos conflitos e questões internas. Você está disposto a correr esses riscos? Como você expressa isso?
4- Os índios tupis recomendam a quem precise entrar na floresta durante a noite que leve consigo uma fonte de luz. E você, ao entrar em contato com o inconsciente, o que leva? Qual é a sua luz, quais são os seus recursos?

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O que você faz de bom para si?

"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe." - Oscar Wilde, escritor irlandês (1854 - 1900)

Qual a diferença entre um dia bom e um dia mais ou menos? Entre uma vida feliz e uma vida que não é ruim, mas também não é satisfatória? O texto de hoje vem falar sobre duas situações diferentes, mas que são mais semelhantes do que se poderia pensar. De um lado, temos o grupo de pessoas que reclamam o tempo todo: do chefe, do comportamento dos filhos, do companheiro/a, dos governantes, da sociedade e até do tempo. Do outro, temos um grupo de pessoas que pensam que é injusto reclamar da vida... Pode não estar maravilhosa, mas também não é ruim... Mesmo que o trabalho não seja tão estimulante e o salário não seja lá essas coisas... ou que a saúde pudesse estar melhor com alguns quilos a menos, uma alimentação mais equilibrada e algumas caminhadas... ou que não sobre tempinho algum para ficar com a família e sair com os amigos, pelo menos estamos vivos...

Para os dois grupos, que parecem tão diferentes, fica a mesma pergunta: o que estamos fazendo aqui, vivendo ou sobrevivendo? Tudo bem, conheço aquela história de ver o copo meio cheio ou meio vazio, acho até saudável focar no lado bom das situações. Mas existe uma grande diferença entre otimismo e conformismo! Não adianta nada apenas sobreviver e reprimir as queixas com "ah, meu trabalho é chato mas pelo menos tenho um trabalho!" Porque quando ouvimos isso, mesmo que a gente mesmo tenha dito ou pensado, já vem aquela ideia de conformismo, aquele sentimento de que as coisas nunca serão melhores, independente dos nossos esforços ou das mudanças ao nosso redor. E isso não é verdade.

Quando somos pequenos, outras pessoas cuidam no nosso bem estar.
Conforme crescemos, precisamos conhecer nossas necessidades e desejos,
só assim assumiremos a responsabilidade por nós mesmos, indo em direção ao que faz sentido para nós.
Felicidade dá trabalho. Ter uma família bonita, um trabalho interessante, um dia a dia com o nosso jeito, dá muito trabalho. Primeiro um trabalho interno, convencendo a nós mesmos de que podemos sim ter uma vida que nos deixe satisfeitos. Por que se contentar em almoçar um sanduíche na maior correria se podemos nos organizar para almoçar com calma? É justo com a gente mesmo apenas sobreviver do jeito que dá quando o "viver" está nas nossas próprias mãos? Depois, isso dá trabalho porque uma vida feliz não cai do céu nem aparece pela magia da fada madrinha se a gente não der uma ajuda para a sorte, com planejamentos, objetivos claros e, é claro, trabalhando para isso.

Nos dois grupos de pessoas que mencionei no início do artigo, os "reclamões" e os "conformistas", percebo o mesmo fator: em algum momento da vida aprenderam que não são eles os responsáveis pelo próprio bem estar. E isso pode sim ser mudado. Quando somos bem pequenos, nossos pais ou cuidadores zelam pelo nosso bem estar físico e emocional. Entretanto, quanto mais crescemos, mais a responsabilidade de cuidar do nosso bem estar passa a ser nossa. E algumas pessoas não aceitam isso, seja por terem dificuldade de entrar em contato consigo mesma e perceber as próprias necessidades e desejos, o que gosta e o que não gosta; seja por transferir a responsabilidade de suas escolhas aos outros (por medo, insegurança ou simplesmente por não saber lidar com elas); seja por resistir ao desenvolvimento, aquela pessoa que "não cresce" na esperança de ter os outros sempre lá para mimá-la. Algumas pessoas, ainda, têm medo ou até vergonha de conseguirem uma vida que lhes deixe satisfeitas. Não quero ficar me aparecendo, o que os outros vão pensar? Não sei. Mas sei e repito o que já disse outras vezes: todos têm direito a ter uma opinião sobre tudo, inclusive sobre a forma como você ou eu escolhemos levar as nossas vidas. E o que os outros acham de nós não é problema nosso! 

É muito comum tentar suprir as insatisfações da vida
com pequenos prazeres. Precisamos ter clareza de que
a satisfação só vem com a ação (nossa ação!), não com
"analgésicos" de todo tipo.
Somos nós as personagens principais da nossa história. Ah, e somos ainda a pessoa que escreveu a história e também o diretor do filme! Por isso, continua a dúvida: o que você faz de bom para si? É preciso ter clareza do que exatamente estamos buscando, pois só assim poderemos tomar um caminho que vá em direção a isso. Quando não sabemos o que exatamente buscamos, corremos riscos maiores do que viver insatisfeito, por exemplo, o risco de se perder pelo caminho. A insatisfação, seja  percebida de forma racional ou emocional, nos leva a buscar formas de satisfação. Acontece que se não sabemos o que nos deixará felizes/satisfeitos, passamos a buscar momentos passageiros de felicidade, colecionando sensações, relações, objetos, dívidas, quilos a mais, sintomas ou o que for, que nunca irão nos satisfazer de verdade, pois não é o que buscamos e valorizamos. Esse processo é ruim, pois dificulta a tomada de consciência de que algo não vai bem, como se os pequenos prazeres buscados fossem analgésicos que não tratam, apenas escondem o problema que está por trás. Claro que abrir mão disso e perceber que está insatisfeito com a própria vida dói. Mas é a partir dessa dor que podemos buscar formas de mudar para melhor.

Algumas dicas práticas para lidar com a insatisfação:
- Ter coragem de fazer escolhas. Sei que muitas vezes é difícil, mas as pessoas que sentem maior dificuldade podem começar como começam as crianças, com pequenas escolhas: a roupa que vai usar, o programa do fim de semana, um livro para ler ou o filme que vai assistir... Com o tempo nossa mente generaliza a confiança que vamos adquirindo para escolhas mais sérias que temos que fazer na vida.
- Medo de crescer? As pessoas só mudam quando aquilo que vem pela frente é muito mais estimulante do que aquele mundinho seguro e conhecido (mas que não serve mais). Que tal colocar mais estímulos na vida? Ouse! Não tenha medo de ser você e saiba que apenas quando assumimos a responsabilidade por nós mesmos é que surge o potencial da realização.
- Reserve um tempinho para a arte. Arte é transgressão  pois é uma forma de ver a realidade e moldá-la da maneira que quisermos. Vale tudo: desenhar, pintar, modelar argila, escrever, tocar um instrumento... E dar asas a todos esses sonhos que existem dentro de cada um de nós!
- Comentei que quando somos crianças outras pessoas cuidam do nosso bem estar. Quando crescemos, chega o momento do próprio sujeito fazer algo por si. Não abandone a criança que existe dentro de você. Se possível, separe algumas fotos de quando você era criança e deixe-as em lugares que você veja com frequência. Ah, mas precisa ser aquelas fotos especiais, em que você estava feliz mesmo! Todos os dias faça uma coisa que deixe sua criança interior feliz e lembre-se que as melhores coisas são de graça. Vale dar uma volta no seu horário de almoço, conversar com o amigo que você não vê há tempos, tomar banho de chuva... O que a imaginação mandar.

Por fim, proponho uma troca: ao invés de viver evitando aborrecimentos, levar a vida de forma a colecionar nossos próprios sorrisos sinceros. Eles são o termômetro ideal para dizer se estamos no caminho certo.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Mythos - Gaia: a terra, a abundância e as criações

Ontem, dia 22 de abril, foi dia da terra. Por isso pensei que seria interessante escrever a coluna Mythos desta semana sobre Gaia, a deusa grega da terra. Na verdade, Gaia não é uma deusa, era um ser que existia antes de tudo e que deu origem ao mundo que conhecemos, aos titãs (geração anterior aos deuses gregos), aos deuses e a uma série de outros seres. Ela era anterior até mesmo ao tempo, pois ele também é seu filho. Provavelmente Gaia era cultuada por povos anteriores à civilização grega, fazendo com que, num choque cultural, o povo grego a englobasse em sua cultura na forma de uma entidade mais antiga que as deles.

Gaia, como já comentei, era a "deusa" da terra. De acordo com os antigos gregos, no início tudo o que existia era o caos, uma massa sem forma. Aos poucos, o caos se acalmou e ganhou forma, o que fez com que surgisse Gaia. Mas, tão logo começou a existir,  Gaia se sentiu solitária e desejava amor. Por isso criou Urano, o céu. Ele a amou, curvando-se sobre ela, envolvendo-a por completo. E assim Gaia, que além da terra representa a fertilidade, teve muitos filhos. Mas Urano tinha ciúme dos filhos de Gaia e queria lhes fazer mal, por isso a mãe escondia todos eles dentro de si (muitas riquezas existem dentro da terra, de pedras preciosas à riquezas simbólicas, como as que encontramos dentro de nós). Com o tempo, seu ventre foi crescendo, ficando mais e mais pesado, até que Gaia mal podia aguentá-lo. Então, ela criou uma foice a partir de seus metais e deu a arma ao seu filho Cronos, o tempo. No momento em que Urano veio copular com Gaia, Cronos apareceu sorrateiro e castrou o pai. O sangue que jorrou sobre a terra/Gaia deu origem a outros seres. Esse episódio fecha a participação de Urano enquanto amante de Gaia na mitologia grega. Mas não pensem que Gaia ficou solitária! Ela teve muitos outros filhos, de muitos outros amantes. Além disso, ela era tão fértil que era capaz de ter filhos sem que um companheiro a engravidasse.

Gaia era uma deusa criadora, extremamente fértil. Ela assegurava a fertilidade da terra, dos animais e das mulheres. Para as pessoas daquele tempo, esta era uma questão de grande importância, pois sem fertilidade, não havia sobrevivência do grupo. Quando falamos de fertilidade, podemos pensar em abundância, isto é, em ter os suprimentos necessários em quantidade suficiente, bem como podemos mencionar as criações (não só de filhos, mas de ideias, projetos, relações, obras de arte, etc.).

Um dos maiores símbolos de Gaia é a serpente, que troca de pele e se renova constantemente, a cada novo ciclo. Um fato curioso: o famoso Oráculo de Delfos, antes de ser de Apolo, pertencia a Gaia. Lá, a serpente Píton guardava o templo onde as sacerdotisas diziam frases proféticas em linguagem simbólica, em estado de transe. Apolo, deus visto pelos gregos como justo e civilizador, matou a serpente (o que pode representar tanto o domínio da cultura anterior pelos gregos, quanto uma explicação sobre o início do patriarcado, com um deus masculino subjugando um dos maiores símbolos do sagrado feminino). Apolo, então, tomou para si o Oráculo de Delfos, fazendo uma última homenagem à Gaia: as sacerdotisas de Apolo, que trabalhavam naquele templo, passaram a ser denominadas "pitonisas" (em referência a Píton).

Gaia, no entanto, sempre permaneceu presente. E até hoje permanece, seja nos mitos, seja nos discursos sobre ecologia tão necessários e frequentes hoje, seja em teorias como a Hipótese de Gaia, do pesquisador James Lovelock, que pressupõe que a terra seja um sistema, ou melhor, um organismo vivo e que se autorregula. Gaia representa não apenas a terra e a fertilidade/abundância (em todos os sentidos dessas palavras), mas também a mãe que nutre e protege seus filhos/projetos, aquela que dança conforme os ciclos das estações, da lua, das marés, de vida e morte.

Questões para refletir:
1- Quando seus filhos estavam sob a ameaça de Urano, Gaia guardou todos eles em seu ventre protetor. E você, como protege seus projetos? Quando a ameaça passa, você os deixa ir ou tende a superprotegê-los?
2- Quais são suas ideias a respeito da abundância? Muitas pessoas, quando crianças, são levadas a acreditar que é errado desejar a abundância. Isso aconteceu com você? Quais as ideias sobre este tema que te foram ensinadas? Muitos confundem abundância com excesso e desperdício, por isso é bom deixar claro que não se trata disso. Abundância quer dizer que as necessidades serão supridas, e não que os alimentos, água ou recursos serão usados de maneira a desperdiçá-los, sem planejamento ou ao acaso.
3- No interior de Gaia existem inúmeras riquezas e tesouros. E dentro de você, quais tesouros podem ser encontrados dentro de você? Você se permite compartilhá-los para que tragam abundância? Como você lida com sua fertilidade ou, em outras palavras, com sua criatividade? Permite-se criar, construir e deixar fluir suas ideias?
4- Esta atividade deve durar no mínimo um dia inteiro (de preferência mais). Preste atenção ao seu discurso sobre a abundância. Não apenas ao que você diz, mas principalmente aos sentimentos e pensamentos. Qual mensagem você passa a si mesmo a esse respeito? Numa próxima ocasião, faça o mesmo com a criatividade/fertilidade.
6- Gaia, sendo a terra que nos nutre e sustenta, traz a mensagem de que somos todos parte do mesmo todo. O que você pensa sobre isso? O que sente? Como lida (ou não lida) com a conexão?

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sobrevivendo à perda de sentido

"Nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim em levantar-mo-nos sempre depois de cada queda." - Confúcio, sábio chinês (551 a.C. - 479 a.C.)

Este era para ser um texto sobre hiperatividade, mas o tema mudou de última hora. Explico o que aconteceu. Terça feira passada trabalhamos com o mito africano de Murilé (se você não leu, clique aqui para ver!), e a repercussão foi maior do que pensei. Várias pessoas me escreveram perguntando e comentando o mito e, entre as principais motivações, duas delas se destacam. Muita gente disse que o mito parecia acabar sem ter exatamente um fim. A primeira vez que ouvi esse mito, também achei isso. O homem é engolido pela terra. E aí? Confesso que imaginei a reação das pessoas ao redor dele. Evitei comentários após essa parte do mito, pois a imagem de ser engolido pela terra após trair a si mesmo tem um simbolismo muito forte, preferi deixar os leitores com a sensação que isso causa e ir direto às reflexões, assim a sensação e o sentimento seriam aproveitados ao invés de simplesmente serem abafados. É importante ter em mente que as visões de mundo dos povos africanos, indígenas e orientais são bem diferentes da ocidental, ainda muito marcada pela ideia romana da conquista a qualquer custo. Lembre-se que os romanos tinham um território muito grande, que englobava vários povos, assim, os mitos precisavam ter começo meio e fim bem claros, garantindo que a interpretação de todos fosse a mais similar possível.

O segundo ponto que gerou certo desconforto em alguns leitores foi o fato de terem se identificado muito com o mito de Murilé. Algumas pessoas escreveram contando que já são mais velhas e sentem que não viveram os sonhos da juventude como deveriam (a esses, eu digo que nunca é tarde demais para ser feliz). Outros, mais jovens, disseram ter medo de que algo ruim lhes aconteça por não darem ouvidos aos próprios planos, descartando-os em favor de viver aquela vidinha que todos dizem ser "a mais adequada". Foi na manhã seguinte (ontem), enquanto eu pensava sobre como o mito de Murilé é muito mais atual do que eu havia imaginado, que minha grande amiga Isadora Kohatsu me questionou: a pessoa pode ter errado, deixado os planos e sonhos de lado e, por isso, ter deixado de ver algum sentido em sua vida. Mas como se perdoar e recuperar esse sentido? 

Desânimo e desesperança são dois dos maiores sinais de que algo já
não faz sentido na nossa vida.
Cabe aqui explicar o que é sentido. A primeira forma de ver o sentido é na forma de percepções através da visão, tato, paladar, olfato e audição, os cinco sentidos que nos ajudam a conhecer nossa realidade. Outra forma é pensando na interpretação racional/emocional de uma ideia: o sentido de uma palavra, de uma teoria, de um relacionamento ou vivência. No entanto, quando eu me refiro a "sentido", penso numa terceira possibilidade, que nada mais é que a união das duas primeiras: como interpretamos racional e emocionalmente aquilo que percebemos, aquilo que a realidade nos mostra? Como interpretamos a nós mesmos, nossas experiências e planos, nossa forma de agir? Nem sempre temos consciência disso (aliás, quase nunca temos), mas todos nós temos um conjunto de ideias, referências e valores pessoais, sempre muito carregados de emoções intensas, que direcionam nossa forma de dar sentido. E essa forma de dar sentido, por sua vez, direciona nosso comportamento, nossas pretensões, enfim, nossa forma de ser no mundo, criando e recriando a realidade e a nós mesmos.

Geralmente paramos de ver sentido nas coisas quando o sentido que víamos não era bem nosso, era meio que "emprestado" da realidade: a fé cega em uma religião ou ideologia sem questionamento algum, a crença inabalável num time ou grupo musical ou artista, a ideia de que tudo vai mudar depois que a pessoa se casar ou se separar ou arrumar o emprego dos sonhos ou tiver filhos ou netos ou se aposentar... Veja que são ideias de senso comum. Isso quer dizer que podemos nos identificar com elas e, em algum momento da vida, todos nós vamos, mas elas não podem ser o que nos mantem em pé, pois somos mais do que tudo isso. Não me entendam mal, não quero dizer que as religiões, as equipes esportivas ou bandas de adolescentes são ruins, mas sim que esses elementos não podem se tornar nossas referências mais fortes, é preciso haver questionamento e reflexão sempre, pois apenas assim nos apropriamos da realidade e, com base nela e em nossos próprios conteúdos internos, construímos nossas próprias referências, ideias e valores. Em boa parte dos casos, apenas aprendemos ainda muito pequenos que esses elementos são os "melhores", "mais corretos", etc., sem que nos seja dada a chance de alguma reflexão ou questionamento. Quando isso acontece, nossas referências são fracas, ou seja, não temos valores sólidos o bastante que nos sustentem frente às intempéries da vida. E aí, frente a alguma situação mais dura, o sentido que somos capazes de atribuir não nos sustenta: o que pode o melhor time de futebol contra a doença grave de um ente querido? O que pode uma religião ou crença política (quando vivida sem reflexão) contra os perigos da violência ou de uma guerra? Como ser fã daquele ator bonitão pode nos sustentar frente ao desemprego, ao bullying, à violência doméstica, a um estupro ou à perda de uma pessoa amada?

A boa notícia é que isso tem jeito. E outra boa notícia é que não precisamos esperar a coisa chegar a esse ponto para tomar alguma atitude. A perda de sentido, ou o fato da pessoa se apoiar em sentidos frágeis, pode ser observada através de alguns sinais, entre eles: desânimo e forte sentimento de desesperança, somatização (de pequenos resfriados e alergias à problemas mais sérios), dores, medos, quadros de ansiedade; ou, ao contrário, apatia, a pessoa sente como se nada nunca fosse melhorar independente de seus esforços, falta de vontade. Podem acontecer também as compulsões: por comida, sexo, compras, trabalho... O sentimento de vazio também é bastante mencionado. Esses sinais podem ser percebidos no dia a dia, ou mesmo no discurso da pessoa.

Como mudar isso? Durante meu mestrado na PUC-SP, percebi que o sentido, para nos sustentar, precisa ser construído por nós mesmos. Aqueles elementos do comecinho do artigo, como as equipes de esporte, os grupos musicais, etc. talvez participem da construção do sentido (ou não, cada caso é um caso), mas o grosso da coisa precisa vir da nossa história (individual, familiar, cultural, social...) e dos planos que temos. De forma bem básica, quando um caso assim surge em terapia, o que procuro fazer é questionar quem é a pessoa, mais do que isso, como ela se tornou o que é. E você, como se tornou essa pessoa que é hoje? Comportamentos destrutivos, dores, depressões, perda de sentido e tantas outras queixas nunca surgem do nada. É preciso identificar em que ponto da nossa história a vida tomou o rumo que tem, assim teremos algo mais concreto com o que trabalhar. A outra pergunta, sobre os planos que temos:  quem desejamos ser? Vou além: e se der tudo errado, qual é seu plano B? Com frequência, o plano B é até melhor que o plano A! Em alguns casos, um dos planos é adoecer, o que digo ser quase um "suicídio passivo" (se é que podemos brincar num caso desses). Claro que isso não é consciente, ninguém planeja ficar doente. Trabalhamos essas questões via inconsciente, com desenhos, mitos, sonhos e outros recursos. Quando o plano é adoecer, a questão do sentido precisa ser revista com urgência, geralmente a pessoa já tem dores e sintomas, ou os tem com frequência maior que o normal. Nossa história, junto com nossos planos e sonhos, são a chave para o sentido que damos à nossa vida, pois é em direção a eles que caminhamos. Entendendo a história (individual, familiar, etc) e os planos, podemos construir um sentido que seja de fato nosso. E aí sim levantar e seguir em frente.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Mythos - Murilé: trair os próprios sonhos e o perigo de não existir

Hoje vamos trabalhar com um mito africano, do Quênia. Apesar de pouco explorado, este mito nos traz reflexões bastante pertinentes para os dias de hoje. Vamos começar!

Numa aldeia da África vivia um jovem chamado Murilé. Era um rapaz um tanto desajeitado, por isso, sua família o criticava muito. Murilé até tentava acertar, mas o pai dele sempre dizia que ele nunca faria nada certo na vida e a mãe sempre se queixava com todos sobre como o filho era preguiçoso e desastrado. Certo dia, cansado da situação, Murilé resolveu ir embora. Ele se sentou no banco mágico do pai, que estava na família há muitas e muitas gerações. Então Murilé, que de desastrado não tinha nada, passou a recitar todos os encantamentos mágicos que conhecia, até que o banco começou a flutuar cada vez mais alto. Murilé viu espantado como lá de cima sua casa parecia pequena e como a aldeia logo parecia ser apenas um pontinho distante. O banco subiu tanto que Murilé chegou à lua!


Vendo-se sozinho na lua, Murilé se assustou! Como ele poderia voltar para casa? Era mesmo um desajeitado! E o jovem correu pela lua até encontrar uma aldeia. Então ele teve uma ideia: pediria para ver o chefe da lua e explicaria a situação. Certamente o chefe saberia como voltar para a terra. No entanto, a aldeia tinha muito trabalho por fazer e as pessoas que viviam lá disseram a Murilé que eles mostrariam o caminho para a aldeia do chefe da lua desde que o rapaz ajudasse com o trabalho. Ele concordou e algum tempo depois, terminaram. As pessoas da aldeia gostavam muito de Murilé e ficaram felizes em mostrar o caminho para a aldeia do chefe, que ficava do outro lado da lua, nas sombras. Chegando lá, Murilé ficou muito surpreso com o que viu. O lugar era escuro e muito atrasado. As pessoas não conheciam o fogo, por isso não sabiam fazer cerâmica, eram obrigados a comer carne crua e nunca podiam se aquecer perto de uma fogueira nas noites mais frias. Murilé então pegou alguns gravetos e acendeu uma grande fogueira. O povo ficou maravilhado! O chefe da lua ficou muito agradecido e Murilé passou a ser considerado o maior mago que o povo já conheceu. Murilé se casou com a filha do chefe da lua, eles eram felizes e tinham muitos filhos. No entanto, Murilé sentia falta de seus pais, ele queria voltar para casa. Não apenas para revê-los, mas para mostrar a eles que ele não era o rapaz desajeitado e sem futuro que todos viam.

Mas havia um problema. O pequeno banco que trouxe Murilé até a lua não poderia levar a esposa e os filhos, era muito pequeno. Então Murilé enviou um amigo à aldeia onde seus pais viviam, para dar a notícia de que ele, a esposa e seus filhos chegariam em breve. Mas o tempo da lua é diferente do tempo da terra. Na terra, os pais de Murilé já eram bem velhinhos, e consideravam o filho morto há muitas décadas! Quando soube disso, Murilé viu que precisava ir até os pais depressa. Então o chefe da lua lhe ofereceu um touro sagrado. O animal seria forte e veloz o bastante para levar todos à casa dos pais de Murilé com segurança e rapidez. No entanto, o chefe da lua fez Murilé prometer uma coisa: ele podia ficar com o touro sagrado pelo tempo que fosse necessário, desde que nunca o matasse e o comesse. O rapaz concordou e partiram. Quando os pais de Murilé o viram, não acreditaram! O pai de Murilé não lhe poupou elogios, e a mãe não parava de comentar com todos na aldeia como o filho era um homem responsável, rico e poderoso, como a nora era linda e amável e como os netos eram crianças bondosas e alegres. Passados alguns dias, o pai de Murilé resolveu matar um animal e dar uma festa para toda a aldeia em honra ao filho. Viu entre seus animais um touro grande, que alimentaria toda a aldeia e não exitou em matá-lo e preparar um assado delicioso, sem saber que aquele era o touro sagrado, e nem da promessa feita pelo filho. Todos comeram e se fartaram, mas quando Murilé provou a carne, a terra se abriu e o engoliu.

Questões para reflexão:
1- Uma das formas de pensar este mito é com o foco no nosso mundo interno. Sem pensar muito, diga o que há de valioso esperando por você no lado mais escondido da lua, nas profundezas da sua psique? As primeiras coisas que vêm à mente costumam ser as mais precisas, pois chegam à nossa consciência antes que o inconsciente as bloqueie. Os tesouros podem assumir a forma de novas ideias, maneiras diferentes de olhar a vida, características de personalidade e até habilidades que nem desconfiávamos ter. Descobri-los requer trabalho e envolvimento, tal como o povo da lua exigiu de Murilé. Apenas quando nos conhecemos bem é que podemos nos tornar quem realmente somos.
2- Outra forma de ver o mito é com o foco no mundo externo. Como os outros te descrevem (ou descreveriam)? Você concorda com eles em algum aspecto? É interessante pensar sobre isso, porém com a consciência de que esta é a visão deles, a sua visão sobre si mesmo provavelmente será diferente, ao menos em alguns pontos. 
3- Ser engolido pela terra tem um simbolismo muito forte. É mais do que morrer, é deixar de existir. Quando  sentimos nossa existência ameaçada (mais do que a vida, pois a existência vai além do biológico, entrando em campos como as emoções e a mente), sentimos como se "de repente" as coisas parassem de fazer sentido. Você já se sentiu assim? Não falo de situações temporárias que nos dão a sensação passageira de falta de sentido, mas sim de situações extremas, como a morte de um ente querido ou mudanças bruscas e repentinas, como divórcio, perda de emprego, sofrer atos de violência... Existimos na linguagem, no contar. Quando traímos nossas palavras, as "promessas" que fizemos a nós mesmos, ou seja, quando vamos contra os nossos valores pessoais, deixamos de existir, pois traímos nossos sonhos e esperanças, matamos o touro sagrado que podia nos levar a outros mundos e, como se não bastasse, o engolimos. Como encontrar algum sentido sem nossas esperanças e sonhos? Fica aquela sensação de sufocamento, como se a terra nos engolisse.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Perfeccionismo: Quando o carrasco é você!

"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito." - Fernando Pessoa, escritor português (1888-1935)

Hoje vou começar contando uma coisa pessoal para vocês. Quando eu era criança, sempre gostei muito de criar histórias. Algumas para distrair meus irmãos mais novos, outras para distrair a mim mesma, outras para distrair os meus pais e eles não perceberem que eu não estava comendo meu almoço. E era só isso: distração e diversão. Depois, com uns 10 ou 11 anos, imaginei que se eu escrevesse as histórias que inventava, poderia ter sempre alguma coisa nova para ler! E assim comecei a escrever histórias, jornaizinhos... Cresci um pouco e, com 13 começaram as poesias. Mas tinha um problema: eu morria de vergonha! Ninguém podia ler, aliás, ninguém nem sequer podia saber que eu escrevia! Então, assim que eu terminava, eu relia e rasgava tudo, em pedacinhos bem pequenininhos! E levava os pedacinhos para a escola e jogava no lixo do banheiro, enrolando tudo em um monte de papel higiênico. Lá, com certeza ninguém iria encontrá-las. Nunca. O tempo foi passando e, uns dois anos depois, resolvi começar a guardar as poesias e outros escritos numa pasta amarela, daquelas de cartolina, sem elástico nem nada. Ainda morria de medo que alguém as lesse, então eu carregava a pasta sempre comigo na mochila, para qualquer lugar que fosse. Naquela época, eu gostava bastante de escrever durante a noite, quando a casa estava mais quieta. E, numa certa madrugada, depois de algumas horas de escrita, fui dormir e esqueci alguns papéis na mesa da cozinha. No dia seguinte, encontrei os papéis ao lado da minha cama, junto deles havia um bilhetinho com a letra da minha mãe. Dizia apenas "são lindas". Isso me deu coragem e comecei a mostrar para alguns amigos mais próximos que, para minha surpresa, gostaram e começaram a me encorajar. E em pouco tempo a pasta amarela passou a viajar pela escola, de mão em mão, de olhar em olhar. No fim do dia, a pasta voltava para mim. Para uma menina tímida e insegura, o apoio de todas essas pessoas foi primordial e me fez ter mais confiança naquilo que gosto de fazer. Mais alguns anos se passaram e, no dia em que fiz 17 anos, assinei o contrato para meu primeiro livro, "O tempo não espera".

A pessoa perfeccionista se torna alvo de sua própria rigidez.
A autocrítica, que deveria ajudá-la a se perceber com clareza,
acaba por se tornar fonte de conflitos e de mal estar.
 Comecei contando um pedacinho da minha história porque isso ilustra bem o tema de hoje, sugerido por uma das minhas primeiras leitoras, que já lia a pasta amarela antes mesmo dela passar a viajar de mãos em mãos, minha amiga Stella Benedetti. Ela me sugeriu o tema perfeccionismo. É interessante ter em mente que o perfeccionismo nada mais é do que a autocrítica exagerada. É claro que é importante ter autocrítica, é isso o que nos faz avaliar nosso comportamento, nosso trabalho e nossas criações, verificando se estão em condições de atender às exigências da nossa vida e de nós mesmos. Mas, como tudo na vida, quando a autocrítica é exagerada, alguns problemas começam a aparecer (e rasgar poesias recém escritas é um deles!). Esses problemas podem ir desde conflitos emocionais, incluindo aí crises de ansiedade, insegurança, medo de se expor, pesadelos recorrentes, timidez exagerada... Até problemas psicossomáticos, como gastrite, palpitações, tonturas, náuseas e vômitos às vésperas de ter que expor um trabalho ou produção importante. Acidentes (grandes ou pequenos) e aquele mal estar que algumas pessoas sentem antes de uma prova ou de um acontecimento importante também contam. Com o passar do tempo, se a pessoa não mudar a imagem que faz de si, tendo uma autocrítica menos rígida, os sintomas podem evoluir para algo mais grave, por exemplo, quando a gastrite se torna úlcera ou quando os sintomas emocionais passam a caracterizar algum tipo de transtorno psicológico.

O perfeccionismo provavelmente é uma das característica mais mencionadas nas entrevistas de emprego, quando o candidato é questionado sobre seus defeitos. Muitas pessoas se julgam perfeccionistas, mas isso nem sempre é verdade. Uma coisa é exigir de si mesmo um trabalho bem feito e um comportamento que você acredite ser adequado. Outra coisa é exigir de forma exagerada e desumana, a ponto dessa auto exigência interferir de forma ruim na sua saúde e nos seus relacionamentos, fazendo com que seja muito difícil levar uma vida normal. Existem diversas causas que poderiam levar uma pessoa a ser perfeccionista. As mais óbvias seriam o medo de ouvir (inevitáveis) críticas e tomar para si a missão impossível de agradar a todos. Entretanto, penso que por trás dessas causas existe algo mais: a insegurança, que quase sempre vem de mãos dadas a uma autoestima muito baixa. Esses componentes alteram nossos comportamentos e nossa vida psíquica, fazendo com que acreditemos e nos comportemos como se fôssemos "piores" ou "menos" que todas as outras pessoas.

Seu perfeccionismo é só uma máscara.
O que há por trás dela?
Existem várias estratégias possíveis para contornar o perfeccionismo. É preciso ter em mente que o perfeccionista é uma pessoa cujo foco maior está no outro, ou melhor, na opinião que o outro terá sobre ela, ao invés de estar em si mesmo. O que temos que fazer é trazer o foco de volta para o próprio sujeito. Uma forma de fazer isso é entrar em contato consigo mesmo: meditar, anotar sonhos, fazer exercícios de respiração e relaxamentos, estar atento aos seus sentimentos para que não precisem se manifestar na forma de sintomas. Exercícios criativos, como escrever, desenhar, pintar, moldar argila e tantos outros, também trazem melhoras incríveis! Lembre-se que o espírito da coisa não é pintar a Monalisa, é "apenas" dar vazão ao nosso mundo interno! Outra coisa: pelo menos em alguns momentos, esqueça a competitividade. Você não precisa ser melhor que ninguém. Não existe jeito "mais certo" ou "melhor" ou "mais bonito" de fazer as coisas. Quando o assunto é ser humano, o certo e o errado, o bom e o ruim são subjetivos. Isso quer dizer que cada um sabe o que é melhor para si. E aí certas competições perdem o sentido e podem sair da vida da gente, levando com ela uma boa quantidade de estresse desnecessário. Ninguém merece se sentir pressionado entre ser o melhor e ser você mesmo, porque enquanto a pessoa for sincera consigo mesma, sempre será o melhor que pode ser, e é isso o que conta. Ah, por último, é crucial tomar consciência de que todo super herói tem seus pontos fracos. Ninguém é perfeito. E que chato se fosse! Quando nos aceitamos como somos, começamos a perceber uma série de características nossas que até pareciam "ruins" e que têm um lado maravilhoso! (leia mais sobre isso clicando aqui!)

É muito importante lembrar dos nossos feitos e das nossas conquistas. Pode ser algo grande, como a apresentação para aqueles clientes super importantes ou ter passado no vestibular. Pode ser algo da vida pessoal que tem grande valor para a pessoa, como o dia do casamento ou os filhos, a presença de pessoas queridas na vida da gente, ou ter superado uma doença grave. Mas, mesmo que não seja algo muito importante ou grandioso, lembre-se das "pequenas" conquistas. Eu quis passar uma tarde agradável no parque e consegui. Aprender a andar de bicicleta. Ter conseguido preparar uma receita nova. Todas essas vivências são muito especiais, pois quando as valorizamos, nos lembrando delas com carinho e revivendo aquelas emoções agradáveis, elas se tornam nossas referências, ou seja, algo que nosso inconsciente passará a buscar mais e mais, repetindo comportamentos que deram certo para nós. Nesse processo descobrimos que o que fazemos tem que agradar, antes de tudo, a nós mesmos. Os outros têm o direito de achar o que quiserem e isso não é problema nosso!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Mythos - Fausto: o preço de pertencer a si mesmo

Hoje vamos falar sobre uma personagem que considero muito simbólica para os dias atuais, Fausto. A história de Fausto, o homem que vende a alma ao demônio, é uma lenda alemã medieval. Muitos autores escreveram versões de sua história em livros, peças de teatro, numa ópera de Wagner e em roteiros para o cinema, além de pinturas e gravuras. Provavelmente a versão mais conhecida da lenda é a de Goethe, publicada no século XIX.

Fausto. Obra de Rembrandt (1654)
Fausto é um homem das ciências, estudioso de filosofia, matemática, cosmologia e todas as ciências que sua época (o fim da Idade Média e início do Renascimento) tinha a oferecer. Entretanto, Fausto nunca estava satisfeito. Precisava saber mais e mais, como se houvesse um grande vazio em si que pudesse ser preenchido pela ciência e pelo progresso. Acontece que a época de Fausto era bem diferente da nossa. Se hoje temos fácil acesso à informação, com a internet, bibliotecas, livrarias, jornais, rádio e televisão, entre outras mídias, na época em que a história do Fausto se passa, a informação era muito controlada e poucos tinham acesso à ela. Livros eram muito raros e caros, escritos à mão. Rolos de pergaminho exigiam certa habilidade motora para a leitura, que as pessoas não chegavam a desenvolver pois desde cedo se ocupavam com trabalhos pesados, e também os rolos de pergaminho eram limitados aos religiosos e à nobreza. No ocidente, as peças de teatro se limitavam a retratar passagens da Bíblia, e aconteciam apenas em datas comemorativas. Material para a escrita, então, era praticamente um artigo de luxo! Além disso, a maior parte da população, mesmo entre nobres, não era ensinada a ler ou escrever. É bom ter isso em mente para compreender o desespero do Fausto. Ele percebia que o conhecimento disponível em sua época era bastante limitado, e assim, decidiu recorrer à magia para ampliar seus conhecimentos. Mas não teve sucesso.

Nesse entremeio, Deus e o diabo conversavam. Fausto era um favorito de Deus. O diabo aposta, então, que seria capaz de conquistar sua alma. Deus aceita a aposta, pois sabia que Fausto era um sábio e, na visão dele, seria impossível que Mefistófeles (o diabo) conseguisse sua alma. Então Mefistófeles aparece na casa de Fausto e  lhe propõe um pacto: o diabo lhe daria todo o conhecimento e os prazeres terrenos que desejasse e, em troca, Fausto lhe serviria no inferno após sua morte. E tinha mais! A alma de Fausto iria para o inferno na hora exata em que Fausto experimentasse um momento de tanta felicidade que ele  desejasse que o instante durasse para sempre. Fausto aceitou a proposta.

Mefistófeles passa a acompanhá-lo. Ele ensinou a Fausto noções de magia, cosmogonia, alquimia e feitiçaria, levou-o a uma bruxa que o transformou num homem jovem e belo, apresentou-lhe Helena de Troia e lhe revelou segredos do universo. Após muitos anos, Fausto se dá conta de que com a morte sua alma iria para o inferno. Em algumas versões da lenda, ele se arrepende e procura consertar o que fez de errado, conseguindo o perdão de Deus. Em outras versões, no entanto, Fausto foge e procura despistar o demônio. Mefistófeles segue em seu encalço. Debaixo de chuva forte, Fausto chega a uma pequena vila, já muito cansado e doente, como se cada ano lhe pesasse sobre os ombros magros. Ele entra numa estalagem e pede um quarto. Lá ele estaria protegido. No entanto, momentos depois um homem misterioso entrou na mesma estalagem. Como usava uma capa pesada com capuz, ninguém podia ver seu rosto. O homem perguntou ao estalageiro sobre Fausto e foi até o quarto onde havia se instalado. Depois de alguns momentos, as pessoas na estalagem ouviram gritos desesperados mas, assustados, ninguém ousou ir até o quarto de Fausto. Em dado momento, os gritos pararam e um cheiro podre inundou o local. O dono da estalagem tomou coragem e foi até o quarto de Fausto. Mas, ao entrar, não havia ninguém ali, apenas fumaça e um bilhete alertando para que as escolhas sejam sempre pensadas com cuidado.

Questões para reflexão:
1- Tal como Fausto, muitas pessoas sentem um vazio dentro de si. Alguns tentam preencher o espaço colecionando experiências, ou através do conhecimento (como Fausto), ou colecionando relacionamentos passageiros, prazeres, objetos dos mais variados tipos... Outros procuram preencher-se com a religiosidade, ou com o consumismo, ou com o abuso de álcool e drogas, ou arriscando a própria vida e até com sintomas e dores... Você tem esse sentimento de vazio? Com o que o preenche?
2- O simbolismo que envolve "vender a alma" está relacionado a troca de algo íntimo e muito nosso por algo geralmente visto como passageiro e de pouca importância. "Vendemos a alma" sempre que nos deixamos "comprar", seja aceitando subornos e vantagens, seja passando por cima dos nossos valores pessoais para ter algo (seja algo concreto, um benefício, ser visto de outra forma...). Algo assim já te aconteceu? Como você se sentiu com a "troca"?
3- Existe algo que é tão importante para você que o levaria a abrir mão de si mesmo? Fausto vende sua alma numa tentativa de viver a vida sonhada em lugar da possível. Mas como viver a vida sonhada quando passamos por cima de nós mesmos?
4- Fausto aconselha as pessoas a refletirem sobre suas escolhas. Quando você se depara com escolhas importantes em sua vida, quais fatores você costuma levar em consideração? Por que?

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Não existe segunda chance!

"O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação." - Simone de Beauvoir,  filósofa existencialista, escritora e feminista francesa (1908-1986)

Quem me acompanha há mais tempo aqui pelo blog ou fora dele sabe o quando eu falo sobre a importância de conhecer a própria história, sem deixar de ter planos e sonhos para o futuro. O assunto de hoje é um pouco diferente, vamos falar sobre o agora. O presente é o único tempo que temos. É claro que a história é importante sim, e que ninguém jamais poderá tirar de nós os nossos sonhos. Mas é no presente que tudo acontece.

O tempo é uma coisa que sempre me intrigou, gerando até ansiedade algumas vezes. Tanto é que dei ao meu primeiro livro o título "O tempo não espera". Por que uns têm tempo e outros não? O que fazemos com o nosso tempo e o que gostaríamos de fazer? Esse tipo de questão sempre mexeu muito comigo. Só temos o agora... Agora eu escrevo este texto. Quando você estiver lendo, eu já terei terminado e o meu agora já terá ficado para trás. O que fazer com o nosso tempo?

A vida não permite ensaios ou outros takes.
É um filme participativo e feito ao vivo.
Na vida não existe segunda chance. A primeira vez é e sempre será a única. O que você tem hoje, Bia? Claro que sempre podemos tentar outra vez. Sim, podemos. Mas na segunda tentativa, mesmo que seja logo a seguir, o contexto já será outro. Já seremos diferentes, já teremos sido influenciados, marcados, pelas consequências da primeira tentativa. Mesmo que a consequência se limite à nossa própria lembrança. Além disso, como dizem por aí, a vida não tem replay! Agora é o único momento que temos para fazer com que o futuro sonhado realmente aconteça. Para isso, percebo dois pontos fundamentais: planejamento e ação.

Planejar é sonhar com os pés no chão. É olhar para os sonhos e conseguir enxergar em cada um deles um potencial, mesmo que pequeno, de realidade. Nesse momento, podemos usar diversos recursos: listas de tarefas, de prioridades, de recursos necessários. E, muito importante, sempre dê um prazo aos seus planos. Essas estratégias de planejamento nos permitem manter o foco nas nossas metas, atingindo-as com maior eficácia e com menos transtornos. 

Ação é assim: comece fazendo força com as pernas... até levantar o corpo da cadeira! Gente, sonhar é lindo e fundamental para qualquer pessoa, mas sem trabalho, nada acontece. Não adianta nada planejar, fazer planilhas, listas, estabelecer prazos e esquecer de agir. Preste atenção às palavras que você usa. Quanto menos verbos para descrever uma ação, melhor, porque a probabilidade de colocar o plano em prática é maior. Por isso, nada de "ver se penso em procurar fazer caminhadas matinais". Apenas acorde cedo e vá! Tanto faz se o plano em questão é ligado ao campo profissional, pessoal, afetivo ou qualquer outro. Vá lá e faça o que precisa ser feito. Simples assim. Nunca serei mais sociável se eu não gastar meu tempo conhecendo pessoas e me deixando ser conhecida. Nunca serei uma boa escritora ou desenhista se eu não gastar tempo escrevendo ou desenhando ou seja qual for a minha arte. Nunca abrirei meu próprio negócio se eu não for atrás da documentação necessária, juntar os recursos que preciso, e trabalhar bastante. Não tenha medo de gastar seu tempo indo atrás do que é importante para você, porque o momento é este. Sem replay e sem segunda chance.

Ouse. Ousar é ter coragem. E coragem significa fazer algo de coração. Isso implica em ser sincero consigo mesmo e ir atrás do que acredita, com foco e planejamento sim, com sonhos, mas também com ações concretas. Muitos receiam perder tempo com coisas, pessoas ou atividades que não são exatamente as que lhes trazem satisfação. Ouse mudar. Ouse planejar. Ouse ir atrás do que realmente importa para você e ouse deixar a sua vida mais parecida com a forma como você gostaria que ela fosse. Pinte a vida com suas próprias cores. E, para isso, ouse questionar-se: o que exatamente você busca? O que te daria satisfação? O que faz sentido para você? Este é o foco. Ah, eu até planejo, mas você não sabe como é difícil colocar meus planos em prática! Escuto frases assim muitas vezes. Ninguém disse que era fácil. Aliás, se fosse fácil já teriam feito, como dizia um professor. Não estou pronto! Então prepare-se, e bem rapidinho. Não há segunda chance e nem replay. Não tenho sorte... Sem agir, ninguém nunca terá.

Ser feliz dá muito trabalho. Só consegue ser feliz quem quer muito. Quem ousa. Quem faz de coração, sendo verdadeiro. É normal ter medo, ficar inseguro ou ansioso. Mas é preciso ter a certeza de que somos muito mais fortes do que qualquer medo ou insegurança, pois as nossas emoções são partes de nós, e não o contrário. E se elas são partes de nós, isso quer dizer que existem mais partes lá dentro. Partes diferentes. E nós somos aqueles que têm a chave para trazer essas outras partes para a luz. A confiança, o foco, a animação, a esperança... Nada de "tentar pensar em ver como." Agora é o único tempo que temos em nossas mãos. O presente é uma matéria que se molda facilmente, pois está em movimento, é fluido. Mas para que o presente se torne o que esperamos que ele seja, é preciso um artista que lhe dê forma. Agora.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Mythos - O Labirinto - Parte 2: A Fuga

Hoje vamos terminar o mito do labirinto sobre o qual começamos a conversar na semana passara. Se quiser reler a parte 1 desta conversa, clique aqui. Terça feira passada deixamos Dédalo, o grande arquiteto que projetou e construiu o labirinto do Minotauro, no momento em que o rei Minos o condenou a ficar eternamente preso no próprio labirinto e, nas questões para reflexão comparamos a entrada de Dédalo no labirinto a uma jornada pelo mundo interior, de onde muita informação pode emergir.

O labirinto em que Dédalo e seu filho Ícaro estavam presos era imenso, cheio de corredores tortuosos que levavam a outros corredores, ainda mais tortuosos. O rei Minos, imaginando que seus prisioneiros poderiam fugir, mantinha uma vigilância bastante rígida não apenas na entrada do labirinto, mas nas estradas e no porto da ilha de Creta, de onde nenhum barco partia sem ser revistado antes. Durante os primeiros dias de confinamento, tudo o que Dédalo fazia era perambular pelos corredores, pensando em formas de escapar do próprio labirinto. Certo dia, ele viu o menino Ícaro brincando com algumas penas de aves que haviam entrado por uma das estreitas janelas do labirinto. Foi então que Dédalo, criativo como era, teve uma brilhante ideia: Minos podia vigiar a terra e os mares, mas nunca poderia vigiar o céu! E seria por lá que eles escapariam!

Por meses e meses Dédalo e Ícaro juntaram penas de pássaros de diferentes tamanhos, que os dois recolhiam perto das aberturas de respiro do labirinto. Dédalo ainda juntou uma boa quantidade de cera, recolhida de uma colmeia que havia se instalado numa parte do labirinto. Então, com o material em mãos e o projeto em mente, trabalhou noite e dia e fabricou dois pares de asas, um grande para si e outro um pouco menor para Ícaro. Quando terminou o trabalho, o arquiteto pegou os pares de asas e foi com o menino a uma grande abertura de respiro do labirinto, que dava para um penhasco sobre o mar. Ele mostrou ao filho como os pássaros se moviam para voar. Então ele ajustou bem um par de asas ao corpo de Ícaro e o outro ao próprio corpo. Aproximaram-se do penhasco e, antes da aventura, fez uma recomendação ao filho: voar sempre em altura moderada, nunca baixo demais, pois a umidade do oceano faria com que as penas se soltassem e ele caísse em mar aberto, ao mesmo tempo em que não seria bom voar alto demais, pois o calor do sol derreteria a cera, destruindo as asas.

Dédalo respirou fundo para tomar coragem e saltou. Caiu alguns metros, mas logo começou a voar. Olhou para trás, preocupado com o filho, mas viu que Ícaro, por ser menor e mais leve que o pai, voava bem. Para a surpresa do menino, o que no início parecia assustador, na verdade era bastante agradável! Ele voou, dando voltas, subindo e mergulhando no ar, divertindo-se com a nova sensação. Mas Ícaro não seguiu a recomendação do pai. Em meio ao seu entusiasmo, o menino voava cada vez mais alto, e mais alto, e mais alto... até que a Ilha de Creta, a maior da Grécia, não passava de um minúsculo borrão. Dédalo olhou para o filho já sabendo o que na certa aconteceria, mas não podia fazer nada para impedir. E, tal como o pai previra, o calor do sol derreteu a cera das asas de Ícaro, fazendo com que as penas se soltassem. O menino ainda tentou bater as asas com mais velocidade mas era tarde demais. Com um grito muito assustado e sob o olhar devastado de seu pai, Ícaro caiu e mergulhou para a morte no oceano.

Dédalo continuou sua fuga sozinho e chegou a salvo na Sicília. Lá ele ergueu um templo ao deus do sol, Apolo, onde deixou suas asas como oferenda. É interessante notar que Apolo é o deus que puxa o carro do sol, que derreteu as asas de Ícaro, condenando-o a uma morte prematura. Assim, Apolo é aquele que nunca se atrasa e nunca falta, pois o sol nasce todas as manhãs, aconteça o que acontecer. É um deus civilizador, muito querido pelos gregos por pregar a "justa medida", o equilíbrio, conceito chave para compreender a mitologia e a cultura desse povo. A mesma regra que, no alto de seu entusiasmo, Ícaro não conseguiu seguir, voar de forma moderada, nem alto e nem baixo demais. E, esquecendo-se da justa medida, perdeu o próprio centro, encontrando seu fim.

Questões para reflexão:
1- Esta não é uma questão, é um comentário. Repare logo no início da parte de hoje deste mito, quando Dédalo passa meses e meses planejando e recolhendo materiais para seu projeto, as asas. As coisas levam tempo. Grandes mudanças não acontecem de um dia para o outro, precisam de planejamento, recursos (materiais, emocionais, etc.) precisam ser recolhidos e trabalho precisa ser feito. Um par de asas não se constrói sozinho!
2- Repare que o labirinto de Dédalo tem janelas e aberturas para respiro. Pensando no labirinto como o nosso mundo interno, quais são os seus "espaços de respiro"? É saudável ter brechas no nosso mundo interno, pois assim a comunicação inconsciente - consciente é facilitada por canais como sonhos, a imaginação, as artes... sem que o inconsciente precise apelar para sintomas. Que "espaços" você dá a essa comunicação em seu dia a dia? E quais novos espaços você está disposto a abrir?
3- Comparo as penas e a cera de abelhas aos recursos internos que todos nós temos. Às vezes não os conhecemos, mas eles estão sempre aí. Recursos internos são lembranças, frases curtas e sensações corporais, movimentos, etc que nos dão confiança para enfrentar os desafios da vida e esperança no futuro. Recursos são pessoais e muito significativos. Sugiro respirar bem fundo, fechar os olhos e buscar alguns dos seus. Pelo menos três. Traga-os para sua consciência, agradecendo a eles e dizendo-lhes que são bem vindos.
4- O início do voo, o salto para o novo, causou certo receio em Ícaro e mesmo em Dédalo. Na frente deles, um penhasco. Abaixo, o oceano cheio de rochas da Grécia. As imagens que você criou enquanto lia o mito contam muito sobre a forma como você lida com novidades e desafios. Como eram as asas? Qual a altura do penhasco? Como era o mar (calmo, revolto, cheio de rochas pontiagudas...)? Como você lida com os desafios?
5- Dédalo assistiu a morte do filho sem poder fazer nada, caso contrário cairia e, também ele, encontraria seu fim. Existem situações na vida em que, por mais impotente que a gente se sinta, simplesmente não há o que fazer, apenas esperar. Você já viveu situações assim? Como foi? Você se apegou a algo/alguém ou usou algum recurso interno para passar pela situação?
6- A morte de Ícaro representa um limite que foi cruzado, o processo de tomada de consciência. Depois de cruzar um limite, nada jamais será da forma como costumava ser. O fim da infância, a entrada na vida adulta, a primeira menstruação, ou a perda de uma pessoa querida são exemplos disso. São momentos de passagem, que os povos antigos (e alguns ainda hoje) costumavam marcar com rituais de passagem, celebrações e festas, tornando o momento mais ameno e dando confiança aos que estão na situação. Lembre-se de momentos de passagem que você já viveu e como você lidou com eles. Hoje em dia, você teria lidado de forma diferente? Como?

segunda-feira, 1 de abril de 2013

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Passamos dos 3 mil acessos no blog! Gostaria de deixar aqui o meu muito muito muito obrigada e dizer que isso nunca seria possível sem o apoio de vocês!
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